TEATRO

Geninha da Rosa Borges completa 100 anos

Atriz dedicou a vida à atuação, tendo interpretado 80 mulheres nos palcos de Pernambuco

Romero Rafael
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Romero Rafael
Publicado em 21/06/2022 às 0:00
DAYVISON NUNES/ACERVO JC IMAGEM
VIVA, GENINHA Atriz, vista em foto de 2015, é o nome máximo vivo do teatro pernambucano - FOTO: DAYVISON NUNES/ACERVO JC IMAGEM
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Longeva nos palcos e na vida. Maria Eugênia Franco de Sá da Rosa Borges, que se fez a dama do teatro pernambucano Geninha da Rosa Borges, completa nesta terça-feira (21) 100 anos de uma vida dedicada à atuação.

A atriz estreou nos palcos em 1941, com 19 anos, na peça "Primeirose", de Robert de Flers e Gaston de Caillavet, em montagem do recém-criado Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), por convite de Valdemar de Oliveira. O teatrólogo a viu em cena no Colégio de São José, na Boa Vista, onde desde pequena representava e declamava poemas. Já na estreia Geninha da Rosa Borges foi abraçada pela crítica teatral da época.

Desde então e até a sua saída da cena, deu vida a 80 mulheres — a que mais a marcou, Yerma, personagem-título da peça de Federico García Loca, montada pelo TAP sob direção de Valdemar e depois dela mesma, atendendo a pedido dele feito no leito de morte. "Me dediquei, e deu tudo certo", comentou em entrevista ao Jornal do Commercio quando completou 90 anos.

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PAPEL MARCANTE Atriz como intérprete de Yerma, uma mulher que não podia ter filho - ACERVO

Se Yerma marcou Geninha da Rosa Borges, o público mais recente gravou a atriz por uma das suas falas na peça Um Sábado em 30: "Ô, minha filha, você ainda é moça?".

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PAPEL ICÔNICO Contracenando com Ivana Delgado no espetáculo Um sábado em 30 - ARQUIVO JC

Do Teatro de Santa Isabel foi diretora por 18 anos. A vida da atriz se mistura à trajetória daquele lugar, a que ela dedicou o livro: "Teatro de Santa Isabel: Nascedouro & Permanência", lançado em 2000. "É um dos mais importantes da minha vida. É meu porto seguro. O Santa Isabel e o Teatro de Amadores de Pernambuco são meus portos seguros", disse na entrevista feita há dez anos.

Em montagens do TAP foi dirigida por grandes nomes, como o polonês Ziembinski e Bibi Ferreira. Entre as suas atuações destacam-se, ainda, em A Promessa, de Luiz Marinho, de 1983, e As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant, de Rainer Fassbinder, 1987.

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NO CURRÍCULO Geninha em cena com Rogério Costa, na montagem de Dr. Knocha - ARQUIVO JC

Embora tenha se feito dama do teatro, Geninha da Rosa Borges também começou pelo cinema — participou do primeiro filme falado realizado em Pernambuco: "O Coelho Sai" (1942), de Newton Paiva e Firmo Neto. Em 1983, voltou ao set, pela diretora Tizuka Yamazaki, para uma participação no longa-metragem Parahyba Mulher Macho. Em 1997, atuou em "Baile Perfumado" (1997), de Paulo Caldas e Lírio Teixeira. Fora os curtas-metragens, como O Pedido (1999), de Adelina Pontual.

À TV chegou em 2004, para participar da novela "Da Cor do Pecado" (TV Globo), de João Emmanuel Carneiro.

Formada em letras anglo-germânicas e pedagogia pela Faculdade de Filosofia do Recife, Geninha da Rosa Borges também atuou com o ensino de teatro. Em 1964, foi designada pelo Ministério da Educação e Cultura (o antigo MEC) para coordenar a equipe do Sistema Nacional de TV e Rádio Educação e dar início a um programa pioneiro em Pernambuco de aulas teatralizadas para o rádio.

Entre 1966 e 1967, passou seis meses nos Estados Unidos e dois meses no Japão, realizando cursos de pós-graduação em teleducação.

Na entrevista concedida há uma década, ela disse que o ator estuda técnicas por puro aperfeiçoamento — mas que teatro é dom. Geninha da Rosa Borges é, portanto, privilegiada no dom — de interpretar e viver.

Homenagem

Os amigos de Geninha da Rosa Borges incentivam, nesta terça-feira (21), a postagem em redes sociais de um selo comemorativo aos 100 anos da atriz:

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Selo comemorativo aos 100 anos de Geninha da Rosa Borges - DIVULGAÇÃO

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