Filipe Toledo desabafa ao vencer o Jeep Surf Ranch Pro

Filipe acaba com a invencibilidade de Gabriel Medina na piscina mesmo com a maior pontuação de todo o evento feito pelo bicampeão mundial na semifinal

Alexandre Gondim
Alexandre Gondim
Publicado em 21/06/2021 às 15:22
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TONY HEFF/WSL
O surfe estreia como modalidade olímpica no Japão e Medina é favorito a ganhar uma medalha - FOTO: TONY HEFF/WSL
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“Finalmente! O Gabriel ganhou os outros dois eventos aqui e eu ficava com aquele gosto amargo. Então é uma ótima sensação vencer agora, especialmente contra o Gabriel, que tem dado um show no circuito e já está garantido no WSL Finals. Hoje é um dia muito especial, é Dia dos Pais (nos EUA), minha família inteira está aqui, meus filhos, a minha esposa e meus amigos, então está sendo um evento muito significativo. Não só pela vitória, mas pelo meu surfe também. Foi incrível passar bastante tempo na Austrália com meus amigos do Tour, mas estar aqui com a família não tem preço”. Disse Filipe Toledo ao vencer a sexta etapa do circuito mundial de surfe da WSL , o Jeep Surf Ranch Pro realizado na piscina de ondas criada pelo 11x campeão mundial Kelly Slater no deserto da California.

KENNY MORRIS/WSL
Filipe Toledo - KENNY MORRIS/WSL
 

Gabriel Medina e Filipe Toledo decidiram o título em todas as três edições desta etapa doWorld Surf League Championship Tour. Mas, dessa vez Filipe conseguiu quebrar a invencibilidade de Medina e é o novo campeão. Com a vitória, o Brasil volta a dominar o topo do ranking mundial, com Medina em primeiro, Italo Ferreira em segundo eFilipe Toledo voltando ao terceiro lugar na classificação geral das seis etapas completadas no domingo emocionante na Califórnia.


A vitória de Filipe na final homem a homem neste novo formato do Surf Ranch, foi garantida na segunda direita que ele surfou. Começou com uma rasgada forte, seguindo com batida, outra rasgada, mais uma, outra muito mais expressiva puxando pra dentro, entra no tubo bem longo, já sai mandando batidas e rasgadas uma atrás da outra, variando cada ataque com manobras progressivas e inovadoras, até pegar outro tubo, sumir lá dentro, na saída voa num alley-oop e aterrisa emendando uma rasgada jogando a rabeta.

PAT NOLAN/WSL
Gabriel Medina - PAT NOLAN/WSL

Os juízes dão nota 9,67 para ele, a segunda maior de todo o campeonato, ficando abaixo só do 9,73 recebido por Yago Dora na primeira esquerda que ele surfou na semifinal. Filipe já tinha começado na frente na decisão, com 7,50 na direita e 7,33 na esquerda. Por ter ficado em primeiro na semifinal, Medina era o segundo a entrar e iniciou com uma nota maior, 8,67, com batidas verticais de backside, tirando as quilhas da onda nas rasgadas, faz um tubo longo e profundo, segue atacando forte, tubo e fecha com aéreo reverse.

Isso que a direita era o ponto fraco dele. Na esquerda, ainda é dele o recorde de nota na história do Surf Ranch, 9,93 na final de 2019, quando foi bicampeão com até hoje imbatíveis 18,86 pontos de 20 possíveis. Só que na decisão do domingo, ele não conseguiu repetir suas atuações e falhou nas duas esquerdas. Na última, precisava de 9,28 para vencer e tinha feito 9,27 na onda que confirmou sua vitória na semifinal. Era a última chance de bater os 17,94 pontos deFilipe Toledo, mas novamente errou no início da onda.

