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Festival de Finos Filmes engata exibição de curtas e debates com grandes nomes

Começando a partir desta terça-feira, o festival realiza debates sobre o país trazendo nomes como Lázaro Ramos, Ana Maria Gonçalves, Pastor Henrique Vieira e Laís Bodanzky

Rostand Tiago
Rostand Tiago
Publicado em 29/06/2020 às 14:17
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Caroline Lima/Divulgação
O curta 'Sem Asas', de Renata Martins, é um dos selecionados pelo festival - FOTO: Caroline Lima/Divulgação
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Os festivais de cinema do Brasil e do mundo vêm passando pela encruzilhada entre o adiamento/cancelamento ou a tentativa de uma empreitada online. Entram na balança as possíveis perdas da ausência de uma versão presencial e as potencialidades de encontrar uma democratização maior no acesso com o vasto público virtual. O Festival de Finos Filmes, com seu modelo que dá um grande peso ao debate do que apenas a circulação de filmes, decidiu que tomaria o caminho online em sua sétima edição, iniciada nesta terça-feira.

A programação segue até o domingo e conta com 13 curtas, já disponibilizados gratuitamente, que servirão para instigar conversas com nomes como Lázaro Ramos, Ana Maria Gonçalves, Helena Ignez, Laís Bodanzky e o Pastor Henrique Vieira. Serão seis debates transmitidos ao vivo, tendo os filmes exibidos como ponto de partida para se discutir questões maiores sobre o Brasil. Memória, resistência, política e liberdade são alguns dos temas encadeados pelas obras.

“Desde de 2014, a gente gosta de pensar mais em um festival de debate do que de cinema. É usar os filmes para trazer questões que ultrapassam o cinema. Nesse sentido, o curta-metragem é muito privilegiado por seu aparato de produção permitir algo mais quente, as conquistas e as frustrações da contemporaneidade. Nossa ideia é ter o curta como um termômetro da sociedade e fazer um recorte para que eles possam discutir o país”, explica o cineasta Felipe Poroger, idealizador do festival.

Durante o processo de curadoria, são definidos os temas a partir do material recebido, sendo avaliadas questões que se repetem nas obras. A partir disso, são pensados grupos temáticos, surgem critérios e filmes vão sendo incluídos ou descartados. Um exercício de desapego, pois há casos de boas produções ficarem de fora , por não dialogarem bem com as propostas de debate. Com a programação definida, surge a busca pelas vozes que reverberão as reflexões propostas pelos filmes. “Cada tema poderia ser discutido por diversas pessoas, essa é uma das coisas mais potentes do Brasil, ter gente boa em todo canto. A gente seleciona essas pessoas, que têm uma presença no cenário nacional, tentando medir essas potencialidades e montando esse quebra-cabeça. São escolhas que, felizmente, falam por si só”, relata Felipe.

A seleção desta edição conta com o pernambucano Guaxuma, de Nara Normande, vindo de uma circulação prestigiada pelo mundo, sendo uma das obras que pautará um diálogo sobre política e tempo, com o Pastor Henrique Vieira. A programação ainda conta com Sem Asas (Renata Martins), A Morte Branca do Feiticeiro Negro (Rodrigo Ribeiro), Carne (Camila Kater), Liberdade é uma Palavra (Stephanie Ricci), Bonde (Asaph Luccas), Imagens de um Sonho (Leandro Olímpio), Conte Isso Àqueles que Dizem que Fomos Derrotados (Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo, Pedro Maia de Brito), Recoding Art (Bruno Moreschi, Gabriel Pereira), Luis Humberto: O Olhar Possível (Mariana Costa, Rafael Lobo), Sangro (Tiago Minamisawa, Bruno Castro e Guto BR), Aos Cuidados Dela (Marcos Yoshi) e Baile (Cintia Domit Bittar).

Os filmes poderão ser acessados pela plataforma de streaming da SP Cine e os debates serão realizados no canal do YouTube do Museu da Imagem e Som (Mis). A ida para o online foi uma intensamente debatida pela organização. Ao ver iniciativas que admiravam, como o festival É Tudo Verdade, colocando as caras no formato virtual, foi decidido que o festival precisava acontecer e continuar como um gesto de sobrevivência das vivências artísticas do país. O festival também faz sua parte solidária em uma parceria com seis instituições, que receberão doações durante os debates.

“A situação já tava difícil antes da pandemia, com a cultura sendo maltratada pelo governo Bolsonaro depois de uma série de sucateamentos. Então já tínhamos na cabeça que não podíamos parar, temos que assumir nossas limitações e realizá-lo dentro das possibilidades”, conta o organizador. Se há suas limitações, o novo formato permitiu romper com algumas barreiras geográficas, tanto para o público, quanto para a presença de convidados, que podem vir de todo o país ou até de fora dele.

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