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Viagra e hipertensão pulmonar: conheça a doença usada como motivo para compra de 35 mil comprimidos do medicamento para as Forças Armadas

Questão é que dosagens que tiveram compra aprovada não têm indicação para tratar a hipertensão arterial pulmonar

Cinthya Leite
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Cinthya Leite
Publicado em 12/04/2022 às 16:50 | Atualizado em 12/04/2022 às 16:56
PFIZER/DIVULGAÇÃO
Em casos específicos, hipertensão arterial pulmonar pode ser tratada com sildenafila - FOTO: PFIZER/DIVULGAÇÃO
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As Forças Armadas aprovaram a compra de mais de 35 mil unidades de sildenafila, medicamento conhecido por Viagra (nome fantasia) para tratar a disfunção erétil - ou impotência sexual. Nos processos licitatórios, é prevista a aquisição de sildenafila nas doses de 25 mg e 50 mg.

Ministério da Defesa diz que a justificativa da compra do medicamento é para o tratamento de militares com hipertensão pulmonar arterial, o que é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A questão é que as dosagens que tiveram compra aprovada não têm indicação para tratar a hipertensão arterial pulmonar, que requer, em casos específicos, a dose de 20 mg

Doença grave e sem cura, a hipertensão pulmonar arterial é progressiva e pode ser incapacitante, caso não seja identificada precocemente. "Define-se hipertensão pulmonar (HP) como uma elevação da pressão média de artéria pulmonar a valores superiores a 20 mmHg, em repouso, aferida através de medida hemodinâmica invasiva. A prevalência da doença é de cerca de 10 casos/milhão de habitantes. Eventualmente, a HP pode ser fatal, caso não seja tratada adequadamente”, informa o pneumologista Caio Júlio Cesar Fernandes, em artigo no site da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

A hipertensão pulmonar arterial atinge principalmente mulheres de 20 a 40 anos. De acordo com a SBPT, mais de 100 mil brasileiros convivem com a doença. 

Sintomas da hipertensão pulmonar

Os sintomas de hipertensão pulmonar são inespecíficos e incluem dispneia (respiração desconfortável ou desagradável, principalmente aos esforços), fadiga, astenia (sensação de fraqueza e falta de energia generalizada), desmaios, edema de membros inferiores e distensão abdominal. Sintomas em repouso em geral surgem apenas nos casos mais avançados da doença.

A história familiar de hipertensão pulmonar pode sugerir a presença da doença no contexto de surgimento de dispneia aos esforços, bem como o antecedente de uso de anorexígenos, principalmente os anfetamínicos e derivados. Dados epidemiológicos também podem contribuir com o entendimento da causa da hipertensão pulmonar, como a procedência de pacientes de áreas com alta incidência de esquistossomose.

Diagnóstico e tratamento da hipertensão pulmonar

Inicialmente, pode-se suspeitar de hipertensão pulmonar nos exames de radiografia do tórax, espirometria ou eletrocardiograma. Porém, o ecocardiograma transtorácico é o exame inicial para o rastreamento e detecção da doença. O tratamento pode ser feito com medicamentos. 

As principais causas de descompensação da doença, com necessidade de internação, são a presença de infecções associadas, interrupções do tratamento e a embolia pulmonar.

Com o avanço de estudos e pesquisas científicas na área, atualmente é possível prescrever medicamentos que oferecem maior qualidade de vida às pessoas que vivem com a doença, principalmente quando o diagnóstico é feito precocemente. Caso não seja descoberta e tratada a tempo, a hipertensão pulmonar arterial pode causar insuficiência cardíaca e levar o paciente a óbito.

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