Coronavírus

Polo de Confecções se reinventa com produção de máscaras e jalecos

Empresas tentam manter empregos, recuperar o faturamento e ajudar a população de Pernambuco a se proteger do coronavírus. Marie Mercié, Rota do Mar e Moça Bela são alguns exemplos das que se readaptaram ao novo momento

Adriana Guarda
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Adriana Guarda
Publicado em 26/04/2020 às 15:40 | Atualizado em 26/04/2020 às 15:57
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A empresária Mércia Mora, da Marie Mercié, destina para doação parte das máscaras que a empresa produz e comercializa a outra parte. Esforço é para manter os empregos dos 300 colaboradores - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Ninguém esperava que, de uma hora para outra, as milhares de máquinas de costura do Polo de Confecções de Pernambuco tivessem que parar. Improvável também imaginar os centros atacadistas de Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru e Toritama vazios, sem aquele vaivém de compradores e aquela vastidão de veículos estacionados. A pandemia do novo coronavírus silenciou o polo, mas foi por pouco tempo. Os empresários que “inventaram” um jeito de fazer negócio em pleno Semiárido e já enfrentaram várias adversidades, mais uma vez se reinventam. Desta vez estão contando com um empurrãozinho do governo do Estado, que está oferecendo apoio técnico, suporte financeiro e consultoria comercial para que as empresas produzam máscaras, jalecos e aventais para atender a demanda provocada pela covid-19.

A produção desses equipamentos de proteção individual (EPI) não chega a gerar a mesma receita que as empresas garantiam com confecção de moda, mas é suficiente para manter as unidades funcionando e garantir boa parte dos empregos na região. Em Itambé, a Marie Mercié – especializada em moda feminina com seus bordados e rendas complexas – está fabricando máscaras em tricoline 100% algodão. Na fábrica, localizada no bucólico Engenho Pangauá, a produção de máscaras é de 35 mil unidades por semana, com 10 mil destinadas a doação e 25 mil para atender o mercado. As máscaras de tricoline têm mais durabilidade e não deformam facilmente. Nas embalagens, a empresa também fornece informações sobre uso e lavagem.

A fundadora da Marie Mercié, Mércia Moura, diz que a produção das máscaras foi uma alternativa para manter a fábrica funcionando e evitar as demissões. “Colocamos metade dos colaboradores em férias coletivas para garantir as orientações das autoridades de saúde de distanciamento e estamos tocando a produção com os outros 50%. No dia 9 de maio, a turma que está de férias retorna e vamos avaliar como ficará a produção e os funcionários. Esperamos que a receita das máscaras seja suficiente para arcar com a folha de pagamentos”, aposta. As doações estão acontecendo para hospitais, supermercados e comunidades carentes. As instituições interessadas em receber doações podem entrar em contato com a marca para entrar na lista.

DECRETO

Na última quinta-feira (23), o governador Paulo Câmara divulgou decreto que torna obrigatório o uso de máscara pela população quando sair à rua e pelos colaboradores e funcionários de estabelecimentos comerciais que estão funcionando com autorização do Estado. A medida, além de ajudar a proteger a população num momento de escalada local do coronavírus também vai aumentar a demanda por máscaras para o Polo de Confecções.

Empresa consolidada no Agreste, a Rota do Mar, em Santa Cruz do Capibaribe, já se desafiou a avançar na produção e confeccionar jalecos, que exige maiores cuidados no processo de fabricação. Hoje, a empresa está fazendo 3 mil jalecos e 30 mil máscaras por dia. “Precisamos destinar uma fábrica só para fazer jaleco hospitalar, porque os cuidados precisam ser maiores. Os funcionários trabalham de touca e luva e a condução da matéria-prima também é diferente”, explica o diretor presidente da Rota do Mar, Arnaldo Xavier, dizendo que a unidade do produto custa entre R$ 7,50 e R$ 9,00, dependendo do comprimento e de outras especificações.

O empresário diz que hoje a fábrica está usando 40% de sua capacidade produtiva, mas que a expectativa é aumentar nos próximos meses, em função do decreto do governo do Estado e depois do processo de retomada da atividade econômica, que deverá acontecer gradativamente e com a proteção da máscara. “Em função disso, também estamos fazendo máscaras personalizadas para os clientes, como as dos times do Sport e Náutico, com emojis, com nomes de empresas, com estilo roqueiro, poético e muitas outras.

Estamos fazendo moda na máscara, porque quando as pessoas forem pra rua elas vão querer usar algo diferente”, diz Xavier. Os preços variam de R$ 1,50 a R$ 4,00; dependendo da quantidade e da customização. A confecção faz planos de ir ampliando a produção gradativamente, sendo 30 mil em abril, 40 mil em maio e 50 mil junho. A empresa vende para farmácias, grupos empresariais, prefeituras e governos estaduais.

Na Moça Bela, que produzia moda praia e lingerie em Santa Cruz do Capibaribe, o negócio também passou a ser as máscaras. O empresário José Ivanilson de Souza acredita que será possível manter os 30 funcionários diretos e os 40 terceirizados graças à produção. Com fabricação diária de 10 mil máscaras por dia, está vendendo para Pernambuco, além de Rio Grande do Norte, Bahia, São Paulo, Espírito Santo e Goiás. “O faturamento não se mantém o mesmo, mas chegou a 60% ou 70%. Para quem estava parado, é muito bom”, comemora.

A Moça Bela faz parte de um grupo de 80 empresas reconhecidas pelo Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções como aptas a fabricar dentro das conformidades técnicas. A secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico também está ajudando na interlocução comercial e no acesso ao crédito.

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