ONCOLOGIA

ONCOLOGIA: Cerca de 53 mil cirurgias de câncer deixaram de ser realizadas pelo SUS na pandemia

Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica aponta precarização na realização de testagens e procedimentos de oncologia no Sistema Único de Saúde (SUS)

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Meliah Batista

Publicado em 29/08/2022 às 11:14 | Atualizado em 29/08/2022 às 12:56
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Pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) entre janeiro de 2020 e junho de 2022 revela diminuição considerável de testagens e cirurgias de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O levantamento da SBCO foi divulgado nesta segunda-feira (29), com o objetivo de avaliar o impacto da pandemia de covid-19 nas cirurgias de câncer e nos exames de rastreamento populacional.

Os principais exames apontados com essa baixa foram biópsias de mama e próstata e rastreamento de câncer de colo do útero (Papanicolau) e colorretal (colonoscopia).

Em comparação com 2019, o último ano sem a pandemia de Covid-19, 53.815 cirurgias oncológicas não foram realizadas no SUS durante os anos de 2020, 2021 e no primeiro semestre de 2022.

CÂNCER NO BRASIL

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica comparou dados divulgados pelo TABNET/DataSUS durante um período de mais de 3 anos.

“O maior complicador é que não houve redução do número de casos de câncer. O que ocorreu foi o represamento destas cirurgias”, revelou o cirurgião oncológico e presidente da SBCO, Héber Salvador.

Ademais, afirmou que parte dos procedimentos realizados chegaram a uma fase mais avançada, com pacientes desenvolvendo tumores maiores e mais agressivos.

A consequência dessa intensificação gera a necessidade de profissionais de saúde mais qualificados para realização de procedimentos mais extensos.

“Precisamos lutar pela maior oferta do ensino de Oncologia em todas as faculdades de Medicina do país e que esta disciplina também figure na grade curricular de outras áreas de saúde”, declarou o representante da SBCO.

“Os médicos e os demais profissionais da saúde precisam aprender a pensar oncologicamente. Com isso, a população será mais bem assistida por eles em todas as etapas, da prevenção à reabilitação pós-tratamento”, refletiu.

Confira abaixo a tabela que aponta a diminuição dos exames de identificação de câncer durante a pandemia da covid-19:




2019 2020 2021 Total represado em 2020/2021
Biópsias de mama 43.045 34.889 41.005 10.186
Biópsias de próstata 40.408 31.888

34.805

14.123
Colonoscopia 347.098 241.329 304.756 148.111
Papanicolau 3.286.173 1.893.794

2.471.989

 2.206.563

O presidente Héber Salvador também ressaltou a importância de enfatizar as campanhas de conscientização do câncer já existentes.

Entre as mais conhecidas estão o Setembro Lilás (câncer animal), Outubro Rosa (câncer de mama), Novembro Azul (câncer de próstata) e Dezembro Laranja (câncer de pele).

“Vamos desenvolver inúmeras ações com o propósito de conscientizar a população a estar atenta aos sinais do corpo, aos exames indicados para sua faixa etária e, aos pacientes oncológicos, que não negligenciem o tratamento”, acrescentou.

Entenda o câncer ósseo osteossarcoma:

Além disso, segundo dados da revista The Lancet, a demanda de cirurgias oncológicas deve aumentar em 52% até 2040.

Esse cenário geraria a necessidade de aproximadamente 200 mil cirurgiões e 87 mil anestesistas a mais para suprir a procura pelos procedimentos cirúrgicos da oncologia.

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