VAREJO

Com agravamento da pandemia, 53% dos lojistas de shoppings temem novas demissões e fechamento definitivo

Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), desde o começo da pandemia, 84% dos lojistas já diminuíram a quantidade de postos de trabalho devido à queda nas vendas e às restrições no expediente

Estadão Conteúdo Marcelo Aprígio
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Marcelo Aprígio
Publicado em 25/03/2021 às 14:36
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Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), que representa empresas que somam mais de 9 mil pontos de venda em todo o Brasil - FOTO: AGÊNCIA BRASIL
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Com o agravamento da crise causada pelo novo coronavírus e o fechamento do comércio em boa parte do País, 53% dos lojistas de shopping centers temem ter que realizar novas demissões e até mesmo fechar as portas definitivamente. Desde o começo da pandemia de covid-19, em março de 2020, 84% dos lojistas já diminuíram a quantidade de postos de trabalho devido à queda nas vendas e às restrições no expediente. Só 35% ainda seguem confiantes na recuperação das vendas no pós-pandemia.

Os dados foram divulgados na quarta-feira (24) pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), que representa empresas que somam mais de 9 mil pontos de venda em todo o Brasil. “A pesquisa aponta que a nova onda de fechamento já reflete diretamente na economia. Quase todos os associados já demitiram e mais da metade teme o fechamento definitivo, o que mostra a gravidade da situação”, ressalta em nota o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun.

“Só não estamos pior porque houve algumas medidas que nos ajudaram, como a suspensão de contratos e redução de jornada de trabalho, com pagamento de parte dos salários pelo governo”, diz o presidente da Associação de Lojistas de Shopping de Pernambuco (Aloshop), Ricardo Galdino.

Para tentarem evitar a degola geral no setor, os varejistas ainda aguardam a reedição do Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda, conhecido como BEm, que possibilitou a flexibilização nos contratos e garantiu a manutenção de 11 milhões de empregos, segundo o Ministério da Economia.

Também há expectativa da volta do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que concedeu R$ 37 bilhões em crédito a pequenos negócios na crise no ano passado. O ministro da Economia, Paulo Guedes, já falou em renovar a oferta de recursos, e o Congresso busca espaço no Orçamento para abastecer o programa.

Enquanto a ajuda não chega, os lojistas vêm sofrendo um impacto gigantesco nas vendas. O setor contabiliza 407 shoppings fechados e 194 abertos com horários e fluxo reduzidos. Nenhum empreendimento opera sem algum tipo de restrição, de acordo com o último levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), do último fim de semana.

Na avaliação de 87% dos lojistas consultados pela Alshop, não houve nenhuma melhora no movimento de clientes neste ano. Além disso, nacionalmente, o tíquete médio de compra é de R$ 220 em 2021, o que representa uma queda de 37% ao começo de 2019 – quando o novo coronavírus sequer havia sido descoberto. Em Pernambuco, o valor é ainda mais baixo: R$ 120.

“Além desse tombo ter relação com com o tempo menor que os clientes permanecem nos shoppings, isso também é reflexo da perda de poder de compra pelas pessoas. Nós, brasileiros, estamos ficando mais pobres”, afirma Ricardo Galdino, ressaltando que antes da pandemia, um consumidor ficava em média 90 minutos nos centros de compra e agora, a média está em 30 minutos.

Impostos

Os lojistas de shoppings também criticaram a “falta de sensibilidade” dos estados. No caso de Pernambuco, que concentra boa parte da produção e das vendas no varejo da Região Nordeste, os varejistas pedem a suspensão do pagamento do ICMS por seis meses, sem multas ou juros. Para isso, eles argumentam que não representam nem 4% da arrecadação estadual.

“O governo de Pernambuco poderia dar uma moratória de seis meses para nós pagarmos o imposto. Não queremos deixar de pagar. Corta multas e juros, divide o pagamento em 24 meses e, assim, ajudo o empreendedor, que não tem culpa de a pandemia ter chegado", argumenta Galdino. "Sabemos que o Estado tem que arrecadar, mas ele já 90% do ICMS garantido por dez setores. Nossa atividade representa apenas 3,2% da receita estadual. Então, seria de bom tom, já que tudo está fechado, ajudar nesse sentido”, pontua ele.

O presidente da Alshop defende ideia parecida. “Infelizmente o empreendedor vem sendo impactado por impostos mais altos, por outro lado, impedido de abrir as portas sem nenhuma compensação financeira. Em alguns casos, houve uma alta elevadíssima no ICMS, e a Alshop tem pedido aos representantes do poder público que pelo menos o aumento de imposto seja revogado ou adiem o pagamento”, diz Nabil Sahyoun.

Além dos impostos, os empreendedores ainda sofrem com a desvalorização do real ante o dólar, que tem reflexo direto sobre a comercialização. Segundo 53% dos lojistas, os insumos ou produtos ficaram mais caros, mas não houve repasse para os clientes. Outros 37% repassaram os aumentos e apenas 10% comentaram não terem sido impactados com a alta dos preços nos produtos vendidos.

YACY RIBEIRO
Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), que representa empresas que somam mais de 9 mil pontos de venda em todo o Brasil - FOTO:YACY RIBEIRO

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