Afinal, vai ter greve dos caminhoneiros? Saiba tudo sobre a paralisação da categoria
Ministério da Infraestrutura diz que não há registros de retenção em rodovias federais

Atualizado em 26.07.21, às 10h18
Desde as primeiras horas da noite desse domingo (25), grupos de caminhoneiros iniciaram atos e cruzaram os braços em diversas partes do país, o que pode sinalizar o início de mais uma greve da categoria. Contudo, ainda não há clareza sobre a possibilidade de a paralisação ganhar corpo nos próximos dias. O movimento é organizado por algumas entidades, como o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC).
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Em nota, na semana passada, o Ministério da Infraestrutura (MInfra) disse que CNTRC "não é entidade de classe representativa para falar em nome do setor do transporte rodoviário de cargas autônomo e que qualquer declaração feita em relação à categoria corresponde apenas à posição isolada de seus dirigentes".
Apesar da posição da pasta, em Barra Mansa (RJ), caminhoneiros estendem faixas dos atos próximos à rodovia Presidente Dutra e se reúnem em postos de combustível. Nas faixas contam dizeres como "Estamos no limite", pedidos de preço "justo" do diesel e lembretes ao cumprimento da lei 13.703/2018, que institui a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Em Natal (RN) também há mobilização de alguns transportadores.
Em Brejo Santo (CE), caminhoneiros colocaram pneus na estrada para sinalizar a parada. Em um grupo de WhatsApp da região, motoristas publicaram vídeos destacando o horário e a data, para sinalizar que são atuais, mostrando a concentração em clima de preparação para a greve.
Segundo o presidente do CNTRC, Plínio Dias, os caminhoneiros já fazem atos em pelo menos 15 estados, incluindo Paraná, Rio Grande do Sul e Ceará. A declaração foi dada à Folha de S.Paulo. De acordo com o dirigente, os motoristas estacionam seus veículos em postos de combustíveis localizados às margens das rodovias. Eles carregam faixas contra o aumento nos custos de transporte, mas não interrompem o tráfego nas estradas, acrescenta Dias.
Entre as reivindicações dos caminhoneiros estão o fim da política de Preço de Paridade de Importação (PPI) da Petrobras para combustíveis, maior fiscalização nas estradas para cumprimento do piso mínimo de frete e a aposentadoria especial para os motoristas a partir de 25 anos de trabalho por envolver atividades insalubres.
Nas redes sociais, o MInfra afirmou que todas as rodovias federais, concedidas ou sob administração do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) estão com o livre fluxo de veículos e sem registro de retenção. A pasta disse ainda que durante a madrugada e início da manhã, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou ocorrências às margens de BRs e tentativas de retenção em seis estados. "O volume de ocorrências é 3 vezes menor do que o registrado no mesmo período do dia 01/02/21, data da última tentativa de mobilização."
Categoria dividida
Nos últimos dias, o debate sobre uma eventual greve dividiu motoristas, já que nem todas as organizações que representam a categoria manifestaram apoio ao movimento paredista. Algumas entidades apoiam a interrupção das atividades e já estão organizando a paralisação, enquanto outras são contrárias, e uma terceira parte ainda avalia se vai participar ou não dos atos que tendem a se estender ao longo desta semana.
Entre as entidades que aderiram à paralisação está a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), cujo diretor, Carlos Alberto Litti Dahmer, disse que mantém o apoio ao movimento e orienta seus associados a paralisarem as atividades. "Orientamos que se participe dos atos sendo celetista ou autônomo", afirmou. Segundo Litti, não há previsão de encerramento da paralisação. Ele considera que o término do movimento vai depender das respostas do governo para a categoria.
Do outro lado, a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) informou que reforçou a posição contrária aos atos, apesar de considerar o movimento "justo" e "pertinente". O presidente da associação, Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que a entidade não vai participar da paralisação, após decisão tomada em reunião com associados na última quinta-feira (22). Segundo Chorão, existe "grande" descontentamento dentro de todo o segmento, mas não há adesão de 100% da categoria neste momento. "O combustível não é um problema só nosso. Referente a lei 13.703/18 que está vigente, precisamos que a ANTT faça seu trabalho de fiscalização", disse Chorão ao Estadão.
No grupo dos indecisos está o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam). O presidente da entidade, Luciano Santos, afirmou ao Broadcast que o sindicato "não apoia e nem desapoia" a realização dos atos. "Nenhum sindicato ou cooperativa de outra cidade nos procurou para tratar da questão. Na sexta-feira,fomos procurados por alguns motoristas autônomos. Avaliamos as reivindicações e pedimos um prazo até quarta-feira para tomar a decisão", disse Santos.
O que é o PPI?
A categoria deseja o fim do chamado Preço de Paridade de Importação (PPI) no cálculo dos combustíveis vendidos pela Petrobras. Essa política acompanha as variações de preços no mercado internacional e é afetada pelo dólar.
A medida busca manter a petrolífera competitiva perante o mercado, mas pode encarecer os combustíveis e impactar o bolso dos caminhoneiros.
Greve de 2018
Desde que conseguiu emplacar a histórica greve de 2018, caminhoneiros enfrentam discordâncias. Naquele ano, os trabalhadores pararam as estradas por 9 dias e chegaram a erguer pelo menos 557 pontos de bloqueio nas vias.
Houve desabastecimento à época, e 13 aeroportos ficaram sem combustível. Eles conseguiram a redução do preço do diesel em R$ 0,46 na bomba por 60 dias e isenção de cobrança de pedágios por eixo suspenso em todas as rodovias.
Com informações da Folha de S.Paulo e Estadão Conteúdo
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