JÔ SOARES

JÔ SOARES: assista ao vivo à reprise de Jô Soares Onze e Meia no SBT

Em homenagem ao apresentador e humorista Jô Soares, que morreu aos 84 anos, o SBT vai exibir a última edição do Jô Soares Onze e Meia

Amanda Azevedo
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Amanda Azevedo
Publicado em 05/08/2022 às 22:26 | Atualizado em 05/08/2022 às 22:28
REPRODUÇÃO/SBT
Jô Soares Onze e Meia ficou no ar de 1988 a 1999 - FOTO: REPRODUÇÃO/SBT
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Com Estadão Conteúdo

Em homenagem ao apresentador e humorista Jô Soares, que morreu aos 84 anos, o SBT vai exibir, na madrugada deste sábado (6), a última edição do talk show Jô Soares Onze e Meia, que foi ao ar em 30 de dezembro de 1999.

O programa será reprisado à 1h, no horário do The Noite, de Danilo Gentili.

Veja a reprise de Jô Soares Onze e Meia no SBT

"Esse foi o único encontro que eu tive com Jô Soares. A pedido dele, conversamos em particular. Um dia revelo o conteúdo da conversa. Hoje fica aqui a homenagem pra ele, que nunca morrerá. Hoje eu não vou transmitir o meu talk show. No lugar, vamos assistir à Jô Soares Onze e Meia", escreveu Gentili no Twitter

Ao longo de mais de seis décadas de trabalho no cinema, na televisão e na literatura, Jô Soares trabalhou incessantemente. Como entrevistador, por exemplo, realizou exatas 14.138 entrevistas ao longo de 28 anos de exibição, tanto no SBT (Jô Soares Onze e Meia) e na Globo (Programa do Jô).

Muitas logo se tornaram históricas, como o encontro de Hebe Camargo, Lolita Rodrigues e Nair Bello. Ou ainda de figuras idolatradas, como o piloto Ayrton Senna.

O adeus ao apresentador e humorista Jô Soares

O velório do humorista Jô Soares aconteceu na tarde desta sexta (5), na Funeral Home, local especializado localizado no bairro da Bela Vista, e foi fechado para familiares e amigos próximos. 

Estiveram presentes os atores Juca de Oliveira e Dan Stulbach, os apresentadores Serginho Groisman e Thiago Leifert, a atriz Mika Lins, a cantora Zélia Duncan, e os jornalistas Natuza Nery e Matinas Suzuki Jr., que trabalhou diretamente na pesquisa e na escrita dos dois volumes autobiográficos de Jô Soares.

Foi um cerimônia serena, com lembranças sendo contadas e o conforto de saber que Jô Soares ainda trabalhava - ele pretendia estrear a peça À Meia Luz, que teria sua direção, em setembro, no Teatro Procópio Ferreira.

O corpo de Jô Soares será cremado em Mauá, cidade próxima a São Paulo. Não haverá cerimônia de sepultamento, decidiu uma das ex-mulheres dele, Flávia Pedras Soares, que conduzirá o processo.

Jô Soares morreu às 2h20 desta sexta, de causa não divulgada. Ele estava internado desde o dia 28 de julho no hospital Sírio-Libanês.

A morte do apresentador, escritor, humorista e diretor Jô Soares

Morreu na madrugada desta sexta-feira (5), o apresentador, escritor, humorista e diretor Jô Soares, aos 84 anos. Ele estava internado desde o dia 28 de julho no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

A informação foi confirmada nas redes sociais pela ex-mulher de Jô Flavia Pedras Soares, que foi casada com Jô Soares durante 15 anos, e a causa da morte não foi revelada. Segundo Flávia, a despedida será reservada a amigos e familiares.  

Na publicação, a ex-mulher do apresentador fez uma singela homenagem. "Viva você meu Bitiko, Bolota, Miudeza, Bichinho, Porcaria, Gorducho. Você é orgulho pra todo mundo que compartilhou de alguma forma a vida com você. Agradeço aos senhores Tempo e Espaço, por terem me dado a sorte de deixar nossas vidas se cruzarem", escreveu no post.

Nascido José Eugênio Soares em 16 de janeiro de 1938, Jô Soares estudou em Lausanne, na Suíça. Pensava em ser diplomata e aprendeu várias línguas, o que lhe deu sólida formação cultural e intelectual.

Viu televisão pela primeira vez em 1952, nos Estados Unidos, e começou a trabalhar no veículo seis anos depois, aos 20, escrevendo e atuando nas peças policiais de TV Mistério, programa da TV Rio protagonizado por Paulo Autran, Tônia Carrero e Adolfo Celi.

Mas só seria apresentado ao público como comediante pouco tempo depois, na TV Continental, e a capacidade de fazer rir o levaria a todos os canais de TV do Rio de Janeiro na época.

Em 1960, substituiria José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, a convite do próprio, na redação do Simonetti Show, da TV Excelsior. Já na Record, em 1966, escrevia e atuava no lendário Família Trapo, sitcom que depois inspiraria tantas outras e faria a glória de Ronald Golias, Renata Fronzi, Renato Corte Real e Zeloni, além do próprio Jô.

