CRESCIMENTO

Produção de tilápia cresceu 7% em Pernambuco no ano passado

Os lagos de Itaparica e de Moxotó concentram grande parte da produção. A Cooperativa Agroaquícola de Petrolândia (CAAP) está procurando investidores para instalar uma unidade de beneficiamento do peixe

Angela Fernanda Belfort
Angela Fernanda Belfort
Publicado em 04/04/2021 às 7:00
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EM ALTA Pernambuco atualmente é o 12º estado do País com maior produção de peixe de cultivo - FOTO: DIVULGAÇÃO/PRORURAL
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Num ano que entrou para a história por causa da grave crise sanitária-econômica, a produção de peixe de cultivo de Pernambuco cresceu 7% em 2020, alcançando 27.275 toneladas, contra as 25.500 toneladas produzidas em 2019. Desse total, 27,2 mil toneladas são de tilápia, cultivadas principalmente no Sertão de Itaparica, no Lago de mesmo nome, e também no lago de Moxotó, com produtores instalados no município de Jatobá. "É uma produção bastante intensiva que tende a aumentar nos próximos anos. E esse crescimento vai gerar mais empregos e renda", resume o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura Peixe BR, Francisco Medeiros. Pernambuco atualmente é o 12º Estado com maior produção de peixe de cultivo, segundo informações do anuário da Peixe BR.

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O peixe de cultivo produzido no Estado é predominantemente a tilápia. E se depender da Cooperativa Agroaquícola de Petrolândia (CAAP) a produção de tilápia pode até dobrar. "A nossa intenção é darmos mais um passo, conseguirmos um recurso no exterior e implantarmos uma unidade de beneficiamento", conta o presidente da Cooperativa Agroaquícola de Petrolândia (CAAP), Mauro Marques da Silva. A entidade está tentando captar recursos com empresas e organizações dos Emirados Arabes, Espanha e Inglaterra. Além da unidade de beneficiamento estimada em R$ 5 milhões, os produtores também sonham em ter uma fábrica de ração local.

Atualmente, grande parte do peixe que eles comercializam vai, in natura, principalmente para o Ceará, que é o maior consumidor de tilápia na região. O processamento pode deixar o produto mais competitivo. "É importante ter uma unidade de beneficiamento para conseguir mais mercado, ter um selo e chegar aos grandes supermercados", comenta Mauro. A CAAP representa os produtores de sete associações de piscicultura, uma de caprino-ovinocultura e uma associação, que está se regularizando e pretende produzir camarão no lago de Itaparica, além de 23 produtores pequenos que são representados pelos seus CPFs. Cada associação tem 12 produtores e produz, em média, 84 toneladas de tilápia por ano.

O associativismo foi uma atividade que deu certo no Sertão de Itaparica, segundo Mauro. "Quem está na associação, tem poder de barganha, porque compra a ração mais barata, conseguindo um desconto maior devido ao volume adquirido", explica. São sete a oito caminhões por mês que chegam trazendo ração somente para os produtores ligados à Cooperativa. A ração significa quase 70% dos custos da atividade e teve um aumento de 40% do preço nos últimos oito meses, puxada principalmente pela alta do dólar. A soja e o milho são a base da ração para os peixes. A primeira subiu muito de preço no mercado interno, porque os produtores optaram por exportar com a alta do dólar.

"O peixe transformou a realidade de Petrolândia, gerando muito emprego e renda", comenta Mauro. Ele faz parte da Associação dos Criadores de Peixe do Sítio Brejinho, localizado a 14 km do centro de Petrolândia. Nessa entidade, são 12 produtores e somente dois tem outra fonte de renda, como é o caso de Mauro, funcionário concursado da Prefeitura de Petrolândia. "O restante vive só do peixe. Cada produtor tira pela cooperativa, em média, R$ 1 mil por mês, mas tem alguns que conseguem mais porque vende um filé do pescado a domicílio ou fornece pra restaurante", explica Mauro, sem contabilizar o mês da semana santa que traz mais vendas aos produtores.

INÍCIO

A verba que estruturou as associações veio principalmente do Banco Mundial via um programa chamado Prorural que financiou os primeiros tanques que os produtores colocaram dentro do lago a partir de 2004. Além do financiamento, os técnicos do Prorural e do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) dão assistência aos criadores. "São 15 associações no Sertão de Itaparica que produzem tilápia e tiveram o financiamento do Prorural com recursos do Banco Mundial. Hoje, eles conseguem tirar de um a três salários mínimos por mês", conta o coordenador regional do Pro-Rural no Sertão de Itaparica, Kleyton Lima. Além de Petrolândia, também há produtores em Itacaruba e Belém do São Francisco que produzem no Lago de Itaparica.

Segundo o supervisor de Pesca e Aquicultura do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), João Paulo Viana de Lima, a piscicultura responde, respectivamente, por 57%; 5% e 16% do Produto Interno Bruto (PIB) municipal de Jatobá, Petrolândia e Itacuruba. "Isso traz um movimentando ao comércio da Região com negócios na ordem de R$ 105 milhões anuais", explica. Ele afirma também que a atividade é responsável por empregar cerca de 15% da população ocupada (550 postos diretos), entre os quais mais de 80% são pequenos produtores consorciados em "auto-emprego". A cidade de Jatobá tem 30% dos postos efetivamente ocupados na piscicultura.

Várias instâncias estão ajudando o polo de piscicultura do Estado. No ano passado, até o deputado estadual Waldemar Borges propôs e a Alepe aprovou a Lei Estadual nº 16.839, de 25 de março de 2020, que trata sobre o Licenciamento Ambiental da Aquicultura no Estado de Pernambuco e dá outras providências. A intenção é facilitar o licenciamento. "Com a lei que conseguimos aprovar na Alepe, tiramos muitos dos entraves dos pequenos produtores. Antes, eles tinham que atender as mesmas exigências de um grande produtor para ter sua licença, por exemplo. A lei facilitou, criando modalidades e adequando as exigências ao porte do produtor e foi fruto das contribuições dos aquicultores, técnicos, pesquisadores, representantes de entidades, entre outros", comenta o parlamentar, que foi presidente da Comissão Especial de Incentivo ao Desenvolvimento da Política Estadual da Aquicultura.

 

 

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O peixe transformou a realidade de Petrolândia, gerando muito emprego e renda", afirma o presidente da Cooperativa Agroaquícola de Petrolândia, Mauro Marques - FOTO:FOTO: DIVULGAÇÃO

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