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Taxa de contágio do coronavírus em Pernambuco volta a ser superior a 1; saiba o que isso quer dizer

Dados de três instituições de pesquisa atualizam o risco de transmissão do novo coronavírus no Estado

Cinthya Leite Carolina Fonsêca
Cinthya Leite
Carolina Fonsêca
Publicado em 22/06/2020 às 15:29
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RENATA ARAÚJO/RÁDIO JORNAL CARUARU
Movimentação na manhã desta segunda-feira (22), na Feira da Sulanca, localizada no Parque 18 de Maio, em Caruaru, Agreste de Pernambuco - FOTO: RENATA ARAÚJO/RÁDIO JORNAL CARUARU
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A taxa de contágio da covid-19 em Pernambuco, que se manteve por dias em 0.9, já volta a ficar acima de 1, no momento em que se inicia uma nova fase de retomada das atividades econômicas no Estado. Levantamentos feitos pelo Instituto para Redução de Riscos e Desastres de Pernambuco (IRRD), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE); pela Escola de Higiene e Medicina Tropical da Universidade de Londres; e pelo grupo Covid-19 Analytics, de pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio, apontam que a taxa de contágio está, respectivamente, em 1.23, 1.2 e 1.15. 

Esses índices significam que cada 100 pessoas no Estado com o novo coronavírus o transmitem para até outros 123 indivíduos. A taxa de contágio é o índice utilizado para apontar o risco de transmissão do novo coronavírus. Quando está abaixo de 1, sugere-se uma transmissão sob controle.

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O cálculo para se chegar ao número efetivo de reprodução (Rt), como cientificamente é chamada a taxa de contágio, leva em consideração variáveis como o número de casos confirmados diariamente, o volume de pacientes recuperados e os casos ainda em tratamento.

A taxa de contágio, que agora registra aumento, foi um dos parâmetros destacados pelo governo de Pernambuco no dia 31 de maio, véspera de apresentação do plano de retomada das atividades econômicas no Estado. Naquela data, o índice de disseminação da epidemia do novo coronavírus mostrava um patamar de estabilização, com taxa de contágio de 0.9, sinalizando tendência de redução da curva nos municípios que entraram na quarentena rígida na segunda quinzena de maio. 

Retomada da economia

A flexibilização parcial do isolamento em Pernambuco, com reabertura gradual de espaços públicos e estabelecimentos comerciais, pode colocar em xeque todo o progresso que o Estado teve no controle da pandemia até aqui, segundo dados do Instituto para Redução de Riscos e Desastres (IRRD). 

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“O governo não afirmou que a pandemia acabou ou que está sobre controle, nem as falas do secretário de Saúde dizem isso nem o decreto, mas deixou a decisão para a população tomar, e o grande problema nisso é que a população, em sua maioria, é pouco instruída. Então, essa reabertura, ainda que parcial e com exigência de cuidados, é muito perigosa”, diz o epidemiologista da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Jones Albuquerque. "O problema é a simultaneidade de infectados. O lockdown não resolve a pandemia; o lockdown resolve a simultaneidade de infectados na rede hospitalar. Mesmo com a unidade de saúde reforçada, a gente não vai conseguir controlar a simultaneidade de infectados com essa reabertura toda agora porque a população está entendendo que está tudo normal, mesmo que o decreto e as autoridades não digam isso." 

Atualmente quase 53 mil pessoas tiveram diagnóstico confirmado de covid-19 em Pernambuco. "Se a gente levar em consideração que esse número é subnotificado em torno de 20 vezes, chegaríamos a um número de 1 milhão de infectados. Vamos assumir que temos 1 milhão. Pernambuco tem aproximadamente 10 milhões de habitantes. Se a gente abre circulação, as outras 9 milhões de pessoas que não estão infectadas, vão se infectar. E dessas, 4% vão precisar de UTI (unidade de terapia intensiva); algo em torno de 360 mil pessoas vão precisar de UTI. O ideal epidemiológico é frear a reabertura", destacou Jones. 

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