A redação era dividida com Carlos Alberto de Nóbrega, com quem combinava as cenas que caberiam a um e a outro, cada um na sua casa. Quando se encontravam, juntavam as duas partes e todo o enredo se encaixava perfeitamente, sem necessidade de ajustes.

Depois de ensaiar por algumas vezes sua saída da Record, Jô estrearia na Globo em 1970. "Eu queria um programa de humor com uma nova cara", relata Boni, ex-chefão da emissora, em seu livro de memórias, O Livro do Boni. E continua: "Tinha um nome pronto na cabeça: 'Faça Humor, não faça a guerra'. Havíamos contratado também o Renato Corte Real e o incluímos no projeto. As reuniões se sucederam com o Augusto César Vanucci, o Jô, o Renato, o Haroldo Barbosa, o Max Nunes e o João Lorêdo."

O horário era o das noites de sexta, na vaga que antes cabia a Dercy Gonçalves. E, se Dercy alcançava, naquela época, 60% dos lares com televisão, Jô bateu nos 70% e Boni foi celebrado até pelo patrão, Roberto Marinho. "Faça Humor, não Faça a Guerra" ficou por três anos no ar e foi substituído por Satiricom, que durou mais três anos, sucedida por "Planeta dos Homens", que seguiu liderando a audiência pelos cinco anos seguintes.

Foi em 1981, ainda segundo o próprio Boni, que Jô Soares sugeriu que já fosse hora de ter um programa todo seu. Nasceu daí o Viva o Gordo, que lançou personagens lendários, alguns deles atuais mesmo hoje. Com maquiagem e figurino a caráter, Jô fez barulho como o Capitão Gay e Norminha, entre outros.

Em 1987, Jô Soares pleiteou à direção da Globo, ainda na figura de Boni, um talk show. Não houve acerto e ele se mudou para o SBT, levando consigo seu fiel redator Max Nunes e também o programa humorístico, lá rebatizado como Veja o Gordo. Boni o ameaçou, chegou a dizer que ele não poderia usar a palavra "gordo", e Jô respondeu com um longo e bem argumentado texto no Jornal do Brasil, lido também durante o Programa Silvio Santos, já seu novo patrão.

Anos depois, os dois retomariam a amizade. "Gritei, fiz ameaças, mas prevaleceu o carinho que sempre tive pelos dois (Jô e Max Nunes)", relata Boni. "Porém, profissionalmente, comprei a briga Criei a sessão de cinema Tela Quente, que incinerou o Veja o Gordo, fazendo com que o programa saísse do ar", completa.

Sem o humorístico, Jô Soares passou a se dedicar integralmente ao programa de entrevistas, que cresceu, apareceu e se tornou referência do gênero na TV brasileira, mesmo que cenário e formato em muito lembrassem a matriz americana, com Johnny Carlson, da poltrona à caneca. Entre 91 e 92, foi uma das vitrines mais fortes para a crise política que levaria o então presidente Fernando Collor ao impeachment, e essa postura seria cobrada do programa por todas as ocasiões seguintes em que a política merecesse foco prioritário.

Em 2000, Jô Soares voltou para a Globo, com o mesmo talk show e estrutura melhor de cenário e equipe. Junto, levou seu quinteto, que anos depois se tornaria sexteto, os diretores Diléa Frate e Willen Van Verelt, e, de novo, Max Nunes, amigo que perdeu em junho de 2014.

Desde sempre, sua trajetória televisiva foi acompanhada de expediente permanente no teatro, dirigindo outros ou, durante um bom tempo, montando seus próprios espetáculos, precursores que foram - no caso dele e de Chico Anysio - dos chamados stand up de hoje.

Também se debruçou sobre a produção literária, ao criar livros como O Astronauta Sem Regine, O Xangô de Baker Street!, que virou filme, O Homem que Matou Getúlio Vargas e Assassinato na Academia Brasileira de Letras. Esteve em clássicos do cinema como O Homem do Sputnik, de Carlos Manga, ao lado de Norma Bengel.

Vida pessoal

Jô Soares teve algumas mulheres. Foi casado com Teresa Austregésilo, apresentadora da TV Tupi, com Flavinha, que viria a se tornar sua melhor amiga, e namorou as atrizes Cláudia Raia e Mika Lins. Deixa um filho.

Já de volta à Globo, Jô Soares foi acusado, por longo período de falar mais que o entrevistado, o que contestava. Foi vítima do quadro Sandálias da Humildade, do Pânico, e não era exatamente conhecido por sua simpatia. Não que não fosse simpático. Era, e sabia como seduzir seus interlocutores com seu vasto repertório. E não negava algum egocentrismo, vá lá.

Em 2000, quando atendeu ao convite de Boni para escrever um depoimento para o livro 50/50 (Ed. Globo), organizado para celebrar os 50 anos da TV, registrou lá: "Devo confessar que me senti lisonjeado quando fui convidado para integrar este projeto, mas, sinceramente, acho que a minha participação não é a mais adequada. Digo isso sem falsa modéstia, pois com meus 115 quilos, sou um exibido' pela própria natureza. Também por força da própria profissão, já que a exerço numa vitrine."

Jô Soares dizia que era "mais artista que intelectual". "Trabalho mais com a intuição do que com a razão. A TV não me preocupa, me ocupa."

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