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De 1 hora a 10 minutos: seu produto comprado na internet vai chegar mais rápido

Na disputa, vale investir em miniCDs pulverizados em localizações estratégicas para entregar o mais rápido possível

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 22/08/2021 às 9:00
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Amazon anunciou entrega em um dia para clientes Prime em várias cidades, incluindo o Recife. - FOTO: REPRODUÇÃO
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As vendas online explodiram na pandemia e o surgimento de novos negócios também. A 7ª edição da pesquisa Perfil do e-Commerce Brasileiro aponta uma expansão de 22% no número de lojas digitais no Brasil, em 12 meses. Impulsionado pela covid-19, não foi apenas em tamanho que o negócio mudou, mas em estratégia. Com a possibilidade de pedir até itens de supermercado nas lojas online, os consumidores foram ficando impacientes com esperas mais longas. Na briga do varejo, ganha aquele que depois do clique consegue fazer o produto chegar mais rápido à casa do cliente.

Algumas empresas tentam reduzir esse tempo de dias para horas e, até, minutos. Por trás dessa agilidade está uma complexa operação logística e de tecnologia. Uma das estratégias é transformar as lojas físicas em minicentros de distribuição, como fez o Magazine Luiza. A ideia da companhia é fazer entregas ultrarrápidas semelhantes a um delivery. A promessa é de que produtos com até 15 quilos cheguem na casa do cliente com até uma hora após a compra online. 

A Amazon anunciou no início deste mês que vai reduzir de dois para um dia útil a entrega em mais de 50 cidades para assinantes do serviço Prime no Brasil. A lista inclui Recife, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre. Até então, a entrega gratuita mais rápida era de dois dias úteis para mais de 700 cidades. Tudo isso faz parte de uma "estratégia de guerra" para acompanhar o movimento dos concorrentes.   

De olho nos 105 milhões de compradores do comércio eletrônico brasileiro, o Mercado Livre anunciou investimento de R$ 10 milhões no País. Boa parte do valor dedicado à logística para se manter firme na acirrada briga no mercado nacional. Desde junho, a companhia consegue oferecer o transporte no mesmo dia para várias cidades. 

Velocidade de loja física

Doutorando em Engenharia de Produção e Professor Universitário, Paulo Alencar explica que essa tendência da entrega ultrarrápida começou na Europa e foi se espalhando pelo mundo. "É uma tendência que não deve retroceder, a ponto de se aproximar de uma compra presencial, mas com um tempo de entrega do produto ainda menos, na faixa dos dez minutos", observa. No Brasil, o aplicativo Rappi já consegue fazer isso, por meio do botão Turbo-Fresh criado para entregas em dez minutos.

Especialista em logística, Alencar afirma que a tentativa das empresas de investir em tempo de resposta cada vez mais rápido vai estimular o avanço das dark stores (pequenas lojas que atendem exclusivamente compras online). "As dark stores são lojas avançadas, pequenos estabelecimentos comerciais que se localizam em alguns CEPs, alguns endereços bem próximos dos maiores consumidores. Conseguem distribuir até 30 produtos num raio de cinco quilômetros, com tíquete médio entre R$ 30 e R$ 40", diz Alencar, lembrando que os consumidores não querem mais perder tempo e estão exigentes não só no tempo de entrega de alimentos, mas também de pequenos produtos. 

A lição deixada pela pandemia para o comércio eletrônico é que antecipou tendências e acirrou ainda mais a concorrência.  


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