Conjuntura

Panificadores enfrentam aumento de custos, desabastecimento e queda nas vendas, no 20° Dia Mundial do Pão

Data comemorativa nesta sexta-feira (16) é marcada pela busca de alternativas para enfrentar a crise no setor, que tem resultado no fechamento de estabelecimentos em Pernambuco

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 15/10/2020 às 19:20
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ROVENA ROSA/AGÊNCIA BRASIL
CÂMBIO Alta do dólar ao longo do ano puxou para cima o preço do trigo e de seus derivados - FOTO: ROVENA ROSA/AGÊNCIA BRASIL
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Neste 2020, o Dia Mundial do Pão terá um caráter mais reivindicativo do que comemorativo. A pandemia do novo coronavírus trouxe desafios adicionais ao setor, que vive permanentemente atento ao sobe e desce da cotação do trigo. A crise da covid-19 fez o dólar pipocar, o preço da commodity subir, o mercado desabastecer e o consumo cair. A conjuntura negativa acertou em cheio a atividade em Pernambuco, que é formada, majoritariamente, por micro e pequenas empresas. Criada em 2000, em Nova York, pela União dos Padeiros e Confeiteiros, a data é comemorada mundo afora nesta sexta-feira (16). 

Ao longo do ano, a alta acumulada do dólar entre janeiro e outubro está a casa de 31%. A moeda saiu de uma cotação média de R$ 4,152 em janeiro para R$ 5,403 em setembro. "O Brasil não é autossuficiente na produção de trigo. Mesmo nos anos em que se tem uma boa safra, ainda é preciso importar 45% do equivalente ao consumo total do País. Como o trigo é uma commodity, seu preço aumenta com a subida do dólar", observa o presidente do Sindicato da Indústria de Panificação de Pernambuco (Sindipão-PE), Paulo Pereira. 

Com esse movimento, o preço da farinha de trigo avançou de 25% a 35% nos moinhos, chegando a custar R$ 80 o saco de 25 quilos. "Além disso, também enfrentamos um aumento de 30% nas embalagens, sem falar no óleo de soja, outras gorduras e o desabastecimento de algumas matérias-primas. Dessa forma, ficou difícil para as empresas absorver a alta de custos e foi preciso repassar ao consumidor. E se continuar desse jeito, o pão terá novos aumentos até o final do ano", alerta Pereira, sem estimar percentuais. Atualmente, o preço do quilo do pão francês varia de R$ 9 a R$ 14, dependendo do local, porque o preço é livre. 

Uma alternativa apontada pelos panificadores para equilibrar oferta e demanda é reduzir a tarifa de importação de países produtores como Estados Unidos, Canadá e Rússia e reduzir a dependência do trigo argentino. Hoje, a farinha de trigo representa cerca de 70% do custo de produção do pão no Brasil. 

VENDAS EM QUEDA 

Apesar de ser considerado um serviço essencial, as padarias enfrentaram queda nas vendas durante o período de isolamento social. A paralisação de escolas, comércio e do trabalho informal fizeram o movimento e o faturamento despencar. "Muitas pessoas deixaram de sair de casa, evitaram ir na padaria, fizeram seu próprio pão, mudaram de hábitos. Temos informação de padarias que funcionaram próximas a escolas e forneciam o lanche da cantina que não resistiram. A estimativa é que o faturamento acumulado tenha caído cerca de 30%", calcula Pereira.  

REIVINDICAÇÕES

Empresário e presidente da Associação dos Industriais de Panificação do Estado (AIPP), João Galdino, afirma que o setor enfrenta com problemas de tributação. Na avaliação dele, uma saída seria a sanção de uma lei estadual que regulamente a venda de trigo industrial apenas para empresas formais. “É uma forma de regularizar e moralizar a venda do pão, que é feita de forma indiscriminada para formais e informais”, explica. Ele defende que é preciso buscar mecanismos que reduzam o impacto da crise e viabilizem a reestruturação dos negócios. 

De acordo com a Epão, entidade que reúne a Associação dos Industriais de Panificação do Estado (AIPP), Sindipão e Coopancosi, Pernambuco conta com 4 mil panificadoras (formais e informais), que geram 40 mil empregos diretos e outros de 82 mil indiretos.  

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