TEATRO

Grupo teatral Totem compartilha pesquisa sobre descolonização em vídeo performance

Live sobre pesquisa, vídeo performance e bate papo com convidados ocorrem no canal do YouTube do coletivo

Emannuel Bento
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Emannuel Bento
Publicado em 14/01/2022 às 15:27 | Atualizado em 14/01/2022 às 17:18
ZÉ DINIZ/DIUVLGAÇÃO
Bastidores de filmagem de Aêotá, do Grupo Totem - FOTO: ZÉ DINIZ/DIUVLGAÇÃO
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Na busca de novos caminhos para refletir sobre o mundo através das artes cênicas, o coletivo teatral pernambucano Grupo Totem apresenta parte de uma pesquisa que, pela proposta de descolonização dos saberes, acaba abordando vários aspectos da nossa atualidade - na cultura, na política, meio ambiente e demais âmbitos.

O projeto 3º Movimento de "Metamorfismo de (R)existência" conta com incentivo do Funcultura e chega ao público neste sábado (15) com a vídeo performance "Aêotá", às 17h, e o bate-papo "Descolonização, Arte e Resistência", a partir das 17h30, que contará com participação do elenco e de dois convidados - a artista e pesquisadora de dança Alice Moreira e o professor e ator Jailson de Oliveira, coordenador do POESIS, do Alto José do Pinho.

Todas as atividades ocorrem no canal do YouTube do Totem. Na sexta-feira (14), ainda haverá uma live de compartilhamento da pesquisa com integrantes do grupo.

Descolonização através da experiência cênica

A atual pesquisa dará origem ao espetáculo "Metamorfismo de (R)existência", que será guiado a partir de uma ideia de descolonização através de uma experiência cênica potente. "Pensar sobre descolonização e decolonização implica em considerar a pluralidade dos saberes", resume Taína Veríssimo, uma das atrizes, performer e produtora do Totem, que está em cena ao lado de mais quatro artistas - Inaê Veríssimo, Íris Campos, Juliana Nardin e Lau Veríssimo.

ZÉ DINIZ/DIUVLGAÇÃO
Bastidores de filmagem de Aêotá, do Grupo Totem - ZÉ DINIZ/DIUVLGAÇÃO
ZÉ DINIZ/DIUVLGAÇÃO
Bastidores de filmagem de Aêotá, do Grupo Totem - ZÉ DINIZ/DIUVLGAÇÃO

"Assim, para este novo trabalho, estamos interessados em cultivar novas relações, com o mundo, com a natureza e com o outro, onde o sentir-pensar prevaleça, para que saíamos de um lugar de cada vez mais distanciamento em relação ao todo. É importante discutir as noções de sul e norte, de como os saberes hegemônicos foram sendo impostos e as culturas tradicionais apagadas. O resultado desandou em tudo: no meio-ambiente, na política. É preciso que outras vozes e possibilidades de mundo se façam presentes."

Taína Veríssimo ainda destaca que essa investigação começou em dezembro de 2019, com o espetáculo "Ita", apresentando em Olinda, que buscou uma memória corporal mais animal, ancestral. Já com a pandemia, em formato de vídeo performances produzidos por Zé Diniz, o grupo também lançou os trabalhos do projeto "Caosmopolita", que exploravam tensões da nossa civilização.

DÉBORA OLIVEIRA/DIVULGAÇÃO
Laboratório de criação do Grupo Totem - DÉBORA OLIVEIRA/DIVULGAÇÃO
DÉBORA OLIVEIRA/DIVULGAÇÃO
Laboratório de criação do Grupo Totem - DÉBORA OLIVEIRA/DIVULGAÇÃO
DÉBORA OLIVEIRA/DIVULGAÇÃO
Laboratório de criação do Grupo Totem - DÉBORA OLIVEIRA/DIVULGAÇÃO

"Ainda que desde o primeiro momento, os temas das etapas venham sendo mesclados durante os processos de pesquisa e criação, neste terceiro capítulo, que tem como tema mobilizador o conceito de 'descolonização', a videoperformance 'Aêotá' traz uma distinção de cada 'tempo' desse", aponta Taína.

A trilha sonora da vídeo performance é original, assinada por Cauê Nascimento (guitarra), Fred Nascimento (percussão) e Zé Diniz (didgeridoo), que também assume a cinefotografia, montagem, finalização de imagem e som. "Tocamos no ato da gravação, mais com a intenção de criar um clima musical, para que a performance se desenvolvesse, e ficou legal. Cauê trouxe um tema e fomos criando em cima. E depois fomos tocando a partir da gravação, do que fomos vendo", detalha Fred Nascimento.

Três décadas de investigações

Há dois anos, o Totem também lançou o livro "Grupo Totem - A infecção pela performance e a encenação performática", que saiu pelo Sesc Pernambuco. A obra foi resultado da dissertação de mestrado de Fred Nascimento, que é diretor do Totem

Há 30 anos, Fred ajudou a fundar o Totem ao lado de Lau Veríssimo. O projeto até hoje mescla linguagens e mídias para seus questionamentos. "Seguimos com nosso projeto artístico, num movimento de micropolítica, contra a necropolítica e o biopoder que aí estão, aprendendo a resistir e a nos mantermos vivos. Mesmo mediados por uma rede virtual, seguimos nos retroalimentando, pois estar em grupo é estar um pouco em nossa aldeia, evocando devires ancestrais e descobrindo como descolonizar o pensamento e a ação”, avalia ele.

SERVIÇO

Metamorfismo de (R)existência - 3° Movimento

Sexta-feira (14), às 20h

20h Live de compartilhamento da pesquisa com integrantes do grupo Totem

Sábado (15), a partir das 17h

17h Lançamento da videoperformance "Aêotá"

17h30 às 19h: Mesa de conversa "Descolonização, Arte e Resistência" com a participação de Ailce Moreira e Jailson de Oliveira e mediação coletiva com os integrantes do grupo

Onde: youtube.com/GrupoTotemRecife

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