Gastronomia

Bode do Nô: Conheça a marca que começou num trailer e hoje emprega mais de 200 pessoas

Restaurante foi fundado há 30 anos pelo casal Evangelista Severino de Lima e Maria Gomes de Moura

Flávia de Gusmão
Flávia de Gusmão
Publicado em 11/03/2020 às 18:55
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VICTOR MUZZI/DIVULGAÇÃO
Misturado regional, composto por calabresa, carne de sol, cebola, torresmo, macaxeira frita, queijo coalho frito e pão de alho em fatias. - VICTOR MUZZI/DIVULGAÇÃO
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A história por trás da marca Bode do Nô é realmente incrível, daquelas que dá gosto de contar. E ela começou há quase 30 anos quando o casal Evangelista Severino de Lima, 53, o Nô, e Maria Gomes de Moura, 49, decidiram vender comida num trailer, estacionado no bairro da Estância, ali por trás do residencial Ignês Andreazza.

O interessante é que de cozinha ambos entendiam muito pouco. Maria, a quem coube a lida do fogão, aprendeu fazendo. Os pratos tinham a carne de bode como ingrediente principal. E foi a buchada preparada por Maria e aperfeiçoada ao longo do tempo que se tornou famosa a ponto de virar símbolo de uma rede que hoje conta com cinco unidades – Afogados, Olinda, Pina, Boa Viagem e Cabo – e emprega 210 pessoas.

Os números apresentados pelo Bode do Nô são superlativos em vários aspectos. Suas casas não atendem menos de 100 pessoas. A de Boa Viagem, por exemplo, inaugurada em 2016, tem capacidade para não menos de 467 clientes e, acreditem, consegue lotar.

Este ambiente, especificamente, ganhou projeto de ambientação assinado pelo escritório de Humberto Zirpoli e ficou primoroso, harmonizando com a proposta regional da casa, mas sem recorrer a estereótipos: íntegro, simples e fiel às raízes, como é, e sempre foi, a culinária prometida e praticada pelo Bode do Nô. Raízes que vêm do Agreste pernambucano, ele é nascido em Orobó e ela, em Bom Jardim.

“No Bode do Nô, o cliente nunca vai encontrar um prato fora da curva”, explica com propriedade o professor universitário e consultor gastronômico da casa, Erick Buarque. Mas “fora da curva” não deve ser traduzido por “simplista”. Mesmo se voltando para a solidez de sua proposta tradicional, o Bode do Nô surpreende nos detalhes, da apresentação ou dos acompanhamentos. O bode guisado para petisco, por exemplo, vem acompanhado por um pão de batata-doce, preparado e assado lá mesmo, levemente grelhado, além de farofa e vinagrete. É o que chamamos de conforto total.

É incrível falar em pratos novos num cardápio que conta com incríveis 150 opções, se aí contarmos sobremesa e o capítulo de pizzas (!!!!). “Foi meu maior desafio”, revela Erick Buarque, referindo-se ao tamanho da lista.

Mas eles existem, sim. Lançamento, por exemplo, é a barriga de porco à pururuca. Cortada em cubinhos à vista do cliente, ela é crocante por fora e suculenta por dentro, resultado de uma marinada de 24 horas e mais três de forno. Delícia que leva a gente a pensar imediatamente num copo de chope.

Tem, ainda, a panelinha de bode guisado com purê de batata-doce; o misturado regional, composto por calabresa, carne de sol, cebola, torresmo, macaxeira frita, queijo coalho frito e pão de alho em fatias, e muito mais. E, de vez em quando, o chef Lázaro Soares tira da manga um mimo especial: pratos que não estão no cardápio, como a charque desfiada com feijão à natas, farofa de banana e molho lambão.

Talvez por abarcar um escopo tão largo, apesar da ênfase na carne caprina (que não é unanimidade), seja difícil definir quem é o público-alvo do Bode do Nô – melhor seria falar no plural: alvos. Vai do cliente da área kids ao vovô acompanhado pela família inteira, várias gerações. O happy hour, que acontece diariamente das 16h às 20h, é uma boa oportunidade para conhecer o local pagando menos. Neste horário, os pratos mais pedidos, assim como algumas bebidas, recebem descontos consideráveis. Experimentem pedir (para dividir) a Chapa do Mar, um prato premium montado com lula, polvo, camarão e salmão), os pastéis, cobiçados, e os caldinhos (feijão, peixe, polvo e mariscos).

Uma ótima ocasião, aliás, para aproveitar a área externa, tão ampla quanto a interna, climatizada. Cada vez mais raros hoje em dia, esses ambientes permitem uma interação maior com o entorno, coisa pra gente que passa o dia em ambiente fechado.

A empresa é familiar. A buchada, até hoje, é preparada exclusivamente por Dona Maria Gomes, o Nô segue como capitão do navio, mas os filhos Lucas e Danilo seguem-lhe os passos: o primeiro cuida do administrativo, o segundo formou-se em gastronomia e atualmente faz especialização no Le Cordon Bleu de São Paulo.

SERVIÇO

Bode do Nô – Rua Dr. João Guilherme Pontes Sobrinho, 245, Boa Viagem. Fone: (81) 3455-0912

VICTOR MUZZI/DIVULGAÇÃO
A sobremesa Torta Cactos, feita com sorvete. - VICTOR MUZZI/DIVULGAÇÃO
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Pancetta: Barriga de porco à pururuca: crocante por fora macia por dentro. - DIVULGAÇÃO
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Os caldinhos do Bode do Nô: feijão, peixe, polvo e mariscos. - ÉLIDA FREITAS/DIVULGAÇÃO
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A famosa buchada de bode, até hoje preparada por Dona Maria Gomes. - ÉLIDA FREITAS/DIVULGAÇÃO

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