COLUNA JC SAÚDE E BEM-ESTAR

"Quer ir para uma balada? Não recomendo", diz secretário de Saúde de Pernambuco após governo reduzir limite para 3 mil pessoas em eventos abertos

Ainda assim, diz André Longo, "se pessoa quer, está vacinada com as três doses, faz o teste e dá negativo, a gente não pode impedir (ir para a balada)"

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 11/01/2022 às 16:58
HEUDES RÉGIS/SEI
"As medidas que anunciamos hoje têm este duplo fator indutor: um para a vacina, e o outro para a testagem", diz o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo - FOTO: HEUDES RÉGIS/SEI
Leitura:

Nesta terça-feira (11), dia em que detalha as novas regras do plano de convivência com a covid-19 em Pernambuco, o secretário Estadual de Saúde, André Longo, fez declarações que revelam o quão preocupante é a atual aceleração epidêmica da gripe, acompanhada do retorno de casos de infecção pelo coronavírus, como consequência da variante ômicron, que voltou a manter a pandemia em alta em várias partes do País.

O Estado não registrava tantos casos de síndrome respiratória aguda grave (srag) desde a segunda quinzena de junho de 2021, quando os indicadores entraram em queda até um patamar mais baixo e estável. Esse cenário que vemos hoje faz Pernambuco regressar a patamares vistos na primeira onda de covid-19, em maio de 2020, o que inclui a sobrecarga da rede de saúde, com mais de 800 solicitações por leitos de terapia intensiva (UTI) para srag, no período de apenas 7 dias, com 86% das 892 vagas de UTI ocupadas e com mais de 160 pacientes em fila de espera para receber esse tipo de assistência. 

Esse contexto, em que se visualizam o salto da epidemia de influenza H3N2 e o avanço da variante ômicron, denota os altos índices de transmissibilidade de ambos os vírus, que ganham força em momentos de aglomerações. Por isso, pensar na possibilidade de realização de festas e shows agora é pensar em formas que facilitam a disseminação de vírus, o que pode levar a risco enorme de vários passos atrás e aumento de medidas restritivas. 

"Se você quer ir para uma balada, eu não recomendo; nós não recomendamos. Mas, se pessoa quer, está vacinada com as três doses, faz o teste e dá negativo, a gente não pode impedir. Mas a pessoa tem que ir para o ambiente o mais protegida possível neste momento", opinou André Longo durante coletiva de imprensa em que detalhou a redução no público permitido em eventos. Agora, o limite é de até 3 mil pessoas em locais abertos, de 1 mil em espaços fechados ou 50% da capacidade do local, valendo o que for menor. Além da comprovação vacinal com duas doses ou dose única para quem tem até 54 anos e o reforço para quem tem a partir de 55, também haverá a necessidade de apresentar o teste negativo para a covid-19 em eventos com mais de 300 pessoas.

"Uma pessoa com mais de 55 anos ou uma pessoa que tem vulnerabilidade deve procurar ter um comportamento mais protetivo, da sua saúde e da saúde dos outros. Mas se está completamente vacinada, faz o teste (e dá negativo), é possível frequentar alguns ambientes. Então, estas medidas que anunciamos hoje têm este duplo fator indutor: um para a vacina, e o outro para a testagem", acrescentou Longo. 

De acordo com os indicadores, as doenças respiratórias em Pernambuco continuam em aceleração. Apenas na primeira semana epidemiológica de 2022, foram notificados 1.419 casos de síndrome respiratória aguda grave (srag), significando um crescimento de 50% em uma semana e de 138% em 15 dias.

"Neste cenário de forte pressão sobre a rede de saúde, vamos continuar colocando em prática, por determinação do governador Paulo Câmara, nosso plano de contingência, com uma intensa mobilização de leitos para garantir a assistência à população. Em menos de 20 dias, já são 480 novos leitos para casos de srag, sendo 213 de UTI. Continuamos trabalhando diuturnamente para minimizar os impactos desta aceleração das doenças respiratórias e salvar vidas. Nos próximos dias, temos previsão de abrir, pelo menos, outros 500 leitos, sendo 290 de UTI", Longo.

Secretário pede que população reforce o uso da máscara devido a circulação da variante ômicron

Comentários

Últimas notícias