Dia do Samba

Dia Nacional do Samba carioca ou do samba brasileiro?

Historiadores apontam que foi no jornal recifense o Carapuceiro, em 1838, a prmeira vez que a palavra samba é citada. Seis anos antes ela aparece numa edição do Diário de Pernambuco

JC
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Publicado em 02/12/2020 às 15:07
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uma sambada - FOTO: Reprodução
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“A admitir-se que o gosto está inteiramente sujeito ao bel prazer de cada um, segue-se necessariamente que em matéria de gosto não há regra fixa, que não há bom nem mau gosto, que não há gostos extravagantes etc. Segue-se que tão perfeita na cantora era Catalini ou a Pasta, quanto Pai Antônio descantando no seu berimbau; que tanto vale uma garatuja da China, eu vinham nos bules e bandejas, como as pinturas de Rafael, Rubens, ou do Corregio. Que tão agradável é um samba de almocreve, quando a Semiramis, a Gaza-Ladra, o Tancredi, de Rossini, como uma cabocla da Alhandra, finalmente que é indiferente comer bobó, vatapá, abrasou (?), aberém (abará?), acassá e caruru, acepipes africanos, que gozar das delícias de uma mesa italiana (...)”
O texto acima foi pinçado do jornal O Carapuceiro, de 3 de fevereiro de 1838. O texto é ao mesmo tempo histórico e interessante, porque nele se diz que foi a primeira vez que a palavra samba aparece na imprensa brasileira. E interessante porque ao comparar gostos refinados com o popular, o Padre Lopes Gama, o Carapuceiro, que, aliás, é nome de rua em Boa Viagem, cita acepipes africanos que são citados sempre como comidas típicas da Bahia.
Assim como as comidas, o samba era do africano, que trouxe suas receitas e suas músicas para o Brasil. Então samba era todo batuque de africano, tocado em qualquer lugar do país onde eles foram cativos. Como hoje é o Dia Internacional do Samba, ressalto aos historiadores do gênero, que esta não foi a primeira vez que “samba” aparece na imprensa. A palavra “samba”, aparece seis anos antes, na edição do Diário de Pernambuco, de 4 de agosto de 1830, num crítica à indisciplina das forças militares no estado de Pernambuco:
“Não existe na fora da Capital, nos diversos pontos onde estão destacadas as companhias deste Corpo (Corporação), um serviço ativo a que sejam elas (as tropas) forçadas. Necessariamente a ociosidade disporá (?), aos mais bem conduzidos a se entreterem nas pescarias de currais, a trepações de coqueiros, em cujos passatempos será recebida com agrado a viola, e o samba, e aos peraltas cada vez os fará mais desenvolvidos na conjugação do verbo surrupio”. Bem que Pernambuco poderia criar aí um Dia do Samba estadual a partir da data dessa edição do DP.
A título de curiosidade, na época existia, nos arredores de Bonito, uma propriedade de nome Engenho do Samba, cujo proprietário chamava-se José Thedósio Buarque.

 

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