Dança contemporânea

Deborah Colker transmite 'Cura' ao vivo: 'O espetáculo me salvou'

Coreógrafa assina o espetáculo que estreia neste sábado (25), no Globoplay

Márcio Bastos
Márcio Bastos
Publicado em 25/09/2021 às 6:00
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LEO AVERSA/DIVULGAÇÃO
Espetáculo 'Cura', de Deborah Colker, parte de tema pessoal, ligado à família da coreógrafa - FOTO: LEO AVERSA/DIVULGAÇÃO
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A Cia Deborah Colker apresenta seu novo espetáculo, Cura, neste sábado (25), com transmissão ao vivo, às 20h, no GloboPlay. O projeto nasceu de indagações pessoais, a partir de sua experiência com o neto, que tem uma doença genética chamada epidermólise bolhosa, que provoca bolhas na pele. Com um intenso trabalho de corpo, ela tensiona no trabalho questões relacionadas à ciência e fé, em diálogo com dramaturgia assinada pelo rabino Nilton Bonder e trilha original de Carlinhos Brown.

A transmissão do primeiro espetáculo de dança ao vivo na plataforma será realizada diretamente da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, e conta com direção artística de LP Simonetti, direção geral de Angélica Campos e direção de gênero de Boninho.

"O processo criativo de Cura começa no final de 2017 e 18 eu já sabia que eu tinha que fazer essa ponte entre a fé e a ciência. E quando Stephen Hawking morre cai a ficha para mim. Me chama a atenção a vida dele. Esse gênio cientista foi diagnosticado com uma doença incurável, terrível, aos 19, 20 anos. Ele viveria até os 23. Ele vive até os 70. Mais cinquenta anos [do que esperavam], criativos, iluminados, extraordinários e eu percebi: ele encontrou a cura do que não tem cura. A cura tem que existir. Se não é no plano físico, você tem no emocional, no intelectual, no espiritual, mas ela tem que existir e a gente tem que encontrar essas curas", explicou a coreógrafa.

"Então foi um processo criativo muito longo. Comecei a pesquisar povos, culturas, textos, canções, monges budistas, filósofos, professores, e fui adentrando nesses saberes e conhecimentos. E como a dança faz, experimentando no corpo, encontrando este corpo que busca a cura. Claro que eu tinha que trazer a doença, mas olhar em um outro lugar. Eu já estava um pouco cansada dessa falsa normalidade e eu queria encontrar um corpo novo, urgente, que dentro do desequilíbrio da doença tem sua própria existência."

Deborah contou que após chamar Carlinhos Brown para integrar o projeto, no final de 2019, em 2020, com o isolamento social, o coletivo precisou se adaptar. Os ensaios foram feitos por Zoom e, quando foi possível ir para o presencial, tudo feito de máscaras, o que também gerava certas limitações. O ano foi difícil, com perda de patrocínios e os ataques sistemáticos à cultura, causando instabilidade no setor.

"Passamos um ano quebrados porque não tínhamos espetáculo, um público. Fiquei na fronteira de quebrar: duas escolas, uma companhia grande, uma mudança grande de sistema de trabalhar e de País", refletiu. "A possibilidade dessa estreia ao vivo no streaming, a democratização da arte, da dança, da cultura, nesse momento tão difícil em que a arte está ajuda muito... fiquei muito feliz."

Entre as novidades do projeto está que, pela primeira vez nos 27 anos de companhia, os 13 bailarinos também cantam durante a apresentação. Fundador da companhia ao lado de Deborah Colker, João Elias assina a direção-executiva, enquanto Gringo Cardia ficou responsável pela direção de arte e cenografia. Os figurinos são de Claudia Kopke, e Maneco Quinderé é responsável pelo desenho de luz.

Além do streaming, no dia 6 de outubro o espetáculo vai para os palcos, no Rio de Janeiro e, em 20 e 21 de novembro, no Teatro Guararapes, no Recife. "O espetáculo me salvou esse tempo inteiro de 2020. A cura e a doença estão juntas, a força e a fragilidade, a aceitação e a luta. Então, fez parte; foi guerrilha", pontuou.

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