Cinema

'Monster Hunter' tem muita ação, efeitos especiais e pouca história

Filme estreia dia 25 de fevereiro nos cinemas e conta com ponta da brasileira Nanda Costa, é marcado por clichês

Márcio Bastos
Márcio Bastos
Publicado em 25/02/2021 às 10:00
COCO VAN OPPENS/DIVULGAÇÃO
PROTAGONISTAS Milla Jovovich e Tony Jaa têm boa química como dupla que combate criaturas monstruosas - FOTO: COCO VAN OPPENS/DIVULGAÇÃO
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Monster Hunter, nova parceria da atriz Milla Jovovich com seu marido, o diretor britânico Paul W. S. Anderson, é um filme frenético em todos os sentidos. O longa, que estreia hoje nos cinemas brasileiros, após uma semana de sessões especiais, segue o ritmo do produto que lhe deu origem, um jogo de videogame da Capcom, e encadeia cenas de ação e terror por cerca de 1h40.

Na trama, a capitã do exército estadunidense Natalie Artemis (Jovovich) sai em uma missão de resgate com sua equipe para buscar um destacamento que desapareceu sem deixar vestígios. Repentinamente, eles são engolidos por uma tempestade misteriosa, que os transporta para uma outra dimensão.

Neste novo mundo, eles descobrem haver criaturas monstruosas e mortíferas. A missão de voltar para a Terra torna-se, também, uma jornada por sobrevivência. Esta maratona marcada por cenas de combate e efeitos especiais é o grande mote do filme.

Com o auxílio do Caçador (Tony Jaa), um habitante da dimensão paralela que a ajuda a entender as regras daquele mundo, Natalie precisa chegar até uma torre que pode transportá-la de volta à Terra e tentar solucionar o mistério que ronda esse portal sobrenatural.

Sem qualquer preocupação em se aprofundar no desenvolvimento dos personagens ou na própria natureza do universo que está abordando, Monster Hunter é o tipo de filme que não exige abstrações. Tiros, sangue e perseguições são recursos narrativos e próprio motivo de existir do filme. Não se sabe bem as razões dos acontecimentos — nem parece importar aos roteiristas explicar. O objetivo é, acima de tudo, dar continuidade à ação.

Como os outros trabalhos de Milla Jovovich e Paul W. S. Anderson, o longa é quase uma adaptação fiel da sensação de acompanhar um jogo de videogame como mero espectador. As situações são esquemáticas e funcionam como "fases". Após matar um monstro, segue-se para o outro desafio, e assim por diante.

Violento, o filme descarta seus personagens sem dar ao público chance de conhecê-los, ou que a eles se apegue, com exceção de Natalie e Caçador, cuja química em cena funciona. Os raros momentos em que eles podem desenvolver algum tipo de conexão com o passado ajudam a dar algum fundamento à jornada.

O elenco de apoio tem nomes conhecidos do público, como o rapper T.I, Diego Boneta, Meagan Good e Ron Perlman. Outra surpresa é a presença da brasileira Nanda Costa, que interpreta Lea, uma das habitantes do mundo paralelo. Sua presença em cena é breve, mas deve chamar a atenção do público nacional.

As cenas finais do filme, em que a equipe enfrenta a maior das ameaças, são marcadas por efeitos especiais e têm alguns pontos empolgantes, mas, como um todo, o filme prefere optar por uma megalomania que, às vezes, compromete a fruição dos detalhes.

Como de praxe em Hollywood e nos filmes do casal Jovovich/Anderson, a trama é construída para deixar espaço para continuações, importando-se pouco em dar um fechamento à história. Aos que tiverem paciência, atenção: há uma cena pós-créditos.

 

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