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Após críticas por interpretar negra escravizada, Gyselle Soares diz que é 'de todas as cores'

Esperança Garcia foi considerada a primeira mulher advogada do Piauí. Gyselle Soares tem pele mais clara que a personagem histórica

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Bruno Vinicius

Publicado em 13/10/2021 às 10:48 | Atualizado em 13/10/2021 às 10:49
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Uma peça em homenagem à Esperança Garcia, mulher negra escravizada e primeira advogada do Piauí, gerou um debate sobre o embranquecimento da personagem histórica. Embora tenha pele mais clara e traços diferentes da protagonista, atriz e vice-campeã do Big Brother Brasil 8, Gyselle Soares, foi escalada para o papel, provocando protestos e contestação por parte dos movimentos sociais negros piauienses, segundo o G1 Piauí.

Em entrevista à TV Clube Piauí, a atriz declarou que respeita os protestos, mas que se considera de todas as cores. "Eu me considero todas as cores, sem cor, um ser humano com coração que pode sentir tudo, de todo mundo. Estamos no mundo, somos todos iguais, nossa pele não tem cor, nosso coração não tem cor, não podemos nos definir assim", disse em entrevista à TV.

Segundo informações da reportagem, grupos mobilizaram um protesto em frente ao Theatro 4 de Setembro, localizado no Centro de Teresina, capital do estado, na noite desta terça-feira (12). Lá acontecia a peça "Uma escrava chamada Esperança", ato protagonizado por Gyselle. 

QUEM FOI ESPERANÇA GARCIA?

Esperança Garcia nasceu em 1751 na Fazenda Algodões. Ficou conhecida por uma carta que denuncia suas condições ao governador da capitania do Piauí. O documento histórico é uma das primeiras cartas do direito brasileiro, antes mesmo da garantia dos direitos da população negra brasileira ser promulgada institucionalmente.

 

Instituto Esperança Garcia
Mulher negra, Esperança Garcia foi a primeira advogada do Piauí. Carta ao governador é histórica - Instituto Esperança Garcia

"Eu sou uma escrava de Vossa Senhoria da administração do Capitão Antônio Vieira do Couto, casada. Desde que o capitão lá foi administrar que me tirou da fazenda algodões, onde vivia com o meu marido, para ser cozinheira da sua casa, ainda nela passo muito mal.", diz o primeiro trecho do documento histórico.

 

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