Preço dos alimentos

Recife teve a terceira maior alta do País no valor da cesta básica, no acumulado do ano, com taxa de 11,53%

No mês de agosto, as maiores contribuições vieram do leite integral, da farinha de mandioca, do arroz agulhinha e da carne bovina. Nos últimos 12 meses, o Recife teve a maior alta (21,44%)

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Publicado em 04/09/2020 às 19:08
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TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL
Expectativa é de que os preços dos alimentos continuem altos no curto prazo - FOTO: TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL
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Desde que a pandemia do novo coronavírus se instalou no Brasil, as pessoas passaram a comer mais em casa, por conta da necessidade de distanciamento social, e os preços dos alimentos apresentaram uma escalada. Resultado da cesta básica divulgado nesta sexta-feira (4) pelo Dieese, mostra que em agosto houve um aumento nos preços dos alimentos básicos em 13 das 17 capitais pesquisadas. Recife reflete o resultado nacional, com alta de 0,7% no mês passado. Quando se observa o dado mais consolidado, a capital pernambucana aparece entre as que tiveram maiores taxas de elevação do País. No acumulado de janeiro a agosto, a cesta básica subiu 11,53%, atrás apenas de Salvador (16,15%) e Aracaju (13,21%). 

Apesar do resultado acima da média brasileira, a supervisora técnica do Dieese em Pernambuco, Jackeline Natal, explica que é preciso levar em conta que a metodologia da pesquisa foi modificada, em função da pandemia. Atualmente, a única capital em que foi mantida a coleta de dados presencialmente e com menor número de pesquisadores foi São Paulo. Além disso, as feiras livres ficaram de fora do levantamento, o que pode configurar uma diferença maior dos preços de frutas e verduras, por exemplo. 

"Pelo menos três fatores contribuíram para o aumento do preço da cesta básica: o mercado interno aquecido, o mercado internacional aquecido para as commodities e a taxa de câmbio que elevou os custos de produção. Os auxílios emergenciais conseguiram manter o patamar de consumo básico e o consumo em domicílio aumentou a demanda. Não é possível explicar especificamente porque Recife e outras capitais do Nordeste tiveram essa alta mais acentuada, porque os fatores que puxaram os preço influenciam as capitais de modo geral", observa Jackeline.  

Os produtos que apresentaram alta nos preços em quase todas as capitais foram óleo de soja, leite integral/manteiga, arroz agulhinha, pão francês e carne bovina.  Segundo o Dieese, no caso do óleo, as demandas interna e externa têm elevado as cotações da soja e derivados. Já o leite e a manteiga tiveram seus preços puxados pela necessidade de refazer estoques, a competição por matéria-prima e a baixa
disponibilidade de leite no campo culminaram em elevação de preço dos derivados lácteos.

Os produtores de arroz decidiram evitar vendas pontuais e resolveram se retrair e guardar o cereal para comercializar em um momento em que o preço esteja melhor. No caso da carne bovina, a baixa oferta de
animais para abate no campo e o desempenho recorde das exportações, em especial para a China, fizeram com que os preços explodissem. O pão francês também foi influenciado pelo cenário internacional. As cotações dos derivados de trigo tiveram aumento devido à valorização do dólar diante do real. Entre janeiro e agosto, a valorização do dólar sobre o real chegou a 36,69%. 

No Recife, a cesta básica calculada pelo Dieese custou R$ 439,19 em agosto, 0,7% mais cara do que em julho. Os produtos que apresentaram alta em relação a julho foram leite integral (10,79%), farinha de mandioca (5,56%), arroz agulhinha (4,67%), óleo de soja (4,15%), carne bovina (4,11%), açúcar (2,36%), pão francês (0,88%), manteiga (0,69%) e banana (0,17%).

SUPERMERCADOS

Nesta quinta-feira (3), a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) publicou nota reclamando do que chamou de uma "pressão de aumento nos preços de forma generalizada repassados pelas indústrias e fornecedores. Itens como arroz, feijão, leite, carne e óleo de soja com aumentos significativos", diz a nota.

Em estudo realizado no final de agosto, o Bradesco projeta uma inflação dos alimentos de 8,5% para 2020, enquanto a inflação oficial vai fechar num patamar bem inferior. "Com a aceleração da demanda, o crescimento da oferta não deve ser suficiente para aliviar os preços domésticos de alimentos, no curto prazo. Nesse ambiente, projetamos alta de 8,5% para preços de alimentos em 2020. Vale reforçar, contudo,
que mesmo com essa pressão de alimentos, os núcleos de inflação continuam em patamares muito baixos, em linha com nossa estimativa de alta do IPCA de 1,9% neste ano", diz o trabalho.  

 

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