QUADRINHOS

Ilustrador Fernando Athayde lança projeto multimídia de quadrinhos, textos e música

O quadrinista pernambucano reúne agora sua produção bem-humorada e nonsense sob a marca Elefantes na Sala

Valentine Herold
Valentine Herold
Publicado em 19/11/2020 às 17:41
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Tirinha do quadrinista e músico pernambucano Fernando Athayde - FOTO: DIVULGAÇÃO
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"Mais barato que um maço de Hollybomba e mais em conta que uma Raikonen em qualquer lugar". Poderia ser o slogan de uma nova barra de chocolate ou de uma revista underground, mas é como o quadrinista e músico pernambucano Fernando Atahayde está divulgando a campanha de financiamento coletivo de seu novo projeto, intitulado Elefantes na Sala. Bem-humorada, satírica e nonsense, a chamada resume bem o espírito original do traço e das temáticas abordadas pelo ilustrador. O Elefantes na Sala é um site que reúne gratuitamente tirinhas, ensaios e ilustrações que versam sobre o processo criativo de Athayde, música e questões pessoais.

O conteúdo divulgado na plataforma é gratuito e a vaquinha foi lançada pelo artista justamente com o objetivo de fomentá-la continuamente. Para os apoiadores, Athayde oferece uma série de recompensa que vai desde o acesso a um perfil fechado no Instagram com conteúdos exclusivos, sorteios, newsletter, ilustrações digitais e os futuras HQs que ele pretende lançar. Os valores variam de R$ 5 até R$ 35 reais e a campanha foi lançada no Catarse.

O timing do lançamento do projeto não foi por acaso: além de estar concluindo um mestrado em Indústrias Criativas, que o permitiu desenvolver ideias ancoradas na prática do mercado, o quadrinista viu seu modus operandi evoluir durante o período de confinamento decorrente da pandemia do novo Coronavírus. Motivado por uma paquera virtual, ele aprimorou suas técnica de desenho e passou a criar, postar e interagir com o público com muito mais frequência. Novos personagens surgiram e deram início a séries fixas publicadas ao longo dos últimos meses no perfil @athaydeaf, onde reúne uma comunidade de quase 14 mil pessoas.

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O quadrinista e músico pernambucano Fernando Athayde - DIVULGAÇÃO
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Tirinha do quadrinista e músico pernambucano Fernando Athayde - DIVULGAÇÃO
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Autorretrato do quadrinista e músico pernambucano Fernando Athayde - DIVULGAÇÃO

"A primeira foi a Quarentênia, uma série sobre uma Solitária que é forte, independente, versada em filosofia pós-moderna e vive tendo que expulsar outros vermes do intestino onde ela habita. Depois, vieram as tirinhas da minha banda instrumental, o Yeti, assim como muitos personagens saídos do meu circulo social, até que cheguei à mega narrativa chamada A Saga Do Porco Dourado. Nela, eu me coloquei como personagem central que, em busca de um artefato místico na forma de um porco dourado, se mete numa competição que reúne guerreiros de todo o mundo no mangue ali atrás do Bompreço da Zona Sul do Recife. Ela está sendo transformada em livro impresso, com vários extras, que vão desde ilustrações inéditas ate miniaturas em resina esculpidas e pintadas à mão por mim. ", explica Athayde.

Dentre as ações multimídias que integram a promoção do gibi A Saga do Porco Dourado, foi lançada no início do mês a canção A Caminho do Sul, em que Athayde canta e assume as guitarras, baixo e percussão e que conta com a participação de Arhtur Azoubel (bateria), Matheus Mota (piano elétrico) e Roberto Kramer (mixagem e masterização).

Formado em Jornalismo, Fernando sempre foi apaixonado por quadrinhos e um autodidata nas artes plásticas. As três linguagens pelas quais ele transita há anos - escrita, desenho e música - estão sempre em uníssono. É bem claro o projeto artístico integrado que ele vem levando e entregando com coerência para seus leitores. Há também fortes referências regionais apesar dele tratar de temas universais e de mergulhar muitas vezes na ficção científica.

"Só estudei desenho depois que eu já trabalhava profissionalmente como ilustrador, então as minhas influências sempre estiveram orbitando ao redor de um conjunto de coisas que muitos anos depois eu descobri se chamar Antropologia. Nos recreios da escola, eu brincava de observar as outras crianças como se fosse um narrador do Discovery Channel, o que prejudicou muito meu trato social, embora, com o tempo, eu tenha me tornado um belo exemplar de homem latino - especialmente quando fico suado", ressalta Athayde que, em seu Instagram, não poupa as referências ao cearense Falcão, explicadas no artigo A Influência Falconética Na Volta do Meu Regresso, no site.

"Tudo que eu compreendo hoje por narrativa, senso de humor, temática e estilo de desenho vem da fusão entre o trabalho de Akira Toriyama [autor de mangá, criador de Dragon Ball Z] e a culturaaqui do Nordeste, que eu amo profundamente e busco representar nas minhas historinhas. Me considero um cronista, que assimilou a técnica e forma de Toriyama, mas encontrou no corre-corre do dia a dia a substância que a preenche."

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