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Confira a repercussão entre cientistas sobre o filme 'Não Olhe para Cima'

Com a proposta crítica, o longa-metragem atraiu a atenção de cientistas brasileiros,

Bruno Vinicius
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Bruno Vinicius
Publicado em 27/12/2021 às 15:10 | Atualizado em 27/12/2021 às 15:21
Divulgação/Netflix
Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence em 'Não Olhe para Cima' - FOTO: Divulgação/Netflix
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Desde a sua estreia na sexta-feira (24), o filme "Não Olhe para Cima", da Netflix, tem repercutido mundialmente por satirizar acontecimentos contemporâneos. O elenco estelar, composto por  Ariana Grande, Cate Blanchett, Chris Evans, Gina Gershon, Jennifer Lawrence, Jonah Hill, Leonardo DiCaprio, Mark Rylance, Matthew Perry, Melanie Lynskey, Meryl Streep, Ron Perlman, Timothée Chalamet e Timothée Chalamet, ajuda a dar uma dimensão ao longa-metragem de Adam McKay.

Apesar de ter estreado há três dias, o filme tem permanecido nos principais assuntos comentados nas redes sociais. "Não Olhe para Cima" parte da história de dois astrônomos descobrem que em poucos meses um meteorito destruirá o planeta Terra.

Com a proposta crítica, o longa-metragem atraiu a atenção de cientistas brasileiros, principalmente as mulheres que atuam com a divulgação científica nas redes. Assim como a crítica observa, as cientistas pontuam o contexto político atual como principal fonte da narrativa do longa-metragem.

A astrônoma Ana Carolina Posses fez uma comparação com a situação política brasileira. "Assistam "Não olhe para cima!". Não existe ameaça biológica, ou até mesmo astronômica tão perigosa quanto a capacidade humana de não ter empatia. A agonia que você sente no filme é a mesma que nós cientistas sentimos durante 2020/2021 com esse governo bolsonarista", aponta a cientista.

A doutora em Sociologia Sabrina Fernandes, do Tese Onze, suscitou um debate em torno do filme e a situação de calamidade na Bahia. "Dois tipos de negacionismo são abordados: o negacionismo mais famoso, aquele que nega e ataca cientistas; e o negacionismo menos discutido mas o mais comum de todos, o que reconhece a ameaça, mas apresenta falsa soluções. Esse segundo opera também na esquerda, ok?", conta a cientista.

"O importante pra mim é a questão do segundo tipo de negacionismo, porque é um que tem até mesmo parte da comunidade científica do lado, desesperada por qualquer ação", afirma a socióloga na thread. "O que me leva à Bahia. O estado da Bahia está sofrendo os impactos de fortes de chuvas. Chuva forte, alagamento, enxurrada, tudo isso é comum. Mas é notável como as coisas estão piorando - no Brasil isso toma certos contornos, em outros lugares do mundo, outros", complementando.

"Algumas pessoas comentaram que fez mal pra visão dos cientistas a mina ter surtado. Mas gente essa é a realidade de doutorandos, quase todo mundo é surtado. Seria fake se ela tivesse "mo paz"... Gente, existe de fato uma correlação de necessidade de ajuda psicológica com o meio acadêmico. Isso é real. E eu acho que também foi intenção deles trazer isso a tona. É uma realidade e inclusive a gente precisa falar mais sobre isso", também comentou a astrofísica Stephane Werner.

Avaliação da crítica

As avaliações nas plataformas têm atingido notas mistas - entre boas e ruins -, o que traz um resultado inesperado para o desempenho do filme. No Rotten Tomatoes, principal agregador de críticas cinematográficas, "Não Olhe para Cima" tem avaliação total de 55%, baseada em 206 resenhas de veículos especializados no mundo todo. Já no Metacritic, o filme tem nota mais baixa, atingindo 50 pontos - numa medida que vai até 100 -, com base em 46 críticas de cinema.

"O toque de McKay aqui é consideravelmente mais embotado e menos produtivo do que tem sido em anos anteriores. Em seus dois filmes anteriores - "The Big Short" e "Vice" - ele combinou os modos cômico e dramático com um efeito fascinante", diz a crítica do The New York Times, em tradução livre.

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