COVID

Drama da alta ocupação de leitos de covid em Pernambuco não poupa quem tem plano de saúde; veja números

Taxa de ocupação nas UTIs da rede particular do Estado volta a atingir mais de 90%, e já há hospitais sem leito para internação

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 27/05/2021 às 6:00
BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
Respirador, equipamento fundamental no tratamento de pacientes graves de covid-19 - FOTO: BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
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Com taxa de ocupação de 92% dos leitos de terapia intensiva (UTI) destinados a casos suspeitos e confirmados de covid-19, a rede privada de saúde em Pernambuco também tem sentido a pressão feita pela nova escalada de casos da covid-19. Na ponta do lápis, considerando as 467 vagas de UTI dos hospitais particulares do Estado, há menos de 40 leitos desse tipo livres para quem tem sintomas graves do coronavírus e recorre à saúde suplementar (atividade que envolve planos e seguros privados). "A situação é gravíssima. Há pessoas nas urgências de hospitais privados com bons planos de saúde e que não conseguem mais leitos. Por isso, precisam entrar na central de regulação do SUS (Sistema Único de Saúde). Isso não acontece só em Pernambuco, mas também em São Paulo e no Rio de Janeiro", disse ontem o médico George Trigueiro, em entrevista à Rádio Jornal. Ele é presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas do Estado de Pernambuco (Sindhospe).

Ele ainda chamou a atenção para o fato de que os hospitais privados temem o desabastecimento de medicamentos usados para intubar os pacientes, como sedativos e bloqueadores neuromusculares. "Os hospitais privados estão sofrendo com essas internações. O perfil mudou nas UTIs, e os pacientes passam mais tempo, 20 ou 30 dias utilizando medicamentos e kits de intubação. O governo do Estado garantiu alguns fornecimentos a hospitais privados e públicos, mas está chegando o momento em que não conseguiremos mais comprar esses insumos", alertou.

A parada das cirurgias e procedimentos eletivos, que demandam internação hospitalar em Pernambuco, tanto na rede pública quanto privada, também foi um tema abordado por George Trigueiro. A suspensão vai até 6 de junho. "Embora os hospitais privados estejam sofrendo um colapso em termos econômico e financeiro, não é o momento de fazer os atendimentos que não são de urgência", destacou o presidente do Sindhospe.

O cenário de sobrecarga na rede hospitalar privada do Estado foi ainda abordado ontem na Rádio Jornal Caruaru. Na cidade do Agreste (região entrou em quarentena rígida ontem), as salas de terapia intensiva (UTI) do sistema suplementar de saúde também estão lotadas. "A situação chegou a um limite que nenhum de nós gostaríamos que fosse realidade. Estamos com o hospital absolutamente lotado, as UTIs estão em 100% de ocupação por mais de um mês. Há um número crescente de pacientes (com quadros respiratórios) que necessitam de atendimento e internação. Temos contato com Garanhuns e Recife, e sabemos que por lá a situação continua a mesma daqui (de Caruaru). A situação está delicada; difícil de controlar", frisou o diretor-presidente da Unimed Caruaru, Pedro Melo.

Ao avaliar o cenário epidemiológico como "caótico, sem vagas de UTI", ele pediu que a população não procure o serviço de saúde em ocasiões que possam ser adiadas, a fim de tentar diminuir a demanda dos serviços hospitalares. "Temos 150 atendimentos por dia de pacientes com covid, o que dá uma média de mais de mil atendimentos por semana. Tentamos ampliar mais cinco ou seis leitos de UTI. Mas, para essas vagas, já temos pacientes na fila para se internar. Então, realmente chegamos ao limite, e a população infelizmente tem perdido o medo e não tem colaborado no sentido de diminuir a circulação do vírus", lamentou Pedro Melo.

Nesta quarta-feira a Secretaria Estadual de Saúde (SES) registrou 2.794 casos de covid-19. Entre eles, 169 (6%) são casos graves e 2.625 (94%) são leves. Agora, Pernambuco totaliza 470.063 registros de pessoas que já foram infectadas pelo novo coronavírus. Desse total, 43.978 foram formas mais severas da doença e outras 426.085 foram pessoas que tiveram sintomas leves. Além disso, o Estado totaliza 15.524 mortes por complicações da infecção.

 

Mais de 265 mil doses de vacina

Mais de 265 mil doses de vacina

Mais 241.750 doses de vacinas contra a covid-19 da Astrazeneca/Oxford, produzidas pela Fiocruz, aterrissaram em solo pernambucano nesta quarta-feira (26), às 7h45. Os imunizantes chegaram no Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes - Gilberto Freyre, e serão destinados exclusivamente para a primeira dose das pessoas com comorbidades e deficiência permanente, trabalhadores das forças de segurança e salvamento e trabalhadores de portos e aeroportos - categoria que começará a ser vacinada agora. 