TONY HEFF/WSL
Filipe Toledo - TONY HEFF/WSL

“Estou feliz por mais uma final, mas o Filipe venceu dessa vez”, conformou-se Gabriel Medina.“Esse evento é divertido, porque as ondas sempre são boas. Tem o lado da pressão, que deixa tudo mais interessante, mas eu queria ter mais uma chance na esquerda (risos). O Filipe é o meu favorito aqui, sempre temos batalhas boas e ele surfa muito nessas ondas. Para ser sincero, estou muito cansado e só quero ir para casa. Estou na estrada desde o Natal e ainda não voltei para casa, então sinto que preciso descansar um pouco. Apesar de estar sendo uma longa estrada, tenho viajado junto com a Yasmin (Brunet, sua esposa), então fica mais divertido e temos aproveitado bastante esse tempo juntos”.

O domingo foi emocionante, desde as últimas ondas do Qualifying, que definiram os classificados para a semifinal. Metade dos oito finalistas era do Brasil.Yago Dorae o Adriano de Souza, tinham saído do G-8, mas aproveitaram a última chance para recuperar seus lugares, ambos nas esquerdas.Mineirinhoentrou depois doKelly Slatere trocou sua lycra com a dele para entrar na piscina.

PAT NOLAN/WSL
Adriano De Souza - PAT NOLAN/WSL

“Esse evento é muito importante para mim e tem muitas emoções envolvidas aqui”, disse Adriano de Souza.“Fiquei honrado de o Kelly aceitar o meu tributo, porque ele foi o incentivo para eu ser surfista profissional. Uso ele como referência desde a minha infância. Ele já me deu muito trabalho, mas eu dei o troco também. Agora, no meu último ano no Tour, é muito bom estar competindo com ele e é incrível essa oportunidade de usar a lycra dele. Sei que tem uma galera mais nova que sonha em ser como ele, então hoje consegui viver essa sensação”.

Mineirinho não foi bem na direita, mas surfou a esquerda inteira e a nota 7,13 recebida o levou para o quarto lugar na classificação geral. Adriano completou a onda apontando para as costas, para o nome Slater e o número 11 do onze vezes campeão mundial. Já o atual campeão mundial e vice-líder do ranking,Italo Ferreira, fracassou na tentativa de se classificar e terminou em nono lugar .

JACKSON VAN KERK/WSL
Yago Dora - JACKSON VAN KERK/WSL

Mas,Yago Dora deu um show. Primeiro aumentou a nota da direita de 5,87 para 6,50. Depois, massacrou a esquerda de uma forma impressionante, manobrando forte, entubando e voando nos aéreos para receber a maior nota do evento, 9,50. Com ela, foi direto para o terceiro lugar no Qualifying com 16,00 pontos, só ficando abaixo doGabriel Medina com 17,00 e doFilipe Toledo com 17,80. Tudo foi zerado para os oito finalistas, que na semifinal voltaram a surfar duas direitas e duas esquerdas, em duas entradas na piscina.

O primeiro a competir foi o dono da casa, Kelly Slater, que inexplicavelmente caiu logo no início da direita e da esquerda também. Já Griffin Colapinto foi bem, com 8,73 na direita e 7,50 na esquerda.Adriano de Souza conseguiu 6,87 e 7,07 em sua primeira volta. Kanoa Igarashi começou bem na direita com 8,93, mas a esquerda foi fraca. Já Yago Dora caiu na direita e novamente deu show na esquerda, acertando tudo numa rotina incrível que arrancou a maior nota do Jeep Surf Ranch Pro, 9,73.

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Kelly Slater - PAT NOLAN/WSL

“Estou muito feliz com essa esquerda e tenho mais uma depois pra tentar a nota 10 (risos)”, brincou Yago Dora.“Eu sabia que precisava compensar a queda na direita. Foi um erro estúpido. Fiquei muito fundo no tubo e não dá para fazer isso nessa onda. Uma vez que a espuma te pega, é bem difícil de sair. Mas, tenho outra chance pra tentar corrigir esse erro”.

