Elza Soares tem áudio completo de DVD Beba-me ao Vivo nas plataformas
Lançado em 2007, a cantora canta um repertório quase só de sambas

Elza Soares já chegou batendo. Seu primeiro LP, de1960, de tem o título provocativo de A Bossa Negra de Elza Soares, e tem repertório de sambas tradicionais, porém scat um recurso do canto do jazz que ela incluiu intuitivamente na sua interpretação, tornando. O tipo de samba que Elza gravava era chamado de teleco-teco, menos percussivo, mas muito balançado, e de arranjos e orquestrações sofisticadas, num tempo em que as gravadoras trabalhavam com grandes maestros. A provocação no
"Bossa Negra” porque a bossa nova era essencialmente branca e classe média Zona Sul. A geração que descobriu Elza Soares, nesta década sabe dos seus discos mais recentes, também provocadores, porém mais engajados com sonoridade e ritmos contemporâneos Uma oportunidade de saber da Elza dos primórdios da carreira, aterrissa nas plataformas digitais com Beba-me ao Vivo, áudio completo do primeiro DVD da cantora, lançado em 2007 (também em CD, porém com repertório reduzido), com selo da Biscoito Fino
Beba-me ao Vivo traz a Elza Soares sambista de volta, e num momento de transição de estilo, evidenciado pela faixa A Carne (Seu Jorge). O repertório quase inteiro é de grandes sambas, de Se Acaso Você Chegasse (Lupicínio Rodrigues), primeiro sucesso da cantora, em 1959 (mas lançado por Cyro Monteiro, em1938), até o relativamente recente Malandro (Jorge Aragão/Jotabê, de 1976), e Teleco-
Teco (Marino Pinto/Murilo Caldas), e Teleco-Teco nº2 (Nelsinho/Oldemar Magalhães).
Elza Soares em Beba-me o Vivo faz um inventário de sua carreira, volta por um momento ao passado, já distante, para daí em diante entrar a música da ativista, tão cultuada pelos novos fãs. Nesse repertório, músicas que integram o novo universo da cantora destoam do geral como, por exemplo, o Rap da Felicidade (Juninho Rasta/Kátia). Seus três discos seguintes ao Beba-me ao Vivo, a levaram totalmente para outro universo musical. Ela passou a gravar uma leva de compositores de destaque na nova MPB, mais do eletrônico do que do teleco-teco, Rômulo Fróes, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos, Russo Passapusso, abrindo uma exceção para o Gonzaguinha dos anos 70, de Comportamento Geral e Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória (A Legião dos Esquecidos), que Elza Soares incluiu no seu mais recente disco de estúdio, Planeta Fome (2019).