JORNALISMO

Projeto de crítica cultural 'Outros Críticos' chega ao fim após 13 anos

Marca nasceu como blog de jornalismo cultural e logo passou a atuar como uma espécie de selo editorial independente, lançando revistas, livros e outras publicações através do suporte de editais

Emannuel Bento
Emannuel Bento
Publicado em 03/12/2021 às 18:20
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Fernanda Maia e Carlos Gomes criaram o projeto de crítica cultural Outros Críticos - FOTO: DIVULGAÇÃO
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O projeto de crítica cultural Outros Críticos, idealizado em 2008 pelo editor Carlos Gomes e a designer Fernanda Maia, chegou ao fim nesta semana, após o lançamento da segunda edição do livro "Ninguém é perfeito e a vida é assim: A Música Brega em Pernambuco", de Thiago Soares. A marca nasceu como um blog de jornalismo cultural "ensaístico e experimental" e logo passou a atuar como uma espécie de selo editorial independente, lançando revistas, livros e outras publicações através do suporte de editais.

O site do projeto (outroscriticos.com) continuará aberto para consulta, com grande parte do seu acervo disponível gratuitamente, além de comercializar as publicações remanescentes em sua loja virtual. O visitante poderá acessar, por exemplo, as edições de revistas de 2012 a 2020.

Além do atual lançamento de "Ninguém é Perfeito e a Vida é Assim", a loja conta com títulos como "Canções Iluminadas de Sol: entre tropicalismo e manguebeats", de Carlos Gomes, e "O Outro é uma Queda" que comemorou os 10 anos do projeto com textos de Jomard Muniz de Britto, Fabiana Moraes, Angela Prysthon, Alessandra Leão, GG Albuquerque, entre outros.

Trajetória

O blog começou com uma sessão de entrevistas com músicos, poetas e artistas. Os nomes dos criadores só ficaram conhecidos quatro anos depois, quando o Outros Críticos passou a realizar debates com apresentações musicais nas ruas. Em 2014, o projeto começou a realizar publicações impressas e livro e se tornou uma alternativa para artistas, jornalistas e críticos publicarem seus trabalhos com experimentações da linguagem jornalística - fosse em texto, pautas e até no próprio objeto livro, se distanciando do jornalismo cultural mais diário.

"Começamos em 2008, ao mesmo tempo da graduação em Letras, na Universidade Federal de Pernambuco. Hoje, estamos no doutorado, lá na UFPE, também em Letras", diz Carlos Gomes, que irá investir na carreira musical.

"Estou produzindo meu segundo disco, que vai se chamar "Teu Nome Vem de Longe", com direção musical de Romulo Fróes. Em fevereiro faremos uma pré-estreia no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, com os músicos Hugo Linns, Thalita Medeiros e Nathalia Queiroz tocando comigo, todo o repertório autoral, que estará no disco", continua o editor.

"Trazíamos artistas que não eram associados ao mainstream, mas sim pelo interesse que existia nele, no que ele produzia e como essa produção poderia estabelecer uma colaboração, um contato. Acho que a colaboração é um outro ponto interessante, pois era uma articulação associada a unir pensamentos distintos em ato colaborativo na internet", diz Fernanda Maia.

Novo projeto de Fernanda Maia

A designer, por sua vez, iniciou um trabalho chamado CASA10AB (@casa10ab, no Instagram), que está em fase inicial e tem duas vertentes: a primeira é voltada para editoração de publicações, como a realização de revisão de texto, copidesque e projeto gráfico. A segunda é focada na produção de cursos e compartilhamento de conhecimento.

"Esse projeto nasce de uma percepção de que na academia se produz muito e se conhece pouco do que se produz. Não há uma ligação, um fluxo, entre a academia e o ambiente externo", diz Maia. "O meu pensamento é convidar pessoas que fazem boas pesquisas e que eu vejo que dariam bons cursos, ótimos debates, boas publicações a partir de incentivos para que isso se democratize, embora o foco não seja apenas a academia. E também para que a gente valorize o que as pessoas que estão produzindo".

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