TECNOLOGIA

Conserto nas alturas: troca de gerador ocorre a 100 metros de altura numa torre eólica em Casa Nova, na Bahia

A substituição do aerogerador levou cerca de um mês. O processo todo - que incluiu o planejamento da operação - foi realizado em seis meses

Angela Fernanda Belfort
Angela Fernanda Belfort
Publicado em 16/10/2021 às 7:00
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Foto: Ricardo Tiba/ Divulgação/ Chesf
O guindaste que está sendo usado para acoplar um gerador numa torre eólica numa altura de 100 metros no Parque Casa Nova A, em Sobradinho, na Bahia - FOTO: Foto: Ricardo Tiba/ Divulgação/ Chesf
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Já imaginou substituir uma parte de um equipamento numa altura de 100 metros e num local onde a ventania é constante ? Isso já está acontecendo no setor elétrico brasileiro e, pela primeira vez, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) realizou uma operação deste tipo, substituindo um gerador de uma torre eólica numa altura de 100 metros no Parque Casa Nova A, no município de Sobradinho, na Bahia. "Há alguns anos, nem imaginava que seria possível trocar um gerador numa altura de 100 metros. Os guindastes hoje são muito precisos e têm uma tecnologia embarcada que torna possível o monitoramento. A tecnologia evoluiu muito", diz o superintendente de Engenharia de Geração Eólica da Chesf, Douglas Balduíno. 

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A estatal concluiu a operação na primeira semana de outubro, substituindo dois geradores que estavam danificados. “A troca se deu por conta de defeitos irreversíveis em dois geradores de Casa Nova A”, explica Douglas. A troca dos dois geradores ocorreu em um mês, mas o planejamento para fazer a substituição levou seis meses. Antes, somente a troca do gerador poderia levar até três meses para ser realizada. 

Veja abaixo o vídeo, da Chesf, que mostra parte da troca do gerador sendo realizada

"O principal diferencial dessa operação foi o estudo, o planejamento - que incluiu uma análise prévia do risco - e o guindaste mais moderno - incluindo a tecnologia que facilita o trabalho", cita Douglas. Ele argumenta que o equipamento é muito avançado na parte eletrônica, permitindo que da cabine do guindaste seja acompanhado todo o detalhe da operação que está sendo feita.

O processo inteiro levou seis meses e incluiu desmontar os geradores danificados no Parque A, retirar dois geradores do Parque Casa Nova B - localizado próximo ao primeiro -, transportá-los ao local onde seriam instalados; remontar as “estrelas”, composições formadas pelo hub, o cubo central que junta as pás eólicas mais as pás, além de refazer as conexões internas e iniciar os testes. "Para se ter uma idéia da dificuldade, os geradores foram acoplados no equipamento a uma altura de 100 metros", destaca. Nesta altura do Parque A, a velocidade média dos ventos é de 30 km por hora. Tanto o Parque A como o B pertencem à Chesf. 

Foto: Ricardo Tiba/Divulgação Chesf
As pás eólicas são grandes e movidas por um vento, em média, de 30 km no Parque Casa Nova A, em Sobradinho, na Bahia - Foto: Ricardo Tiba/Divulgação Chesf

A empresa responsável pelas obras em Casa Nova A, Goldwind foi encarregada da operação que envolveu ainda guindastes de grande porte num serviço de alto risco que exigiu muito estudo e planejamento para ser executado. A operação custou cerca de R$ 3,6 milhões. "Uma máquina desta parada deixa de gerar uma receita grande para a empresa", comenta Douglas.

Apenas em 2021, o Parque Casa Nova A tem uma receita estimada em R$ 14 milhões. Previsto para ser concluído em dezembro, a finalização do serviço ocorreu com dois meses de antecedência. Cada torre que teve o gerador substituído tem uma potência instalada para gerar 1,5 megawatt (MW). Toda a energia que puder ser produzida atualmente é bem-vinda ao sistema elétrico já que o País está passando por uma grande crise energética. 

Foto: Ricardo Tiba/Divulgação Chesf
Um grande guindaste está içando as peças que serão levadas a uma altura de 100 metros - Foto: Ricardo Tiba/Divulgação Chesf
Foto: Ricardo Tiba/Divulgação Chesf
Parque eólica de Casa Nova A, no município de Sobradinho, na Bahia - Foto: Ricardo Tiba/Divulgação Chesf

Para entender a complexidade da operação, Balduíno explica que “os trabalhos de desmontagem e içamento dos geradores e remontagem, duraram cerca de 1 mês". A operação teve acompanhamento, em campo, de cerca de 15 pessoas, incluindo a equipe da Superintendência de Geração da Chesf, sob a coordenação dos engenheiros Tulio Trajano (gerente do Departamento de Engenharia de Geração Eólica) e Ricardo Tiba (coordenador técnico), além de técnicos da empresa que opera o guindaste e da companhia que fabrica o aerogerador. 

 "A tendência é cada vez mais melhorar e aumentar os serviços especializados no setor eólico. Isso abre mercado para uma gama grande de profissionais, porque envolve várias especialidades", comenta Douglas.  

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