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A lesão de pele que causa coceira é contagiosa? Médicos tiram dúvidas sobre surto investigado em cidades do Grande Recife

Infectologista e dermatologista foram entrevistados durante programa na TV JC, nesta quarta-feira (24)

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 24/11/2021 às 20:21
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FREEPIK/IMAGEM ILUSTRATIVA
Os sinais e sintomas mais comuns são lesões na pele e coceira - FOTO: FREEPIK/IMAGEM ILUSTRATIVA
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Enquanto a causa das lesões de pele que causam coceira continuam sem causa conhecida em cidades do Grande Recife, médicos orientam que as pessoas com esses sintomas devem seguir cuidados e evitar contato próximo com outros indivíduos. "Como não sabemos do que se trata exatamente, não dá para dizer que se trata de algo contagioso ou não. Por isso, recomendamos que os pacientes evitem o contato pele a pele, corpo a corpo", esclareceu o infectologista e epidemiologista Demétrius Montenegro, chefe do setor de doenças infectocontagiosas do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc). Na tarde desta quarta-feira (24), ele foi participou, ao lado da dermatologista Cláudia Ferraz, de entrevista na TV JC sobre o surto investigado no Grande Recife.

Assista ao programa sobre as lesões na pele que causam coceira:

O médico explicou que, diferentemente do que é orientado para prevenção da covid-19, as pessoas com essas lesões não precisam ficar isoladas nem fazer o distanciamento social. "Mas, para este surto atual, um detalhe é importante. As pessoas geralmente compartilham cama e, se houver um quadro com essas lesões, orientamos que durmam em camas diferentes, e não na mesma. Podem dormir até no mesmo quarto, mas cada um na sua cama", frisou Demétrius.

Leia também: Surto no Grande Recife: saiba como aliviar a coceira causada por lesões misteriosas na pele; dermatologista tira dúvidas

A Secretaria de Saúde do Recife (Sesau) destaca que, até agora, não houve o registro de agravamento associado às lesões cutâneas e reforça a importância de as pessoas manterem as mãos higienizadas e não tomarem remédio por conta própria. "Estamos fazendo uma avaliação da faixa etária mais comum acometida por essas lesões e quantos moradores de uma mesma casa apresentam a mesma condição. Apenas um? Mais de um? A maioria? Tudo isso nos faz pensar se essa doença é transmitida por contato, de pessoa a pessoa, ou se é uma doença causada por algum agente que causa alergia externa. Então, isso tudo nos faz pensar em inúmeras possibilidades. Hoje não afastamos nem confirmamos hipóteses", salienta Demétrius Montenegro.

Durante a entrevista, a dermatologista Cláudia Ferraz, trouxe orientações para as pessoas acometidas aliviarem as lesões acompanhadas da coceira. "Como não chegamos ainda a diagnóstico, trabalhamos para aliviar os sintomas. Se há prurido (coceira) intenso, orientamos procurar uma unidade de saúde. A tendência é que haja prescrição de anti-histamínicos (antialérgicos), cuja dose depende da extensão das lesões e da intensidade da coceira. Se houver muitas escoriações, às vezes inchadas, que lembram picadas de inseto, podem ser necessários corticoides tópicos e reparadores cutâneas, a fim de evitar irritação da pele", esclareceu a dermatologista Cláudia Ferraz, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia/Regional Pernambuco (SBD-PE) e médica do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Os médicos também falaram sobre diferenças na duração dos sintomas. "Há pacientes que ficam bem rapidamente, mas há outros em que o quadro demora mais de dez dias", disse Demétrius Montenegro. Para ele, pelo fato de os casos terem começado em localidades próximas a áreas de mata, existe a possibilidade de o surto ser causado por um desequilíbrio ambiental, o que levaria algum inseto a causar as lesões na pele com coceira. "Mas amanhã (quinta-feira) um grupo de pessoas acometidas vai ao Huoc para fazer biópsia da pele, que seguirá para avaliação, a fim de se tentar descobrir a causa do surto", complementou.

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