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Buju Banton lança primeiro disco depois de sair da prisão

Cantor jamaicano voltou por cima, e está estourado nas paradas de reggae digitais

José Teles
José Teles
Publicado em 31/07/2020 às 11:34
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Buju Banton, voltandao - FOTO: Divulgação
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 Nos anos 90, Buju Banton era um dos maiores ídolos da Jamaica. No auge, um dos seus hits mais tocados, Boom Boom Bye, numa época de politicamente incorreto, tem letra extremamente homófoba (fora da Jamaica dá pra entender pouco a letra, cantada no dialeto local). O meio musical da ilha nunca foi fácil, mistura-se política com gangsta, selos e gravadoras disputam ferozmente o mercado. Não por acaso, Bob Marley foi metralhado, e Peter Tosh assassinado.
Buju Banton, diz-se, caiu numa armadilha. Em 2011, enquanto estava bombado nas paradas, e não apenas na Jamaica, recebeu um Grammy, e no dia seguinte se explicava num tribunal americano. Foi acusado de tráfico de cocaína. Armação ou não, o regueiro passou seis anos atrás das grades. Foi liberado em 2018.
Dez anos depois de Before the Dawn, o álbum que lhe deu o Grammy, Buju Banton, que mesmo atrás das grades continuou uma lenda na Jamaica, lança Upside Down, o primeiro disco em dez anos. Na quinta-feira, dia 30 de julho, ele foi o vencedor do mais importante festival competitivo de música da Jamaica, e repassando o prêmio de 3 milhões de dólares jamaicanos para uma entidade beneficente que cuida de menores carentes, e de rua. Ressaltando-se que 3 milhões de dólares jamaicanos equivalem a pouco mais de 20 mil dólares americanos, o que, no entanto, é uma quantia considerável na Jamaica.

VOLTA POR CIMA
Banton está surfando em ondas favoráveis. Seu disco Til Shiloh, de25 anos atrás, ganhou o certificado de Disco de Ouro nos Estados Unidos, enquanto Upside Down é o álbum mais badalado de reggae, e dancincg hall na Jamaica. Ele celebrou sua volta à liberdade show intitulado de The Long Walk to Freedom Concerto, considerado um dos maiores eventos musicais da história do país. Dizem que a prisão não modifica ninguém, mas Buju Banton pode ser uma exceção. Um dos seus primeiros atos ao sair da prisão, foi mandar retirar de todas plataformas digitais a citada e preconceituosa Boom Boom Bye.
É como se fosse uma sequência do clássico filme The Harder they Come, (aqui chamado Balada Sangrenta. de Perry Henzell, 1973). O filme ajudou a disseminar o raggae mundo afora, e tornou Jimmy Cliff um astro internacional. No filme ele é um músico, do interior que vem tentar a carreira em Kingston, e acaba foragido da polícia, enquanto sua música vai subindo as paradas, e se ele torna ídolo popular. Assim como se diz de Buju Banton, o personagem vivido por Jimmy Cliff Ivanhoe “Ivan” Martin foi alvo de uma armação, e é procurado por tráfico.
Ivanhoe Martin acaba mal, a polícia o apanha quando ele vai fugir para Cuba. Buju Banton voltou à sua terra por cima. Memories, uma das faixas de Upside Down, está no topo da parada reggae do iTune. O disco reúne reggae roots, dancehall, ragga e duas faixas híbridas, de música negra americana contemporânea com dance hall. Uma delas, Cherry Pie, com participação de Pharell Wiliam. Não dá muita liga a impetuosidade do barítono de Buju Banton, com a suavidade de Pharell. Prncipalmente se comparada ao restante do álbum. Daria um ótimo single.
Buju Banton recorre ao Rei, Bob Marley, numa versão de Duppy Conqueror, Buried Alive tem a covid-19 como tema (a doença bateu forte na Jamaica). Arrebatado pelo movimento Black Lives Matter ele canta uma música inspirada pelas recentes manifestações conta a violência e o racismo, na faixa The World is Changing. Um disco para animar o persistente isolamento social.

 


 

 

 

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