Depois do catarinense, entraram os dois melhores surfistas da piscina. Medina mostrou todo seu potencial na direita, começando com nota 8,37 a disputa pelas duas vagas na grande final. Mas, falhou na esquerda. O único que superou os 16,23 pontos de Griffin Colapinto foiFilipe Toledo, que totalizou 16,87 pontos, com notas 8,70 na direita e 8,17 na esquerda.

Na volta decisiva,Kelly Slater terminou a direita, porém continuou em último entre os oito finalistas. Griffin Colapinto caiu na direita, mas melhorou a esquerda trocando 7,50 por 7,77, mantendo a outra vaga na final com 16,50 pontos.Adriano de Souza conseguiu um 7,60 na esquerda e aumentou sua pontuação para 14,47, mas ficou de fora da briga do título. Já Kanoa Igarashi assumiu a ponta com 16,93 pontos, com a nota 8,00 que recebeu na esquerda, para somar com o 8,93 da primeira direita que surfou.

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Italo Ferreira - PAT NOLAN/WSL

A pressão ficou para os três brasileiros que foram os melhores do Qualifying.Yago Dora estava com maior nota do evento (9,73) e a direita era fraca, então precisava de uma nota 7,16 para poder superar os 16,87 do Filipe Toledo, que tinha perdido a liderança para o japonês. Só que o catarinense falhou de novo e somou 3,33, ficando em sexto lugar no geral.

Já Gabriel Medina não desperdiçou a última chance e deu um espetáculo em sua segunda volta na semifinal. Ele aumentou a nota da direita de 8,37 para 8,83 e somou 9,27 na esquerda, atingindo 18,10 pontos, a maior somatória do Evento e a segunda maior dos 3 anos da história desta etapa. Só não superou os 18,86 da sua vitória em 2019.

Com Medina assumindo o primeiro lugar na semifinal, Igarashi caiu para segundo e Filipe saiu da zona de classificação. Ele entrou pressionado para sua última volta, mas já garantiu sua vaga na direita, surfando de forma incrível, com uma série interminável de manobras inovadoras e progressivas e se entocando profundo nos tubos. Ele ganhou nota 9,57 e atingiu 17,74 pontos, já tirando o japonês da final. Nem precisou surfar a esquerda, guardando energias para conquistar seu primeiro título no Surf Ranch.

TONY HEFF/WSL
Filipe Toledo - TONY HEFF/WSL

TOP-10 DO RANKING 2021 DA WORLD SURF LEAGUE após 6 etapas:
1.o- Gabriel Medina (BRA)– 46.720 pontos
2.o- Italo Ferreira (BRA)– 33.555
3.o- Filipe Toledo (BRA)– 32.065
4.o- Morgan Cibilic (AUS) – 24.610
5.o- Griffin Colapinto (EUA) – 24.235
6.o- Kanoa Igarashi (JPN) – 23.545
7.o- Jordy Smith (AFR) – 22.770
8.o- Conner Coffin (EUA) – 22.205
9.o- Yago Dora (BRA)– 20.215
10.o- John John Florence (EUA) – 19.925
Outros brasileiros:
13.o- Adriano de Souza (BRA) – 15.735 pontos
13.o- Miguel Pupo (BRA) – 15.735
19.o- Caio Ibelli (BRA) – 13.950
23.o- Jadson André (BRA) – 11.820
24.o- Deivid Silva (BRA) – 11.395
26.o- Peterson Crisanto (BRA) – 10.895
32.o- Alex Ribeiro (BRA) – 6.915

 

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Filipe Toledo - FOTO:PAT NOLAN/WSL
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Filipe Toledo com seu pai Ricardo Toledo, campeão brasileiro de surfe. - FOTO:TONY HEFF/WSL
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Filipe Toledo - FOTO:TONY HEFF/WSL
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Filipe Toledo - FOTO:TONY HEFF/WSL
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Filipe Toledo - FOTO:KENNY MORRIS/WSL
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Kelly Slater - FOTO:PAT NOLAN/WSL
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