Comércio

Percentual de famílias endividadas e de inadimplentes recua em Pernambuco

Queda foi de 2,9% em setembro, segundo a Confederação Nacional do Comércio, mas aumento no uso do cheque especial e dos carnês de crédito preocupa

Edilson Vieira
Edilson Vieira
Publicado em 05/10/2021 às 17:04
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BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Comércio vive expectativa positiva para segundo semestre mas inflação pode reduzir consumo das famílias - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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O percentual de famílias que declaram estar endividadas no estado de Pernambuco recuou 2,9 pontos percentuais em setembro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisada localmente pela Fecomércio-PE. Apesar do movimento de retração, o terceiro trimestre de 2021 encerrou ainda com um patamar elevado, de 78% de famílias declaradamente endividadas. 

Para a Fecomércio-PE, o resultado de setembro representa, de qualquer forma, uma melhora na dimensão do endividamento das famílias no estado, que desde de fevereiro oscilou entre patamares de 79% a 81%. Apesar dessa melhora no curto prazo, a proporção de famílias endividadas se mantém acima do nível de um ano atrás, na comparação com setembro de 2020, quando o percentual era de 75,7%.

 

INADIMPLÊNCIA

O mês de setembro também registrou o terceiro mês consecutivo de queda no percentual de famílias com contas atrasadas. Era de 33,2% em junho, final do segundo trimestre, e agora chegou a 30,9% no final do terceiro trimestre. Na comparação com o nível registrado a um ano atrás, a inadimplência não sofreu mudança significativa, com aumento de 0,5 ponto percentual.

Já a proporção de famílias que se dizem sem condições de pagar as contas atrasadas ficou no mesmo patamar observado em agosto, quando chegou a 15,1%, após cinco meses seguidos de alta. Na comparação com setembro de 2020, o indicador recuou 2,1 pontos percentuais.

PERCEPÇÃO

A pesquisa da CNC  também investiga mensalmente a dimensão do endividamento familiar, segundo a percepção das famílias. Em setembro, 20,3% das famílias se disseram muito endividadas, nível que ficou muito acima do percentual observado no mesmo mês de 2020, quando o percentual registrado foi de 12,8%.

O demonstrativo por tipo de dívidas aponta que o cartão de crédito reduziu levemente sua participação entre os débitos declarados pelas famílias endividadas no mês de setembro, comparado ao mês anterior, mas persiste como o principal causa do endividamento familiar. As dívidas com carnês e com cheque especial, por outro lado, vêm avançando fortemente, segundo o levantamento.

Segundo a análise do assessor econômico da Fecomércio-PE, Ademilson Saraiva, essa dinâmica sugere que as contratações de crédito estão potencializando o endividamento futuro das famílias. "Boa parte [das novas operações de crédito] pode estar sendo direcionada para a quitação de débitos com financeiras e cartões, uma vez que este, sendo o principal vetor de endividamento, tende a ser o principal tipo das dívidas em atraso".

INFLAÇÃO

Para se ter uma ideia do avanço do crédito, segundo dados do Banco Central, o saldo das operações de crédito no Sistema Financeiro Nacional, ou estoque de crédito, às pessoas físicas do estado cresceu 2,4% em agosto em relação a julho, sendo o maior aumento para o mês de agosto, desde 2008, quando foi de 3,0%. Já na comparação anual, em relação a agosto de 2020, o crescimento foi de 20,2% , maior aumento da comparação anual, desde dezembro de 2011.

"Em um cenário de inflação elevada, além de um mercado de trabalho ainda bastante fragilizado, com alto percentual de trabalhadores por conta própria, na informalidade, e menores remunerações no emprego formal, o orçamento familiar mais apertado vem levando ao aumento da busca por crédito na composição da renda. É necessário ficar atento a esse avanço, que pode aumentar as obrigações financeiras entre as famílias no médio prazo, ainda mais com a perspectiva do avanço das taxas de juros sinalizado pela Selic", conclui a análise.

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