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Neil Young lança disco inédito feito há 45 anos

Homegrown, foi para o arquivo, talvez por suas músicas refletirem a recente separação do cantor

José Teles
José Teles
Publicado em 21/05/2020 às 0:39
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Neil Young, abrindo arquivos - FOTO: Divulgação
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 Neil Young, canadense de Toronto, naturalizado americano, é um dos últimos de uma estirpe, uma espécie de Steinbeck, ou Hemingway do rock and roll. Ele criou sua extensa obra sem se enturmar, embora tenha participado de alguns dos mais importantes momentos de sua geração (o festiva de Woodstock, o Farm Aid, o Live Aid, etc), integrou dois grupos seminais, Buffalo Springfield e Crosby, Stills, Nash & Young.

Mas as faixas suas nos discos dessas bandas são claramente ele sendo acompanhado pelos companheiros. Um lobo solitário que se orienta por si mesmo Faz música para satisfazer um impulso natural, não obrigatoriamente pra consumo de terceiros.

Ele mantém uma admirável coerência estética, que remonta a meados dos anos 60, quando cruzou os Estados Unidos num rabecão, até chegar à Califórnia, onde nasceria o Buffalo Springfield. É certo que no início dos anos 80, deu uma guinada à direita, mais como um sintoma vindo da perplexidade de mudanças radicais que se processavam no mundo, e mexiam no modo de vida e de negócios americanos. Mas assimilou o golpe, e retomou logo seu caminho natural.

Neil Young destoa dos tempos atuais, em que predomina música da horda, de raras individualidades. Quando artistas procuram seu público numa enxurrada de lives, Neil Young anuncia o lançamento de mais um álbum, (em 19 de junho. Seria em abril, mas a covid-19 recrudesceu). O álbum sai em versões digital e em vinil. Homegrown, o título; feito, e arquivado, há 45 anos.

Na época, deste álbum, ele compunha e gravava compulsivamente, é onde sua discografia se torna mais encorpada. Tanto que descobriu que o mesmo tape de Homegrown continha outro álbum, Tonight's the Night, de 1973, um dos trabalhos mais viscerais da história do rock. Optou por lançá-lo e guardar Homegrown. Talvez porque o disco refletisse o fim de mais um casamento (com a atriz Carrie Snodgrass). Suas canções são melancólicas, quase todas acústicas, algumas só com Neil Young, violão e gaita. A maioria foi sendo regravada nos projetos seguintes, ou retrabalhadas e lançadas com outro título. Uma dela, White Line, foi refeita, e incluída no álbum Hitchhiker, três anos atrás.

Este disco "perdido" liga Harvest (1972) a Comes a Time (1978), dois álbuns fundamentais em sua carreira. Uma música tão singular, tão particular, sem elos com qualquer músico atual e, a rigor mesmo os de seu tempo, até porque os conceitos e estética mudaram radicalmente na última década. Homegrown é umas destas peças raras que se encontram, por acaso, em lojas de antiguidades. Não era o que procurava, mas é o que você compra. A capa, original, também tirada da gaveta, reflete bem o conceito vintage do disco.

 

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