LITERATURA

Pernambucana integra edição virtual e gratuita da Banca de Quadrinistas do Itaú Cultural

Bennê Oliveira, conhecida pelo perfil @leve.mente.insana é a única representante do Estado nesta quinta edição do evento, composta pelo tema Olhares Femininos

Valentine Herold
Valentine Herold
Publicado em 16/10/2020 às 9:00
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Quadro de uma tirinha da pernambucana Bennê Oliveira, selecionada para a Banca de Quadrinistas do Itaú Cultural - FOTO: DIVULGAÇÃO
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A cena literária brasileira de HQs e tirinhas vive há alguns anos um movimento crescente de artistas que perceberam as redes sociais como grandes aliadas para divulgação de seus trabalhos. Novos ilustradores e autores - principalmente nordestinos, periféricos, LGBTs, negros, indígenas e mulheres - que, se dependessem ainda integralmente das grandes editoras, talvez não chegassem tão rapidamente a novos públicos.

A pernambucana Bennê Oliveira faz parte desse grupo de jovens quadrinistas que encontraram, nas plataformas digitais, um caminho de comunicação direta com seus leitores. Aos 21 anos, ela é a única representante do Estado a integrar a edição 2020 da Banca de Quadrinistas do Itaú Cultural.

O evento, que usualmente acontece de forma presencial, adaptou-se este ano às novas demandas do setor cultural devido à pandemia e está realizando esta que é sua quinta edição de maneira gratuita e virtual. Com o tema Olhares Femininos, a pluralidade temática e estética é um dos grandes trunfos da mostra. Além de Bennê, integram a mostra outras 19 artistas: Alice Pereira (RJ), Ana Paloma Silva (MA), Blenda Furtado (CE), Bruna Bandeira (SP), Carol Ito (SP), Cátia Ana (SP), Diana Salu (DF), Fefê Torquato (SC), Ing Lee (MG), Ju Loyola (SP), Leta (RJ), Leta (RJ), Lila Cruz (BA), Majane Silveira (RS), Marília Marz (SP), Partes (SP), Rebeca Prado (MG), Renata Nolasco (RN), Talessak (SP) e Ty Silva (PA).

 

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Tirinha de Bennê Oliveira presente na edição 2020 da Banca de Quadrinistas, do Itaú Cultural - DIVULGAÇÃO
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Bennê Oliveira - DIVULGAÇÃO
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Quadro de uma tirinha da pernambucana Bennê Oliveira, selecionada para a Banca de Quadrinistas do Itaú Cultural - DIVULGAÇÃO
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Tirinha de Alice Pereira - DIVULGAÇÃO
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TIRINHA Majane Silveira é uma das 20 selecionadas pelo Itaú Cultural - DIVULGAÇÃO

Divida em dois grupos, a exposição fica no ar até a próxima segunda-feira (19) com trabalhos de dez quadrinistas e até o próximo dia 26 com as tirinhas das outras dez. A ilustradora pernambucana, "insuportavelmente recifense", como ela mesmo se denomina, integra esse segundo lote. Conhecida pelo seu perfil @leve.mente.insana no Instagram, Bennê aborda em suas tirinhas temas que passam principalmente por questões políticas e de autoconhecimento. Seu traço e suas reflexões revelam uma maturidade encantadora.

Ela protagoniza muitas das histórias e conta que os diálogos seus familiares e amigos são grande fonte de inspiração. "Eu sempre trabalho pautas que me são muito reais. Acredito que quem ler minhas tirinhas acaba por realmente me conhecer! Porque coloco ali minha forma de falar, meu universo, minha vivência como uma moradora do subúrbio do Recife, as conversas com minha mãe, que é empregada doméstica, com meu irmão, que é um jovem negro também. Penso nelas muito mais como um diário do que como ficção. Claro que há também uma parcela de tirinhas que não dizem respeito diretamente, então nessas eu não me desenho", explica.

"E meu trabalho parte também de questões do meu amadurecimento pessoal, sempre fui muito emotiva e acabo contando das coisas que me sensibilizam, que fizeram crescer."

Estudante do último período de Biologia, Bennê divide hoje seu tempo entre a faculdade, seu trabalho de ilustradora autodidata e projetos que unem essas duas áreas. Ela começou a desenhar muito nova e com 14 anos postava algumas tirinhas no Facebook, mas sem muitas pretensões. Acabou deixando de lado por uns anos e, em 2018, decidiu retomar a prática no Instagram, além de colar nas paredes dos corredores da Universidade de Pernambuco, UPE, onde estuda, algumas tirinhas.

"Foi uma grande felicidade para mim ter sido selecionada na Banca de Quadrinhos, me fez perceber que talvez eu consiga mesmo viver desse sonho. É muito bom quando nosso trabalho é reconhecido. Quando vi a lista das quadrinistas e percebi que conhecia muitas delas, que são pessoas que admiro, fiquei ainda mais feliz."

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