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Quem foi Borba Gato, o bandeirante que teve a estátua incendiada durante manifestação em São Paulo

O ato aconteceu na tarde desse sábado (24)

JC
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Publicado em 26/07/2021 às 12:08
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Estadão Conteúdo
O monumento foi incendiado no sábado (24) - FOTO: Estadão Conteúdo
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Utilizando pneus, manifestantes atearam fogo na base da estátua de Borba Gato, monumento localizado na zona sul de São Paulo. O ato aconteceu na tarde desse sábado (24) e levantou questionamentos sobre quem foi Manuel Borba Gato e porque sua estátua é alvo de protestos? 
Para começar, o paulista Manuel Manuel Borba Gato viveu entre os anos de 1649 e 1718. Ele morreu aos 69 ocupando o cargo de juiz ordinário da vila de Sabará e era um bandeirante. De acordo com a história, os bandeirantes percorriam o interior do Brasil afim de capturar e escravizar indígenas e negros e são responsáveis pelo extermínio de diversas etnias durante confrontos armados. A partir daí, já é possível compreender sobre o que se tratam as manifestações. 
No Twitter, o jornalista e escritor Laurentino Gomes, autor de obras como 1808, 1822 e 1889, que abordam a escravidão no Brasil, explicou detalhes da trajetória de Borba Gato.
"O paulista Manuel de Borba Gato era genro de Fernão Dias Paes Leme e fez fama e fortuna na segunda metade do século XVIII percorrendo os sertões brasileiros à caça de indígenas para escravizar. Era também um fugitivo da lei e contrabandista de ouro. Acusado de matar dom Rodrigo de Castelo, fidalgo português administrador-geral das Minas, em 28 de agosto de 1682, Borba Gato tinha se acobertado com seu bando na região dos Rio das Velhas, em Minas Gerais. Nas vizinhanças do refúgio de Borba Gato estava localizada a Serra de Sabarabuçu, atualmente no município de Sabará, a 23 quilômetros de Belo Horizonte, de onde brotariam as primeiras pepitas de ouro por volta de 1694", contou.
Por conta deste histórico, desde 2020, um movimento nascido nas redes sociais inspira ativistas a lutar pela derrubada do monumento. Além disso, existem projetos de lei que pedem a remoção de estátuas que homenageiam escravocratas. O assunto, porém, ainda é discussão na Câmara dos Vereadores de São Paulo, na Assembleia Legislativa do Estado e na Câmara dos Deputados, em Brasília.
O assunto movimenta as redes sociais. Veja:
 

Monumentos

Localizado na praça Armando Salles de Oliveira, parte do complexo do Parque Ibirapuera, na zona sul da cidade, o Monumento às Bandeiras é uma obra esculpida em granito por Victor Brecheret (1894-1955). A escultura foi inaugurada em 1954 em comemoração aos 400 anos de São Paulo. Nela, se pode ver um bandeirante, montado em um cavalo, à frente de um grupo formado por indígenas, mamelucos e portugueses que puxam uma embarcação.
Já a estátua que representa o bandeirante Manuel de Borba Gato está situada entre as Avenidas Santo Amaro e Adolfo Pinheiro, também na zona sul da capital. A peça de cerca de 13 metros de altura, contando o pedestal, esculpida em argamassa e trilhos, foi criada por Júlio Guerra (1912-2001) e concluída em 1963.
As homenagens aos bandeirantes, contudo, não param apenas nessas esculturas: a sede do governo do Estado é conhecida como Palácio dos Bandeirantes. As principais rodovias de São Paulo também têm nomes que remetem aos sertanistas - como Anhanguera, Fernão Dias e a dos Bandeirantes.

 

 

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