Concorrência

Indústria de vestuário de Pernambuco poderá sofrer com acordos comerciais entre Brasil e países asiáticos

Acordos comerciais que estão em negociação entre o Brasil e a Coreia do Sul, Indonésia e Vietnã podem derrubar a taxa de importação de confecções de 35% podendo até zerar

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 29/11/2021 às 19:13
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Foto: Léo Motta/JC Imagem
Pernambuco tem um polo de confeções importante, com forte geração de empregos e atuação em vários municípios - FOTO: Foto: Léo Motta/JC Imagem
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O Sindicato das Indústrias do Vestuário do Estado de Pernambuco vê com preocupação os acordos comerciais que estão em negociação entre o Brasil e a Coreia do Sul, Indonésia e Vietnã, que podem derrubar a taxa de importação de confecções dos atuais 35% para até 0%, facilitando a entrada dos produtos. Esses pactos deverão gerar uma queda de emprego, produção e até fechamento de empresas de pequeno, médio e grande porte de Pernambuco. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), o setor poderá ter uma redução no PIB na ordem de R$ 6,1 bilhões.

Segundo o presidente do Sindivest, João D’arru, a entidade está mobilizando a sociedade junto aos órgãos governamentais, para minimizar os impactos negativos e irreversíveis desse acordo bilateral. Atualmente, a taxa de importação de confecção está na casa dos 35%. Com o pacto, essa taxa será reduzida até 0%. Com isso, o mercado pernambucano passaria a ter uma concorrência desleal com o produto fabricado aqui, já que os países do sudeste asiático colocam em prática uma política industrial ativa, com apoio público financeiro significativo à produção industrial e baixos níveis de exigência nas áreas ambiental e trabalhista.

Para João D’arru, se o acordo passar será uma catástrofe para as 2 mil indústrias pernambucanas que empregam 260 mil pessoas, de forma direta e indiretamente. A ABIT prevê que cerca de 50 mil postos de trabalho sejam fechados em todo o Brasil.

Ainda segundo a Associação, o Brasil está em 11º lugar como o País que mais atende a normas trabalhistas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), com 89 acordos ratificados. A Coreia do Sul ratificou apenas 22 acordos, o Vietnã foram 15 e a Indonésia foram 10 acordos. Com isso, tratados relacionados a temas como jornada de trabalho, salário-mínimo, segurança e saúde ocupacional e previdência são os menos adotados pela Coreia do Sul, Indonésia e Vietnã. O salário-mínimo destes países varia de um terço a 15% do salário-mínimo no Brasil, com jornadas de trabalho bem mais elevadas, sem direitos sociais e, o mais grave, com trabalho infantil, o que é proibido.

IMPACTO NEGATIVO

Com o fechamento de indústrias, os cofres do Estado sofreriam um grande impacto. Na análise de D’arru, ainda que acordos em negociação não beneficiam em nada as indústrias do vestuário. “Não temos nenhuma chance de exportamos para Coréia, Vietnã e Indonésia porque, além das práticas desleais de comércio e desequilíbrio de questões trabalhistas e sociais, o nosso câmbio é muito mais acima se comparado com o deles.

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