Música

Ícones da MPB firmam parcerias com nomes das novas gerações e ampliam presença na internet

Artistas consagrados como Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Elza Soares têm utilizado as plataformas de streaming para lançar seus trabalhos

Márcio Bastos
Márcio Bastos
Publicado em 12/01/2021 às 14:15

INSTAGRAM/REPRODUÇÃO
VERSÁTIL Elza Soares recentemente lançou música com MC Rebecca - FOTO: INSTAGRAM/REPRODUÇÃO
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As transformações pelas quais a indústria musical passa nos últimos anos têm acontecido a passos rápidos, como o declínio da venda de discos físicos e a ascensão do streaming. Nesse cenário, os shows tornaram-se cada vez mais essenciais para os artistas, iniciantes ou consagrados. Mas, com a pandemia do novo coronavírus, todos foram afetados pela paralisação dessas atividades e precisaram se reinventar. Em tese, a tarefa poderia parecer mais complicada para os veteranos, mas ícones da música popular brasileira têm mostrado fôlego no ambiente virtual e estão utilizando as plataformas digitais para criar e estabelecer parcerias com as novas gerações.

Entre os nomes da MPB com presença forte no campo virtual, Gal Costa é um dos destaques. Além de postagens regulares em seu Instagram, muitas delas com caráter de acervo, compartilhando imagens raras com seus fãs, a diva baiana também tem seguido o ritmo dos lançamentos nos streaming, com singles divulgados em intervalos curtos de tempo. Além disso, busca manter um diálogo frutífero com cantores de diferentes vertentes, como Marília Mendonça, que esteve presente no álbum A Pele do Futuro (2018).

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Em 2020, em meio à febre de transmissões de lives, a dela, com direção da cineasta Laís Bodanzsky, foi uma das mais aguardadas. Apesar da recepção dividida do show, consistiu numa iniciativa ousada, que tentou fugir do padrão estático dos shows até então. Já no final do ano passado, a cantora começou a divulgação do projeto até agora intitulado Gal 75, que tem direção artística de Marcus Preto. Nele, revisita clássicos de seu repertório, apresentando novas versões com artistas como Criolo, Tim Bernardes, Jorge Drexler, Rodrigo Amarante, Seu Jorge, Silva, Zé Ibarra, Zeca Veloso e o português António Zambujo. A culminância da iniciativa será em fevereiro, com o lançamento de edições físicas, em CD e LP, pela Biscoito Fino.

Este ano, Gal Costa também foi confirmada como uma das atrações do Coala Festival, marcado para acontecer nos dias 11 e 12 de setembro, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Além dela, outro grande nome da sua geração, Maria Bethânia, irá se apresentar. Bethânia, que não realizou live em 2020 e tem se mantido mais discreta durante a pandemia, se aproxima assim de um público mais jovem, movimento que tem guiado os artistas já consolidados.

Caetano Veloso, por exemplo, além de ter realizado duas apresentações transmitidas ao vivo durante o ano passado (a última delas em dezembro), também lançou um disco em parceria com o clarinetista Ivan Sacerdote, além do single Talvez, com o filho Tom Veloso, de 23 anos. Completando o quarteto dos Doces Bárbaros, Gilberto Gil tem mantido uma atividade profícua nas plataformas digitais. No ano passado, participou de várias lives. Além de uma solo, dividiu os vocais com duas expoentes da música contemporânea, Larissa Luz e Iza, e com o trio Gilsons, formado por seu filho José e por seus netos Francisco e João.

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Ainda em família, o mestre baiano de 78 anos viralizou em vídeos cantando junto com a neta, Flor, de 13 anos, filha de Bela Gil. Fizeram tanto sucesso no YouTube e nas redes sociais que eles gravaram um EP, Gil & Flor — De Avô para Neta, disponível nas plataformas de streaming. Em 2020, Gil ainda relançou Copo Vazio, com Chico Buarque (outro grande nome que, assim como Bethânia, não aderiu às lives), e participou da faixa É Tudo pra Ontem, de Emicida.

A busca dos artistas mais jovens por colaborações com seus ídolos mostra a força da troca dessas experiências e resulta em encontros poderosos. Milton Nascimento, que durante a pandemia realizou live com Xênia França e Liniker, lançou parcerias com Criolo e o pernambucano Amaro Freitas; Ney Matogrosso, recentemente, se uniu a Gaby Amarantos e Urias na faixa Vênus em Escorpião, e Elza Soares dividiu os vocais com MC Rebecca em A Coisa Tá Preta. Elza, inclusive, tem sido uma referência quando o assunto é colaborar com a juventude, cantando com artistas como a banda Baiana System, a jovem cantora Agnes Nunes e o rapper Flávio Renegado.

 

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