Peixe-boi marinho na comunidade

Publicado em 23/08/2020 às 6:00
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Embora o melhor a fazer no Patacho seja não fazer nada, pelo menos um passeio já é tradicional no destino: a visita à Associação Peixe-Boi. Qualquer semelhança com o projeto de Itamaracá, no Litoral Norte de Pernambuco, não é mesmo coincidência. Os animais que nascem no criadouro da sede da iniciativa na ilha são transferidos para Porto de Pedras e soltos no Rio Tatuamunha para se reintegrarem à natureza.

As águas tranquilas da região estão entre as preferidas pela espécie para reproduzir. Como a gestação de um peixe-boi dura 13 meses, as fêmeas precisam de um lugar seguro para parir. No passado, a caça predatória, hoje considerada crime, deixou o animal no limiar da extinção. De tão dóceis e inofensivos, os bichinhos se tornavam presas fáceis.

Agora, eles podem ser observados em "cercadinhos" na área de reabilitação onde são preparados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para voltar ao habitat original.

O roteiro é feito de jangada não motorizada, na companhia de dois remadores e um condutor. Dura de 45 minutos a uma hora. Com sorte, como a que tivemos, dá até para flagrar um ou outro peixe-boi já nadando livremente pelo rio. Às vezes, chegam até a se apoiar no barco. Emoção que nenhum aquário substitui.

Além da preservação do mamífero aquático mais cativante do Brasil, a beleza do projeto está no envolvimento da comunidade local em uma proposta de turismo sustentável. São atualmente 44 associados que deixaram a pesca em área de proteção ambiental para conduzir os visitantes até o encontro com os animais. Trabalhadores como o Sr. Carlos José de Lima hoje falam com orgulho sobre o comportamento dos simpáticos mascotes de 600 quilos e até quatro metros de comprimento que aprenderam a amar e defender.

Em 11 anos de trabalho, a Associação Peixe-Boi fechou pela primeira vez as portas durante a pandemia e só retomou as atividades no início deste mês, com os devidos protocolos de segurança sanitária. A capacidade das embarcações foi reduzida de oito para quatro passageiros e o uso de máscara é obrigatório. O passeio pode ser agendado nas pousadas, por telefone (3298-6247) ou diretamente na sede do projeto. Custa R$ 50, que são integralmente revertidos para a manutenção da iniciativa e remuneração dos colaboradores.

 

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