MULTIARTISTA

Jô Soares amava música e estrearia uma peça em setembro

Ele apresentou programa de jazz em rádio e preparava espetáculo

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Publicado em 06/08/2022 às 0:05
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Jô Soares perdeu o filho em 2014, quando lutava contra grave doença - FOTO: Twitter/Reprodução
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Por Ubiratan Brasil, da Agência Estado

Uma das qualidades artísticas de Jô Soares era seu profundo conhecimento musical. Ele demonstrou isso em diversas oportunidades, especialmente no programa Jô Soares Jam Sessions, que ele apresentou na Rádio Eldorado entre o final da década de 1980 e início dos anos 1990.

"Fiz o caminho inverso de meus companheiros, que começaram no rádio até chegar na televisão", disse Jô, no programa de estreia. "Mas, apesar de o blues ser lembrado como um ritmo triste, ele me provoca alegria, o que se aproxima do meu humor."

Gostava de tocar bongô e trompete, além de cantar. Seu conhecimento jazzístico era vasto, o que resultava em escolhas raras e importantes para o programa de rádio.

Experiência em música ele já tinha. Jô Soares começou na percussão ainda na adolescência, quando, aos 15 anos, período em que estudava na Suíça, conseguiu o feito de acompanhar um dos maiores pianista de jazz de todos os tempos, Oscar Peterson. Jô conta, em sua autobiografia, ter descoberto que Peterson estava hospedado na mesma cidade onde ele estudava. O músico usava o piano do hotel para suas oito horas diárias de ensaio. Foi então que o garoto, depois de muito ensaiar, chegou lá e, sem nenhuma vergonha, pediu para acompanhar o pianista.

Já o trompete foi descoberto mais tarde, depois que o humorista percebeu que não se dava bem com o saxofone.

TEATRO

Nos últimos anos, longe da televisão, Jô Soares continuava trabalhando: preparava um romance policial sobre um assassinato misterioso que envolvia toda a população de um edifício. E também estava finalizando a montagem da peça À Meia Luz, que tinha previsão de estreia no dia 9 de setembro.

A peça conta a história de um homem que tenta fazer com que a mulher duvide da própria sanidade mental, a fim de mantê-la sob seu controle. Ele abaixa as luzes da casa onde vivem e nega qualquer alteração no entorno. A manobra do marido faz com que a jovem esposa acredite que está senil, duvidando de tudo o que está a sua volta.

O texto foi escrito pelo inglês Patrick Hamilton, nos anos 1940, com o título original de "Gas Light", e ganhou uma versão para o cinema, chamada À Meia Luz, sob a direção de Thorold Dickinson. O longa acabou gerando o termo "gaslighting", atualmente usado para denominar a ação de um agressor que faz com que sua vítima, geralmente uma mulher, passe a duvidar de si mesma, de suas condições mentais.

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