Tributo

Trio Nordestino presta uma homenagem a Gilberto Gil

O gurpo trouxe de volta para o forró os baiões, xotes do compositor baiano

JC
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JC
Publicado em 01/07/2020 às 13:28 | Atualizado em 01/07/2020 às 13:29
Suelen Nunes/Divulgação
Trio Nordestino, homenagem - FOTO: Suelen Nunes/Divulgação
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Os artistas do universo do forró sempre incursionaram ocasionalmente pela MPB (forró, o autêntico, e não bandas de fuleiragem. É triste, ter que ressaltar isto). Marinês, em 1967, gravou um disco, que tem seu nome por título, quase inteiro de MPB, com Os Diagonais nos vocais de apoio (Cassiano, e Hyldon integravam o grupo). Mas agora o Trio Nordestino foi mais longe. Lançou um disco inteiramente dedicado à música de Gilberto Gil, e com o beneplácito do compositor, que texto avalizou o tributo:
“Um Trio que está inscrito na história da evolução da música nordestina. Agora, eles resolveram gravar canções minhas: do meu ponto de vista pessoal, é uma homenagem extraordinária e sob o ponto de vista das minhas grandes afeições também, porque o baião, a música nordestina, é uma das raízes mestras do meu próprio trabalho. O fato deles terem transposto muitas dessas canções – a maioria delas – para essa forma extraordinariamente reduzida que é a do trio, me deixa comovido. uma devolução que eles estão fazendo a mim, à minha própria maneira, que vem de lá. Muito do meu modo de cantar, do meu modo de compor, vem do nordeste, dessa região, desse modo de entender a vida e de expressá-la, tão bem registrada agora pelo Trio Nordestino”

O TRIO
Luiz Mário (triângulo e voz), Jonas Santana (zabumba e voz), e Tom Silva (acordeom e voz) dão continuidade ao trio formado em 1957, em Salvador, e na estrada desde 1958. Embora não seja o trio de forró mais antigo em atividade. O Trio Mossoró, do Rio Grande do Norte, começou em 1956, e continua com a mesma formação, Hermelinda, Oséas Lopes e João Mossoró. Oséas Lopes também canta como Carlos André, um mito do brega dos anos 70 e 80.
O Trio Nordestino marcou época, sobretudo no Nordeste, nos anos 60, com a lendária formação, Lindú, Coroné e Cobrinha, todos já falecidos. Deixaram um balaio de clássicos para o forró. A nova geração do trio neste disco com músicas de Gil, a rigor, nem incursiona pela MPB. Como o próprio Gil assinalou, o trio traz para seu universo natural, os xotes, baiões, xaxados, compostos pelo baiano, só ou com parceiros, e carimbados como MPB ele os canta. Abri a porta, é um bom exemplo. Com Gil é MPB com Dominguinhos, e agora com o Trio Nordestino, é forró. O repertório está impecável, a roupagem nordestina imprime outro foco a canções feito Palco, feita na era da disco music, Vamos Fugir, a influência de Bob Marley em Gilberto (em parceria com Liminha), ou a curiosa Madalena (entra em beco sai em beco), do baiano Isidoro, lançada pelo também baiano Hélio Amaral, em ritmo de mambo, na Rozenblit, em 1961. Cantam músicas menos conhecida de Gil, a exemplo, de De Onde Vem O Baião, esta uma das melhores faixas do álbum, com o arranjo de forró agora exala cheiro do barro do chão, conforme os versos da música.
Muitos grupos longevos sobreviveram à morte dos seus fundadores, como é o caso de Os Demônios da Garoa, mas perderam muito da originalidade dos primeiros anos, quando equilibravam sambas com bom humor, com Adoniran Barbosa praticamente sendo um integrante não oficial. O Trio Nordestino teve a formação da época do sucesso, eu perdurou até os anos 70. No início dos anos 80, Lindu falece, e Gennaro o substitui, no início dos anos 90, foi a vez de Gennaro sair, para entrada de Beto Souza, que saiu, não faz tempo, para a entrada de Tom Silva. Coroneto, neto de Coroné, saiu em 2017. Decidiu empresariar grupos, e entrou Jonas Santana em seu lugar.
Assim, Luiz Mário, filho de Lindu, não apenas é o mais antigo do grupo, está nele há quase trinta nos, como é o responsável por uma arejada no som do trio. Antes de se integrar a ele, Luiz Mario se interessava por ouros gêneros, sobretudo o rock. Ele trouxe para o forró outras informações, embora nada tenha sido mexido na estrutura do trio, que continua se valendo a engenharia acústica criada por Luiz Gonzaga, triângulo, zabumba e sanfona. Com este tributo a Gilberto Gil, o trio nordestino abre novos horizontes, fez um disco cujo repertório tanto pode servir para os palcos juninos, quanto para ser apresentado em recintos fechados.

 

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