ALTERNATIVA

Delivery da Feira da Sulanca de Caruaru completa um mês, mas não atende todos os comerciantes

Segundo presidente da Associação dos Sulanqueiros de Caruaru apenas 30% dos feirantes estão participando do Delivery Sulanca, porque nem todos têm uma rede de clientes fixa

Marcelo Aprígio Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 25/05/2020 às 18:20
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JOBSON GONÇALVES/TV JORNAL INTERIOR
Delivery Sulanca Caruaru completa um mês em atividade, nesta segunda-feira (25) - FOTO: JOBSON GONÇALVES/TV JORNAL INTERIOR
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Alternativa em tempos de crise, o Delivery Sulanca Caruaru completou um mês em atividade, nesta segunda-feira (25). Criado pela prefeitura da cidade, o programa funciona como estratégia para ajudar na entrega de mercadorias vendidas pelos sulanqueiros aos seus clientes, que vão até o estacionamento do Polo Caruaru, nas segundas-feiras, sempre das 5h às 17h, retirar os produtos de maneira previamente agendada no site deliverysulanca.caruaru.pe.gov.br.

» Delivery Sulanca Caruaru bate recorde de entregas

Ao todo, já foram realizadas mais 1.700 entregas no local, que recebe ônibus, vans e carros de passeio vindos de todos os estados do Nordeste. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Economia Criativa da cidade, André Teixeira, a prefeitura criou um sistema de desinfecção e tem trabalhado para evitar aglomerações no lugar. “O espaço funciona apenas como um ponto de apoio para a retirada de mercadorias, onde os veículos que chegam com clientes são desinfectados na entrada e saem rapidamente após pegar os produtos”, afirma o secretário, lembrando que só veículos com até duas pessoas, previamente cadastrados na plataforma do programa, têm acesso ao estacionamento do Polo Caruaru. “Nós queremos ajudar os sulanqueiros, inclusive não permitindo aglomerações de pessoas”, explica.

Ainda segundo André Teixeira, o volume de vendas têm crescido a cada edição. “Os números têm sido positivos e vêm melhorando a cada segunda-feira. Se compararmos às semanas anteriores, podemos observar o crescimento, tanto na quantidade de sulanqueiros quanto de clientes”, diz ele, afirmando que os feirantes faturaram cerca de R$ 6 milhões na última semana. “Levar o Delivery Sulanca para o Polo foi essencial para termos esse resultado”, pontua o secretário, explicando que o local, às margens da BR-104, facilita a logística para comerciantes e clientes, além de evitar a entrada de veículos vindos de outras regiões na cidade, diminuindo os riscos de contaminação.

Apesar disso, o presidente da Associação dos Sulanqueiros de Caruaru, Pedro Moura, afirma que os vendedores da feira têm arrecadado cerca de cinco vezes menos que antes da pandemia do novo coronavírus (covid-19). “Normalmente, a cada feira, nós vendíamos cerca de R$ 30 milhões, mas com essa doença, e tudo fechado, a renda arrecadada caiu drasticamente”, revela ele, dizendo que o Delivery Sulanca Caruaru se converteu em válvula de escape para vários feirantes.

“O importante é que está acontecendo uma movimentação, que mesmo pequena, está gerando empregos e garantindo renda para diversas famílias”, afirma Pedro Moura, lamentando que, apesar da estrutura montada pela prefeitura, nem todos os sulanqueiros puderam aderir ao programa, visto que não têm uma rede de clientes para facilitar o contato. “Acredito que apenas 30% dos feirantes estão participando do Delivery Sulanca”, diz ele.

Trabalhando há 20 anos na Feira da Sulanca da cidade, o comerciante Alexandro Vasconcelos, de 43 anos, foi uma das pessoas que aderiram à alternativa oferecida pela administração municipal. “O Delivery foi a minha salvação, já que na feira, que funciona no Parque 18 de Maio, não podemos sequer parar nossos carros”, conta o profissional, dizendo-se aliviado por estar conseguindo vender seus produtos. “Nós passamos quase um mês sem poder vender nada, porque a sulanca está fechada e não havia essa plataforma”, afirma ele, lembrando que enfrentou dificuldades financeiras no período em que esteve parado.

Assim como Alexandro, o feirante Gabriel Sousa, 47, considera que o programa tem auxiliado os comerciantes a enfrentarem esse momento de dificuldades financeiras, no entanto, para ele, a ajuda tem sido pequena.“Apesar do programa, nossas vendas estão muito baixas, mal chegam a 20% do que era realizado no período normal. Pelo menos, é melhor do que nada”, conta ele. O comerciante lamenta os “perrengues” e sugere que o poder público garanta um auxílio financeiro aos sulanqueiros. “Seria bom algo além do Delivery, pois a maioria dos feirantes não consegue usar essa estrutura. O presidente (Jair Bolsonaro), o governador (Paulo Câmara) e a prefeita (Raquel Lyra) deveriam se unir para garantir a renda dessas pessoas”, afirma Gabriel, segundo quem os comerciantes que estão de fora do Delivery Sulanca Caruaru têm tentado driblar a fiscalização e vender seus produtos na feira, que está fechada por decreto municipal.

Por causa disso, a administração da cidade intensificou a fiscalização no Parque 18 de Maio, onde funciona a feira. Em entrevista à Rádio Jornal Caruaru, o secretário de Serviços Públicos do município, Ytalo Farias, disse que quem insistir em vender seus produtos no local, descumprindo as restrições impostas pela prefeitura, poderá perder o alvará de funcionamento de sua loja. "A fiscalização foi intensificada para que as pessoas não insistam em desobedecer o decreto, pondo em risco não só sua vida, mas as de muitas outras pessoas", explica ele.

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