DESPEDIDA

Espaço Itaú de Cinema anuncia fechamento de 17 salas e investimento no streaming

Segundo a rede, todas vinham operando com taxa de ocupação inferior a 20% desde 2019

Estadão Conteúdo Nathália Pereira
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Nathália Pereira
Publicado em 17/09/2021 às 22:15
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Site da instituição apresenta agora um comunicado de fechamento nos espaços das cidades de Salvador, Curitiba e Porto Alegre - FOTO: INSTAGRAM / REPRODUÇÃO
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Uma notícia compartilhada ontem (16), nos perfis oficiais do Espaço Itaú de Cinema, pegou de surpresa os amantes da sétima arte.  A rede anunciou o fechamento de suas salas em Salvador, Curitiba e Porto Alegre. Segundo comunicado oficial, todas vinham operando com taxa de ocupação inferior a 20% desde 2019. As três unidades localizadas em São Paulo (Augusta, Frei Caneca e Shopping Bourbon), a do Rio de Janeiro e a de Brasília permanecem funcionando.

Com a nova configuração, a rede passa a contar com cinco complexos e 40 salas. São 25 em São Paulo, nove em Brasília e seis no Rio de Janeiro. Deixam de integrar a rede 17 salas: quatro em Salvador, cinco em Curitiba e oito em Porto Alegre.

"Nosso mais sincero agradecimento aos cinéfilos de Curitiba, Porto Alegre e Salvador, que sempre frequentaram nossas salas com assiduidade e dedicação, e nos ajudaram a fazer destes cinemas muito mais do que espaços de lazer, mas também de encontros, debates e aprendizado", diz a nota divulgada no perfil do Espaço no Twitter.

"Com menos salas, será mais fácil incentivar uma programação diferenciada, apostando mais em mostras, pré-estreias, sessões de debates", observa Bia Schmidt, diretora administrativa do espaço Itaú. "O espaço físico cinema ainda é muito importante para a rede - só não continuamos com aquelas salas por baixa frequência."

No site do Espaço Itaú de Cinema, nas abas onde antes era possível encontrar informações sobre as salas de cada cidade e a lista dos filmes em cartaz, agora se lê um aviso de fechamento junto a um pequeno histórico sobre o tempo em que esteve em atividade. 

"Foram quase 13 anos de atividade, oferecendo uma programação que sempre incluiu títulos de várias partes do mundo, além de mostras, festivais, pré-estreias e projetos, como o Clube do Professor", diz o texto sobre a sala baiana. Em Curitiba e Porto Alegre, a rede estava presente havia cerca de 18 anos.

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FOCO NO STREAMING

Com menos salas para administrar, a rede vai intensificar a difusão digital por meio da parceria com a plataforma de streaming Itaú Cultural Play, que oferece programação gratuita de filmes e audiovisuais na web. "Hoje a plataforma contempla 175 títulos dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal", diz o comunicado. "A participação do Espaço Itaú de Cinema no mundo digital deverá ser intensificada com o tempo, ampliando a oferta tanto de filmes quanto de mostras e festivais para todos os cantos do País."

A história da rede Itaú de cinemas começou em 1993, quando foi criado o Espaço Banco Nacional de Cinema, em São Paulo, na Rua Augusta, ocupando o local onde funcionou o cine Majestic.

Eram três salas comandadas pelo então cineclubista Adhemar Oliveira, cuja ação transformou completamente a visão do paulistano em relação ao cinema - se, até então, filmes americanos praticamente dominavam o mercado, o Espaço se tornou reduto pra novas cinematografias, ampliando o gosto do público. O sucesso ajudou também a revitalizar a área. Com a falência do Banco Nacional em 1995 e sua absorção pelo Unibanco, a rede de cinemas foi incorporada pelo Instituto Moreira Salles.

Até o Unibanco ser incorporado pelo Banco Itaú, foram inaugurados diversos complexos em diversas cidades. E, a partir de 2010, a antiga marca Unibanco Cinemas foi sendo progressivamente extinta, cedendo lugar ao atual Espaço Itaú de Cinemas. "Temos particular carinho pelas salas de rua, como as da Augusta, em São Paulo, e em Botafogo, no Rio", comenta Bia. "Sempre terão nosso apoio, ao mesmo tempo em que investimos no digital: o streaming não vai substituir o cinema", comenta Bia.

CRÍTICAS

A decisão da rede despertou críticas, como a do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. "Lamentável a decisão do Itaú de fechar o Glauber Rocha, único cinema de rua de Salvador", escreveu ele, em sua conta no Twitter. "Para além dos interesses econômicos, os bancos precisam ter compromisso social e cultural, que o Itaú decide deixar de lado. Infelizmente, o banco está virando as costas para a cultura da cidade."

Também pelo Twitter, o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho lamentou o fechamento. "Essa notícia de o Itaú desistir de espaços de cultura, instrumentos de sociedade (via mercado) nos anos Bolsonaro e durante uma pandemia mundial é um dos indicadores mais fortes para mim de que o Brasil perdeu totalmente a vergonha nos últimos 5 anos", disse o diretor de Bacurau. "Isso vindo de uma empresa q divulga seus lucros publicamente, mas q ñ fala nunca da sua visão de país. Gd [sic] abraço aos amigos de Porto Alegre, Curitiba e, especialmente, Salvador. O efeito q esse projeto do Glauber Rocha teve no centro histórico de Salvador é incalculável em $$", complementou.

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O crítico de cinema Pablo Villaça reforçou o coro crítico. "O Espaço Itaú de Cinema anunciou que vai deixar de manter salas em três capitais: Porto Alegre, Salvador e Curitiba. Péssima notícia para quem gosta de cinema", escreveu em sua conta.

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