RETOMADA

Após sinalização de Salvador, será possível realizar o Carnaval em Pernambuco em 2022?

A realização da festa de Momo em 2022 depende da vacinação e segurança. Empresários argumentam que a realização da festa não pode contribuir para estender a pandemia

Angela Fernanda Belfort
Angela Fernanda Belfort
Publicado em 12/05/2021 às 12:29
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MARCELO LACERDA/@EUACHOEPOUCO/REPRODUÇÃO
O carnaval de 2022 em Pernambuco só deve ocorrer se for seguro, dizem os executivos do setor de Turismo - FOTO: MARCELO LACERDA/@EUACHOEPOUCO/REPRODUÇÃO
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A realização do Carnaval de 2022 em Pernambuco só deve ocorrer caso o evento seja seguro do ponto de vista sanitário, segundo executivos do setor de Turismo. Isso significa, principalmente, não contribuir para a propagação do novo coronavírus. Aglomerações é uma das formas de aumentar a contaminação. Até agora, a principal forma de evitar complicações pela doença é a vacina. "O principal é fazer um evento totalmente seguro, caso se tenha a garantia que isso não vai contribuir para estender a pandemia. Não é um carnaval só que vai salvar a economia", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria dos Hotéis de Pernambuco (ABIH-PE), Eduardo Cavalcanti. Mais de 420 mil pesoas - incluindo mais de 14 mil pernambucanos - já morreram no Brasil em decorrência da covid-19. Nesta terça-feira (12), o governador da Bahia, Rui Costa (PT) afirmou, na sua live semanal, que acredita ser possível realizar o Carnaval de Salvador em 2022. O governo do Estado informou, via secretaria de imprensa, que "não há previsão" para falar do assunto.

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Eduardo faz o alerta de que a realização do evento sem segurança pode contribuir para estender a pandemia. "Na Espanha, já fizeram um evento para 5 mil pessoas com todos os cuidados. Os participantes fizeram o teste do coronavírus antes e depois do evento. Somente cinco pessoas se contaminaram. Mas a gente não pode comparar a educação da Espanha com a do Brasil", comenta Eduardo. No Brasil, milhares de pessoas não acreditam nas recomendações dos profissionais de saúde para conter o coronavírus.

O empresário acredita que não será possível fazer o Carnaval nos moldes tradicionais por causa das aglomerações.  "Serão realizados eventos para 5 mil pessoas. Não vai dar pra colocar 1 milhão de pessoas na rua ao mesmo tempo. Vai levar muito tempo para conseguirmos fazer isso de novo", comenta. E acrescenta: "Um Carnaval sem segurança pode provocar um lockdown que vai trazer um impacto mais negativo à economia do que o que poderia ser gerado nos quatro dias do Carnaval".

A economia de Pernambuco tem nos serviços um dos seus principais pilares e este setor puxa todo o Produto Interno Baixo (PIB) para baixo, quando ocorre um fechamento mais rígido das atividades econômicas. Os serviços respondem por cerca de 70% do PIB pernambucano.

Presidente do Recife Convention Bureau, Sebastião Teixeira, argumenta que só deve ocorrer o Carnaval em 2022, caso a vacinação alcance um índice defendido pelos organismos de saúde, como a Organização Mundial de Saúde, que indiquem se o evento é seguro do ponto de vista científico. "A prioridade é a vacinação. Informações da Bloomberg dizem que, no atual ritmo, o Brasil vai demorar 11 meses para ter 85% da população vacinada",comenta.

Sebastião defende que a "vida tem que estar acima de tudo, apesar do sofrimento que as restrições trazem ao meio empresarial e a economia". Ele argumenta que o aquecimento do setor de Turismo provoca venda de bens e serviços de 56 atividades. Ele também faz um alerta dizendo que é importante que a decisão sobre a realização do Carnaval seja tomada com antecedência entre outubro e novembro. "É o grande evento turístico e econômico da cidade. Acho que o Carnaval vai ocorrer em vários formatos pra vários tipos de público", comenta. "Atualmente, acredito que é possível realizar o Carnaval. Gosto de brincar e estou com saudade do Galo da Madrugada", conclui.

IMPACTO

Tanto o tradicional bloco recifense Galo de Madrugada, como as ruas do Sítio Histórico de Olinda e as do Bairro do Recife recebem milhares de foliões durante a Festa de Momo. Em Pernambuco, o Carnaval de 2020 movimentou cerca de R$ 2,3 bilhões, sendo 17% a mais do que o movimentado em 2019, segundo uma estimativa da Secretaria estadual de Turismo (Setur).

Cerca de 2,6 milhões de pessoas brincaram o Carnaval do Recife que contou 3.252 apresentações de artistas e grupos nos polos oficiais da folia, de acordo com números da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR).

O setor de turismo foi o mais impactado pela pandemia, porque desde o ano passado, deixaram de acontecer grandes eventos importantes em Pernambuco ligados à semana santa, as festas juninas entre outros. Também não ocorreu Carnaval em 2021. 

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