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Pernambuco ultrapassa marca de 6 mil profissionais de saúde infectados pelo coronavírus

Esta foi a semana em que Pernambuco mais assistiu à escalada do adoecimento desses trabalhadores. Dos 6.201 casos, 50% tiveram confirmação de testes laboratoriais divulgadas de segunda (18) até este sábado (23)

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 23/05/2020 às 19:35
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ÓLAFUR STEINAR GESTSSON/RITZAU SCANPIX/AFP
Diariamente, devido ao adoecimento, centenas de profissionais de saúde ficam afastados da linha de frente de combate à covid-19 - FOTO: ÓLAFUR STEINAR GESTSSON/RITZAU SCANPIX/AFP
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Sobe para 6.201 o número de profissionais de saúde infectados pelo novo coronavírus em Pernambuco, o que representa 52,6% de todos os trabalhadores que se submeteram ao teste de covid-19 no Estado, desde a primeira semana de abril. Eles são de todas as categorias da área, incluindo médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais, farmacêuticos, trabalhadores da enfermagem e tantos outros profissionais que continuam com a missão de salvar vidas. Esta foi a semana em que Pernambuco mais assistiu à escalada do adoecimento desses trabalhadores. Dos 6.201 casos, 50% (ou 3.086, em números absolutos) tiveram confirmação de testes laboratoriais divulgadas de segunda (18) até este sábado (23). 

Quando apresentam sintomas, eles saem do front por, pelo menos, 14 dias. Só na quinta-feira (21), na capital pernambucana, 489 trabalhadores estavam afastados dos postos de saúde, emergências, enfermarias e unidades de terapia intensiva (UTI) por apresentar sintomas da doença. “Entre eles, estão 88 médicos, 164 técnicos e auxiliares de enfermagem e 100 enfermeiros. Temos um desafio imenso na recomposição das escalas de toda a rede de saúde. Procuramos vencer essa barreira com mobilização e deslocamento de especialistas de ambulatórios (não covid-19), além das contratações que estão sendo feitas para minimizar efeitos do adoecimento de profissionais”, disse o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, em coletiva de imprensa transmitida pela internet.

A subida das confirmações de covid-19 nesses trabalhadores e, consequentemente, o déficit nas escalas de plantões vêm num momento em que a pandemia mais exige deles. Com a aceleração da curva epidêmica no Estado, os profissionais de saúde se tornam mais do que necessários para salvar milhares de vidas todos os dias. O desfalque nas escalas se soma à pressão que a covid-19 faz na assistência hospitalar. As taxas de ocupação dos leitos de UTI e de enfermaria permanecem em zona de criticidade. Na rede estadual, das 604 vagas de terapia intensiva para pacientes com suspeita e diagnóstico da doença, 98% encontram-se ocupadas neste sábado (23).

Eles precisam não apenas de um ambiente adequado com respiradores, mas principalmente necessitam das equipes de saúde para garantir a sobrevida. “Vejo o adoecimento desses profissionais com muita preocupação. Quando falamos sobre o número dos que estão infectados, não é para impressionar; é porque infelizmente é a realidade. Há muitos que estão afastados das UTIs e emergências. Isso inclui também os trabalhadores que circulam nas unidades de saúde, incluindo funcionários de setor administrativo e limpeza. Estão todos muito expostos, mesmo usando EPI (equipamento de proteção individual)”, diz o médico Marçal Durval Siqueira Paiva Júnior, presidente da Sociedade de Terapia Intensiva de Pernambuco.

Para ele, é sério o cenário de colapso de recursos humanos a que assistimos. “São vários os profissionais capacitados que estão adoecendo. O que acontece? Vários têm dobrado plantão (pelo desfalque), outros vão trabalhar e não sabem se serão rendidos”, acredita Marçal. 


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