INFECÇÃO

Mucormicose: Pernambuco registra caso de 'fungo preto' em paciente que teve covid-19

A paciente de 59 anos, portadora de diabetes, hipertensão e asma, está internada no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife, e tem quadro de saúde estável

Amanda Azevedo
Amanda Azevedo
Publicado em 06/06/2021 às 18:43
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YACY RIBEIRO/JC IMAGEM
A mulher está internada no Huoc desde a última sexta-feira (4) - FOTO: YACY RIBEIRO/JC IMAGEM
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A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informou que foi notificada neste domingo (6), pelo Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no Recife, a respeito de um caso de infecção por mucormicose, quadro conhecido popularmente como “fungo preto”. A infecção acometeu uma paciente de 59 anos moradora de Casinhas, no Agreste do Estado, que teve diagnóstico de covid-19 confirmado em março, além de ter desenvolvido, em seguida, pneumonia bacteriana. A pasta comunicou o Ministério da Saúde e investiga a possível associação da doença com o novo coronavírus.

Segundo a secretaria, a paciente já está curada da covid-19, mas, no tratamento, embora não tenha sido hospitalizada, fez uso de antibiótico e corticoides. A mulher é diabética, hipertensa, asmática e obesa, e está internada na enfermaria no Huoc, em Santo Amaro, Centro do Recife, desde a última sexta-feira (4), consciente e com quadro de saúde estável. Antes da admissão no hospital universitário, a paciente passou por outros serviços, tendo, inclusive, realizado procedimento cirúrgico na região afetada, a boca. A infecção por mucormicose foi confirmada por meio de exame histopatológico.

“No caso da paciente, ela possui fatores de risco clássicos para infecção por esse fungo e a associação com a Covid-19 ainda está sendo estudada, visto que a infecção veio a acontecer trinta dias após os sintomas da Covid e quando já estava curada. Essa paciente já está recebendo o tratamento medicamentoso, já foi submetida a uma cirurgia, que fez a maior parte da higiene cirúrgica para a retirada desse fungo. No entanto, ainda vai ser submetida a outras investigações por imagem e reavaliações com especialistas, visto que a paciente ainda tem alguns sintomas característicos da presença desse fungo no nariz e nos seios da face”, afirma o infectologista do Huoc Tiago Ferraz.

O infectologista Demetrius Montenegro, chefe do setor de doenças infectocontagiosas do Oswaldo Cruz, destacou que a doença ocorre em pessoas com baixa imunidade e que a diabetes é uma comorbidade de risco tanto para covid-19 quanto para a infecção pelo fungo.

“A mucormicose é uma doença já conhecida, que ocorre em todo o mundo. Apesar da gravidade, a doença não passa de uma pessoa para outra e o diagnóstico precoce é o mais importante, para evitar a necrose dos tecidos infectados pelo fungo. A paciente continua sendo tratada e avaliada para que possamos ver a necessidade de intervenções cirúrgicas futuras”, disse.

A SES-PE frisou que nenhum dos contatos próximos ao caso apresentou a doença fúngica, que não representa nem risco aos familiares nem à comunidade. “É importante ressaltar, ainda, que a doença está ligada à baixa imunidade e uso prolongado de corticoide e antibióticos”, diz trecho da nota divulgada pela pasta.

O que é a mucormicose?

A mucormicose é uma doença conhecida há mais de um século, causada por fungos da ordem Mucorales, que têm dezenas de espécies e que existem por toda a parte. Assim como outros fungos potencialmente inalatórios, afeta comumente pacientes com o sistema imunológico debilitado, podendo acometer nariz e outras mucosas. Os sintomas variam de acordo com a localização da infecção. Nos pulmões, pode haver tosse, expectoração e falta de ar. Na face e nos olhos, pode ocorrer vermelhidão intensa e inchaço.

A causa dessa enfermidade é a inalação dos esporos dessas espécies de fungo, que estão normalmente presentes no ambiente, com destaque para locais com matéria orgânica em decomposição no solo, plantas, excrementos de animais e outras. Casos são raros, mas não são inusitados. Estão mais vulneráveis a essa doença fúngica, principalmente, os imunodeprimidos (idosos, diabéticos, pacientes oncológicos, transplantados, casos de Aids não controlada, pessoas em tratamento quimioterápico e/ou com uso de corticoides). O tratamento para a doença depende do avanço da infecção e inclui remoção cirúrgica dos tecidos necróticos e uso de drogas antifúngicas de uso intra-hospitalar. O diagnóstico, após a suspeita clinica, é feito com biópsia do local afetado para microscopia e cultivo.

Notificações no País

No Brasil, neste ano, já foram notificados 29 casos da mucormicose, dos quais pelo menos quatro são investigados pela associação com a covid-19.

 

 

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