DISTANCIAMENTO SOCIAL

Procon notifica cinco bancos por não cumprirem regras que evitam a aglomeração de clientes

Fiscalização atuou no Bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife e observou o atendimento nas agências do Banco do Brasil, Caixa, Santander, Bradesco e Itaú

Edilson Vieira
Edilson Vieira
Publicado em 07/04/2020 às 18:44
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FFELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Falta de distanciamento mínimo nas filas de espera foi a principal irregularidade encontrada pela fiscalização - FOTO: FFELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Uma equipe do Procon estadual foi nesta terça-feira (7) às ruas do Recife para apurar uma denúncia de desrespeito ao distanciamento social determinado pelas autoridades sanitárias como forma de prevenção a covid-19. A denúncia dizia respeito às aglomerações de clientes nas portas dos bancos.

Das cinco agências bancárias visitadas pela fiscalização do Procon-PE, no Bairro de Casa Amarela, apenas uma atendia medianamente as recomendações do decreto estadual que proíbe a aglomeração de clientes nas áreas internas e externas dos bancos. Mesmo assim, todas as cinco agências foram notificadas pelo órgão de defesa do consumidor e terão um prazo de 24 horas para explicar que medidas estão adotando, ou aperfeiçoando, para atender integralmente ao decreto que determina o distanciamento social entre os clientes. Os fiscais do Procon observaram as condições de atendimento nos bancos Itaú, Caixa, Banco do Brasil, Santander e Bradesco.

Os fiscais verificaram se havia marcação no chão, nas áreas internas e externas das agências, indicando o distanciamento recomendado pelas autoridades de saúde, de pelo menos um metro entre um cliente e outro; se havia funcionários orientando os clientes para utilização de outros meios de acesso aos serviços oferecidos pelo banco, como aplicativos, sites e telefones, e se havia ainda um funcionário distribuindo fichas numeradas na entrada do estabelecimento, para evitar aglomerações dentro das agências.

Segundo o gerente jurídico do Procon estadual, Ricardo Faustino, a irregularidade mais comum encontrada pela fiscalização foi a falta de demarcação de lugares na fila de espera ainda do lado de fora das agências. “A principal causa de aglomeração é a falta de demarcação de lugares na fila de espera. E também a falta de controle por parte do banco do cumprimento dessa marcação pelos clientes”, disse Faustino que orientou aos gerentes bancários a colocação de um funcionário para disciplinar o lugar dos clientes nas filas. Os bancos notificados receberão uma nova visita dos fiscais do Procon-PE hoje (8) para verificação do cumprimento das regras. “Caso não cumpram nossa orientação o banco será autuado e multado. Dependendo da irregularidade e dos possíveis danos causados ao consumidor, a multa pode variar de R$ 1 mil a até R$ 9 milhões”, declarou Ricardo Faustino.

A funcionária pública Míriam Gomes, de 54 anos, estava na fila do Banco do Brasil para sacar o dinheiro do PIS, um abono dado anualmente aos servidores públicos. Dona Míriam não estava usando máscara por “não ter encontrado no mercado” e reclamava toda hora da proximidade das pessoas na fila: “Minha gente, olha a distância aí de vocês”, dizia para os que estavam à frente dela. Ela até elogiou a organização do banco que dividiu o atendimento em três filas diferentes na entrada da agência, de acordo com o serviço procurado pelo cliente, mas reclamou da demora. “Faz mais de 40 minutos que estou aqui. E a fila nem está tão grande”.

Outra cliente que também protestou contra o tempo de espera foi a aposentada Nilda Ramos, de 59 anos. Usando máscara e luvas descartáveis ela revelou que já havia ido a agência no dia anterior para tentar sacar a aposentadoria do marido, idoso, e que a esperava no carro. “Como o valor supera o limite de saque diário, tenho que vir no banco duas vezes e passar por isso”. Dona Nilda disse que aproveitadores usam o espaço que algumas pessoas deixam para se manterem afastadas e furam a fila. “A gente ainda tem que ficar de olho nesses espertos”, reclamou.

A gerente de uma das agências fiscalizadas pelo Procon, que pediu para não se identificar, afirmou que boa parte do público que vai até a agência bancária não precisaria estar ali. “Garanto a você que pelo menos 70% dos que estão aqui poderiam ser atendidos através dos canais digitais, como site, aplicativo ou telefone. Mas muitos desconhecem que o serviço existe ou não sabem usar a tecnologia, então nessas horas é que a família poderia ajudar com informação ou mesmo acessando os canais digitais”, afirmou a gerente.

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