Música/Memória

Maior sucesso de Janis Joplin foi inspirado por uma secretária

Me and Bobby McGee, de Kris Kristofferson foi o hit de Pearl, último disco de estúdio da cantora falecida há 50 anos

José Teles
José Teles
Publicado em 04/10/2020 às 5:58
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Janis - FOTO: Divulgação
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Em Pearl, último álbum de estúdio de Janis Joplin, uma canção indica para a possibilidade de ela seguir outros caminhos, para além do blues. Dois discos recentes, dos Byrds, Sweet Heart of the Rodeo, e Nashville Skyline, abraçam a música country, destoando do rock pesado que predominou no final dos anos 60, do Led Zeppelin, Cream, Mountain. Quando o produtor Paul A.Rothschild anunciou que precisava de canções para o novo trabalho de Janis Joplin, os compositores mandaram uma avalanche de fitas para o estúdio Sunset Sound.
Janis ouviu o material com Rothschild no estúdio. Uma das canções que escolheu, não estava entre as enviadas, Me and Bobby Mcgee, um country de Kris Kristofferson, autor de poucas afinidades com a música da cantora (depois chegariam a ter um relacionamento curto). Ela ouvira a música meses antes, e até a cantara com a banda Kozmic Blues. Me and Bobby Mcgee foi o grande sucesso de Peal, o disco póstumo de Janis Joplin, lançado em janeiro de 1971. A música tem uma história curiosa. Fred Foster é parceiro de Kristorffeson por ter sugerido o tema, e pedido-lhe que fizesse dele uma música. Bobby McQee (e não Mcgee) era o nome da secretária do compositor Boudleaux Bryant (autor, com Felice Bryant, de Love Hurts, Bye Bye Love, entre muitos hits). O sobrenome da secretária era McQee.
Kris Kristofferson compunha para a Columbine, editora de Foster, mas nunca fizera música de encomenda. Passou alguns meses para responder a Fred Foster. Do nada, começaram-lhe a surgir ideias para a letra. Ia para o aeroporto de New Orleans quando lhe surgiram os versos finais. Chegou a Nashville e foi direto para o estúdio da Columbine. Passou a noite gravando a demo de Me and Bobby Mcgeee. O técnico de som fez uma observação: Bobby era uma mulher. Na canção virou um cara, que viajava com a namorada. A inspiração veio de La Strada (1954), de Fellini, com Giuletta Masina (Gelsomina) e Anthony Quinn (Zampano). Gelsomina, abandonada numa estrada por Zampano.
Kris kristofferson escutou pela primeira agravação de sua música por Janis quando voltou da Inglaterra, onde foi participar do festival da Ilha de Wight. John Byrne Cooke, road manager (diretor de palco e turnê) de Janis Joplin, em seu livro On the Road with Janis, estava no estúdio quando Kristofferson escutou Me and Bobby Mcgee pela primeira vez: “Kris agüentou só primeiro verso, antes de sair da sala, do estúdio, e do prédio. Fui com ele até o estacionamento, mas ele estava inconsolável. Sumiu no crepúsculo de Holywood, e não se viu mais ele”

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