Ovos de chocolate

A dez dias da Páscoa, varejo do chocolate apela para o delivery contra crise do coronavírus

Setor do chocolate esperava crescer até 25% este ano, mas o isolamento social tem feito as vendas despencarem

Marília Banholzer
Marília Banholzer
Publicado em 02/04/2020 às 14:14
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Os pontos de vendas e supermercados já estão abastecidos, mas a quarentena tem afastado dos clientes - FOTO: DIVULGAÇÃO
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A Páscoa deste ano, já no próximo domingo (12), deverá ser menos doce. Sejam as indústrias de chocolate ou as confeiteiras empreendedoras com seus quitutes artesanais, todos esperavam um crescimento no volume de vendas acima dos dois dígitos. No entanto, o isolamento social causado pelas medidas de redução do contágio do novo coronavírus têm causado recuo nas produções – e feito os empresários que lucram nesse período da quaresma criarem soluções para seus negócios.

Antes da crise imposta pela covid-19, o varejo estava otimista para a data e esperava um crescimento de 5% a 10% nas vendas. Ainda no início do mês de março havia a previsão de que o preço do tradicional ovo de chocolate chegasse a subir cerca de 2% em relação ao passado. Agora, do pequeno ao grande negócio, a previsão é de prejuízo, já que muitos investimentos em insumos, e na cadeia de produção, já tinham sido feitos.

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A Lacta, marca da multinacional Mondelez, chegou a fazer um ajuste no posicionamento da marca que agora é "Lacta. Cada pedacinho aproxima. Mesmo estando cada um na sua toca". A ação incentiva as pessoas que querem celebrar a Páscoa, seja recebendo o chocolate em casa ou mandando um ovo de presente para alguém que está distante.

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A prodição de chocolates foi pouco afetada, mas venda dos produtos preocupa o varejo - DIVULGAÇÃO

"Com o cenário atual, intensificamos os esforços e investimentos em e-commerce (www.lactaemcasa.com.br). Antecipamos os descontos para evitar as aglomerações que costumam acontecer nos últimos dias e a sobrecarga de pedidos online", diz a empresa em comunicado ao JC.

A Nestlé, por sua vez, diz que "nesse momento, é muito cedo para quantificarmos o impacto nos negócios da Nestlé como um todo, e com a Páscoa não é diferente. Esta é uma data importante para o varejo brasileiro e os pontos de venda já haviam sido abastecidos anteriormente".

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Fábrica da Cia do Cacau suspendeu a produção de chocolate no dia 10 de março por causa da queda nas vendas - DIVULGAÇÃO

Grande conhecida dos amantes de chocolate, a marca pernambucana Cia do Cacau esperava vender cerca de 25% a mais do que em 2019. A expectativa era produzir 280 toneladas de chocolate, mas suspendeu a linha de produção no último dia 10 de março, quando já havia alcançado a marca das 150 tonelada. Agora, para tentar dar vazão ao produto, a empresa tem investido em vendas pelas redes sociais da marca (@ciadocacauoficial) e WhatsApp, drive trhu e delivery.

Uma das proprietárias do Grupo Souza, detentora das marcas Cia do Cacau, Planeta Bombom, Center Doces e Recife Doces, Juliana Souza conta que o coronavírus foi um banho de água fria para 2020. "A Páscoa é a principal sazonalidade do nosso negócio. Criamos grandes expectativas, mas essa crise faz a gente se reciclar e oferecer novidades para os consumidores", desabafa a empresária.

"O delivery tem sido uma opção muito importante. O RioMar chegou junto dos lojistas e está oferecendo uma solução gratuita para o consumidor nesse caminho. Uma pena que a cultura de consumo do brasileiro ainda seja muito de pegar, cheirar, sentir mesmo o produto, o que impede o crescimento exponencial do nosso negócio no e-commerce", analisa Juliana Souza.

Ela ainda que outra estratégia foi antecipar os preços promocionais que surgem no pós-Páscoa. "Temos um ovo premium de chocolate ao leite (190g) que custa R$ 23,90. Fizemos a promoção leve um e o outro sai pela metade do preço, além de um brinde. Se não fosse a crise, talvez nem lançássemos essa promoção", comenta a empresária.

De acordo com Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), o negócio que gira em torno da Páscoa não afetou tanto a fase de produção porque é algo que é programado desde, pelo menos, o meio do ano passado. No entanto, o varejo é que mais vem preocupando o setor, ainda mais com comércios, incluindo shoppings, fechados.

Em nota, a associação ratifica: "As indústrias estão trabalhando em conjunto com os pontos de venda para garantir a organização e disponibilidade dos produtos, além de também estarem fortalecendo seus serviços de atendimento via internet e por delivery como alternativas."

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Enquanto as grandes empresas tentam se ajustar e recalculam previsões, pequenas empreendedoras do ramo de alimentação, como a confeiteira Mariana Queiroz, nome por trás da marca @marilu_doceriagourmet, já tenta se reinventar para evitar prejuízos. Este seria a quarta Páscoa dela, que começou a atuar nesse segmento justamente nesse mesmo período do ano 2017. "Nos anos anteriores eu vinha conquistando clientela. Este ano minha expectativa era de ter um aumento de 25% em relação a 2019 porque muita gente já estava fazendo encomendas, agora as coisas mudaram", relata Mariana Queiroz.

A confeiteira não sabe informar quanto já havia investido na Páscoa de 2020, mas revela que tinha comprado muitos insumos para ovos gourmets e produtos derivados. "Estou usando o material que já comprei para fazer outras opções como cones trufados, bolos de cenoura com chocolate, e não depender apenas dos ovos. Além disso estou colocando todo mundo da família para fazer entregas para mim", conta ela que agora já não sabe se alcançará sequer o faturamento médio das páscoas anteriores, que girava em torno dos R$ 3.500.

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Previsão de Páscoa amarga em 2020 por causa da crise do coronavírus; cia do cacau - FOTO:DIVULGAÇÃO
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Previsão de Páscoa amarga em 2020 por causa da crise do coronavírus; produtos Lacta - FOTO:DIVULGAÇÃO

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