CINEMA

Filme "Frei Damião - O Santo do Nordeste" revela detalhes sobre vida e atuação do religioso

Documentário de Deby Brennand estreia em cinemas de Pernambuco nesta quinta-feira (4)

Emannuel Bento
Emannuel Bento
Publicado em 03/11/2021 às 19:22
MACHADO BITENCOURT/DIVULGAÇÃO
Frei Damião, uma das figuras católicas mais importantes no Nordeste e no Brasil - FOTO: MACHADO BITENCOURT/DIVULGAÇÃO
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Existem personagens históricos que carregam consigo significados, valores e necessidades de um povo. É o caso de Frei Damião e o Nordeste brasileiro, relação que deixou um legado hoje visto nas estátuas espalhadas pelos interiores, nas histórias repassadas oralmente por gerações e, principalmente, na fé dos seus devotos. O documentário "Frei Damião, o Santo do Nordeste", de Deby Brennand, tenta sintetizar a grandeza do frade, que está em processo de beatificação, e revelar um pouco do homem por trás do ícone.

Com distribuição da Elo Company, o filme estreia em Pernambuco nesta quinta-feira (4), um dia antes do aniversário de Damião, com sessões no Centerplex Caruaru, no Agreste, e Afogados da Ingazeira, no Sertão, no histórico Cine São José. A estreia no Recife está prevista para a próxima quinta-feira (11), assim como Petrolina, João Pessoa (PB), Campina Grande (PB), Fortaleza (CE), Juazeiro do Norte (CE), Salvador (BA), entre outras cidades do todo o país, mas priorizando municípios nordestinos.

Em agosto de 2019, o filme teve estreia nacional com sessão de honra no 29º Cine PE, no Recife. Esse é o segundo longa de Deby Brennand, que já lançou "Danado de Bom" (2017), documentário sobre o compositor pernambucano João Silva, parceiro de Luiz Gonzaga, levando quatro prêmios do Cine PE em 2016. Talvez esse êxito tenha estimulado o produtor Pablo Lopes, da Fábrica Estúdios, a convidar a cineasta para dirigir esse novo documentário. O roteiro é de Nadezhda Bezerra.

"Frei Damião, o Santo do Nordeste" foi divulgado como um documentário menos convencional por mesclar uma linha documental (entrevistas e imagens de arquivo) com uma outra ficcional (que reconstrói acontecimentos com auxílio dos atores), mas o resultado é um documentário tradicional. Na primeira linha, o trunfo é o acervo raro do Frei Fernando, que faleceu em 2013 e deixou várias filmagens de Damião. Gravações de Otacílio Cartaxo e Machado Bittencourt feitas nas décadas de 50 e 60, para um projeto nunca lançado, também enriquecem as imagens de apoio.

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Frei Damião, uma das figuras católicas mais importantes no Nordeste e no Brasil - MACHADO BITENCOURT/DIVULGAÇÃO
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Frei Damião, uma das figuras católicas mais importantes no Nordeste e no Brasil - MACHADO BITENCOURT/DIVULGAÇÃO
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Frei Damião, uma das figuras católicas mais importantes no Nordeste e no Brasil - MACHADO BITENCOURT/DIVULGAÇÃO
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Devotos de Frei Damião, uma das figuras católicas mais importantes no Nordeste e no Brasil - MACHADO BITENCOURT/DIVULGAÇÃO
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Devotos de Frei Damião, uma das figuras católicas mais importantes no Nordeste e no Brasil - MACHADO BITENCOURT/DIVULGAÇÃO
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Devotos de Frei Damião, uma das figuras católicas mais importantes no Nordeste e no Brasil - MACHADO BITENCOURT/DIVULGAÇÃO

A produção vai desde o nascimento, infância e adolescência do italiano Pio Gianotti (nome de batismo), que já pequeno tinha uma "relação íntima com Deus". A equipe do longa viajou até a Itália, onde entrevistou descendentes italianos, amigos, párocos, franciscanos e intelectuais que conviveram com o católico ou estudaram sobre ele. Entre as curiosidades está a sua passagem pela Primeira Guerra Mundial, experiência que lhe deixou traumas para toda a vida - existem relatos de que ele falava dormindo, como se estivesse em combate, e acordava assustado.

Ele chega no Brasil pelo Porto do Recife, começa a estudar português e logo vai conquistando a confiança e admiração dos membros das igrejas por ser muito prestativo e praticamente incansável. Faz a sua primeira missão em Garanhuns e a partir daí nunca parou. Com um forte sotaque italiano e um tom de voz baixo (diante das multidões que o cercava), as pessoas muitas vezes sequer conseguiam entendê-lo. Era a presença que causava comoção.

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Padre Rinaldo, em entrevista para o filme "Frei Damião - O Santo do Nordeste" - STILL
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Frei Jociel, em entrevista para "Frei Damião - O Santo do Nordeste" - STILL
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Fagner, em entrevista para o filme "Frei Damião - O Santo do Nordeste" - STILL
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Padre Antônio Maria, em entrevista para "Frei Damião - O Santo do Nordeste" - STILL
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Padre Evilásio, em entrevista para "Frei Damião - O Santo do Nordeste" - STILL

Com entrevistas de líderes religiosos, devotos e estudiosos de diferentes cidades do Nordeste, o documentário talvez tenha como principal mensagem destacar o motivo da fama do Frei: ele era um religioso que escutava, abraçava e gostava do povo, sobretudo dos mais humildes. Em terras castigadas pela seca, pobreza e ausência do Estado, Damião era um ombro amigo para lamentações e um símbolo de esperança, sentimento traduzido pela fé.

Também é interessante a narrativa que acompanha como foi se criando uma mística em torno dele. Existe a crença de que chovia em toda cidade que ele visitava. Alguns acreditam ter o visto andando sem tocar no chão. Outros dizem que ele não dormia. As consequências de uma vida tão árdua logo chegaram na velhice, quando o filme consegue captar o momento mais frágil do frade: o "santo" também padecia como os demais.

"Frei Damião, o Santo do Nordeste" cumpre o seu objetivo. Apesar de problemas no ritmo, é preciso levar em conta que a vida de um frade geralmente não tem lá tantas instabilidades. Quem é religioso sairá sabendo mais sobre um personagem importante, enquanto os não católicos podem conhecer mais sobre a identidade da terra e do povo.

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