Confecção

Dia da Mulher: De onde só se via cana, brotou uma indústria de confecção

Com a MM Special e a Marie Mercié, Mércia Moura mudou o destino dela e parte das mulheres de Itambé, na Zona da Mata pernambucana

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 07/03/2020 às 15:29
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BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
Confecção - A Marie Mercié tem confecção no município de Itambém e trabalha com o desenvolvimento de uma moda sustentável. Palavra Chave - ## - BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
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A história de Mércia Moura, 62 anos, poderia inspirar um romance de época. Filha da aristocracia canavieira foi criada escutando que mulher deveria ficar em casa cuidando da família, enquanto o homem seria o provedor. Jovem, desistiu do curso de desenho industrial na UFPE para casar com Paulo Moura - também representante da tradição açucareira - e seguir o sonho de constituir família.

Foi morar com o marido no engenho Pangauá, no município de Itambé, e se tornou uma mulher do lar. Sem ocupação, o tempo ali passava devagar. Inquieta, começou a conversar com as mulheres simples da vizinhança, também domésticas como ela e dependentes dos maridos cortadores de cana. Movida pelo desejo de trabalhar, de ter autonomia financeira e de construir a própria história, Mércia subverteu a lógica patriarcalista da época e criou a empresa de confecção MM Special e depois a loja Marie Mercié. Com a empresa de moda feminina, a protagonista desse romance mudou a vida dela e de centenas de mulheres do distrito de Caricé, onde fica o engenho Pangauá.

“Nem eu imaginava que chegaria tão longe, porque quem diria que em terras férteis para o plantio da cana nasceria uma fábrica de roupas que seriam usadas por mulheres de cinco continentes, incluindo rainhas e primeiras-damas. Eu desafiei a cultura do Estado, não sucumbi à cultura do patriarcado e consegui mudar a minha vida e de outras mulheres que se sentem livres graças ao seu emprego”, diz Mércia.

REFERÊNCIAS

Apesar da cultura machista, a mãe Marisa e a avó Maria Emília serviram de inspiração para a empresária. Graças a mãe deu o start para começar a empresa e da avó veio o gosto pela costura. Quando ia para a casa dela nos fins de semana, em Timbaúba, aprendia a costurar. As blusas, saias e vestidos da Marie Mercié são fabricadas com um misto de processo manual e industrial. Uma peça chega a passar por 35 pessoas antes de ficar pronta.

Hoje produz uma média de 1,2 mil peças por dia, tem um atacado em São Paulo, vende para 4,5 mil lojistas e exporta para França, Reino Unido, Irlanda, Grécia, Estados Unidos e Japão. Um romance com final feliz.

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