"Com as novas doses de vacinas que Pernambuco recebeu hoje (ontem) poderemos atender 100% dos trabalhadores portuários e 78% dos aeroviários com a primeira dose. É mais um grupo prioritário que começamos a imunizar no Estado", afirmou Paulo Câmara, governador do Estado.

A previsão é de que 4.820 trabalhadores portuários e 2.970 aeroviários sejam imunizados em Pernambuco.

As doses recebidas foram levadas para o Programa Estadual de Imunização (PNI-PE), de onde foram distribuídas para todas as 12 Gerências Regionais de Saúde do Estado (Geres), onde ficam à disposição das secretarias de saúde dos municípios.

PFIZER

Ontem à tarde, o governo estadual também recebeu um novo lote de imunizantes da Pfizer/BioNTech. O voo, com 24.570 doses do imunizante, chegou pouco depois das 15h. As vacinas serão destinadas para dar seguimento à imunização das gestantes e puérperas.

Com as novas remessas, Pernambuco totaliza 4.000.160 doses recebidas. Desse total, 1.925.170 são da Astrazeneca/Oxford/Fiocruz, 1.959.160 da Coronavac/Butantan e outras 115.830 doses são da Pfizer.

Chicungunha tem alta de 136%

Chicungunha tem alta de 136%

A escalada da chicungunha preocupa cada vez mais, semana após semana, em Pernambuco. O desafio se torna ainda mais complexo porque o aumento de casos de arboviroses acontece no momento em que o Estado vivencia a reaceleração da curva da covid-19, o que já tem causado pressão intensa nas unidades de saúde. Agora, os serviços também precisam dar assistência aos pacientes com chicungunha e, se o aumento progressivo de casos não for controlado, a situação tende a estrangular o sistema de saúde.

Até o último dia 15, Pernambuco notificou 3.417 casos de chicungunha em 89 dos 184 municípios, o que corresponde a um aumento de 136%, em relação ao mesmo período de 2020. Os dados estão no boletim epidemiológico das Secretaria Estadual de Saúde (SES). Mais um vez, a doença, responsável por epidemias em 2015 e 2016, apresenta-se como a mais torturante das arboviroses (doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti), devido à sua característica mais marcante: as dores e os edemas nas articulações, que podem durar meses. Do total de notificações, 717 foram confirmadas, e 747 descartadas. As demais permanecem em investigação.

Além disso, em relação a gestantes com manchas vermelhas na pele (indicativo sugestivos de arboviroses), há 130 registros este ano. Entre elas, 62 realizaram exame para dengue (14 positivaram), 46 para chicungunha (18 positivaram) e 39 para zika (todas com diagnóstico descartado). Uma mesma gestante pode ter feito teste para mais de uma arbovirose.

No Estado, também há aumento de notificações de pessoas com quadros sugestivos de zika. Até o momento, foram registrados 1.176 casos em 57 municípios - um aumento de 61,8%, em relação ao mesmo período de 2020. Das notificações deste ano, 9 foram confirmadas. Já nos casos de dengue, foram registrados 8.723 pessoas com sintomas da doença (com 1.048 confirmações) em 153 municípios, representando uma redução de 28%, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Ainda em Pernambuco, foram notificados este ano nove óbitos suspeitos de arboviroses - um foi descartado e os demais se encontram em investigação. Em relação às formas graves, foram registrados 14 casos de dengue com sinais de alarme e dois de dengue grave.

Já o 2º Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti mostra 118 (64,1%) municípios pernambucanos estão em risco para transmissão elevada das arboviroses, sendo 36 (19,6%) em risco de surto (3,9%) e 82 (44,6%) em alerta. Outros 49 (26,6%) municípios estão em situação satisfatória e 17 (9,2%) não encaminharam resultados.

Um estudo feito por pesquisadores da Fiocruz Pernambuco mostrou que 37% dos recifenses já tiveram chicungunha. Ou seja, há 63% da população da capital em risco de se infectar atualmente, neste momento em que o vírus tem feito mais doentes. A pesquisa, intitulada Inquérito de Arboviroses do Recife, é coordenada pela médica epidemiologista Cynthia Braga, da Fiocruz Pernambuco. Para o levantamento, foram sorteados 884 domicílios. Somando os residentes deles, 2.071 pessoas (5 a 65 anos) passaram por exames de dengue, chicungunha e zika. "Chama a atenção o fato de, em tão pouco tempo (considerando a epidemia que ocorreu em 2015 e 2016), a chicungunha ter acometido 37% da população geral do Recife. E a doença se torna expressiva porque faz sintomas (intensos) em 70% das pessoas infectadas", salienta Cynthia.

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