MERCADO FINANCEIRO

Dólar cai 2% na última sessão do ano, mas sobe 7,4% em 2021

Moeda encerrou o dia cotada a R$ 5,5759

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Estadão Conteúdo

Publicado em 30/12/2021 às 19:06 | Atualizado em 30/12/2021 às 19:07
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Em um ano coroado por preocupações em relação a novas cepas da covid-19 globalmente e, aqui, por incertezas fiscais, econômicas, políticas e, principalmente sobre a condução e intensidade da política monetária em um momento de inflação ascendente, o dólar avançou sobre o real. Mesmo com uma queda contundente, de 2,06%, na última sessão do ano, levando a moeda a R$ 5,5759 nesta quinta-feira, no acumulado de 2021 a divisa americana saltou 7,46% sobre a moeda brasileira. Há um ano, 2020 terminava com o dólar a R$ 5,1887.

"Desde o início da pandemia você tem elevação do dólar, 2021 foi uma sequência dos riscos globais de 2020. Teve movimento de todo o mundo procurando portfólios mais defensivos, isso significa que a moeda americana teve grande procura global, assim como ouro e algumas criptomoedas", destaca Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos.

Ante emergentes, o movimento piorou no segundo semestre diante de dados de que a recuperação global será pior que o esperado no ano que vem. Isso, num cenário de países desenvolvidos com juros mais altos e com os Estados Unidos retirando estímulos monetários da economia, o que enxuga a liquidez global, afasta interesse e fluxo dos investidores em países como o Brasil.

No dia, após subir quase 1% ontem, o câmbio encontrou espaço hoje para não só devolver a alta do dólar, mas reverter o quadro para o mês e garantir uma valorização do real em dezembro. No mês, o dólar caiu 1,06% frente a divisa brasileira.

Num dia de alívio geral para os ativos domésticos, dados fiscais brasileiros divulgados ontem e hoje, que mostram uma surpresa positiva na arrecadação federal retiraram um pouco do mau humor interno. E, lá fora, dados melhores nos Estados Unidos diminuíram a aversão a risco. Com um fluxo melhor de investidores para os ativos de risco doméstico, o que sustentou uma alta de 0,7% na bolsa, o dólar cedeu.

"Em temos de indicadores, tivemos divulgação de dados fiscais ontem (Governo central) e hoje (setor público consolidado), que foram positivos. Ontem a moeda brasileira teve um desempenho ruim, hoje está tirando um pouco", aponta Felipe Sichel, estrategista da Moldamais.

Hoje, o Banco Central mostrou que o setor público consolidado, que inclui governo central, estados, municípios e estatais, teve um superávit de R$ 15,03 bilhões em novembro, melhor resultado desde 2013. Em 12 meses, o resultado é positivo em R$ 12,76 bilhões, o melhor desde outubro de 2014.

Favorece o cenário local ainda a boa percepção dos investidores em relação ao novo marco cambial. A lei permite, entre outras coisas, a abertura de conta em dólar no Brasil por um investidor estrangeiro, a compra e venda de moeda estrangeira por agentes que não apenas bancos e corretoras e a facilitação de remessa do exterior para uma instituição brasileira que tenha um correspondente bancário fora do País.

Assim, o real conseguiu um alívio, inclusive, superior aos pares emergentes, depois de semanas pressionado. Lá fora, a divisa cai ante o peso mexicano e opera próxima da estabilidade, mas com viés de alta, ante o rand sul africano e os pesos argentino e chileno. Aqui, a moeda terminou o dia bem distante da máxima intradia, pela manhã, quando chegou a tocar os R$ 5,7044. Na mínima, a moeda americana operou na casa dos R$ 5,54.

"O real já está pressionado há muito tempo, você já tinha um preço além do movimento normal, pelo risco. Qualquer movimento vindo lá de fora que melhorasse um pouco a percepção de risco, traz melhora forte. Moeda muito estressada acaba tendo muito fluxo e muita volatilidade", afirma Franchini, da Monte Bravo.

Para o ano que vem, o cenário para o câmbio não é animador. Com a retirada efetiva dos estímulos americanos e as altas de juros prometidas, que devem ser seguidas por outros países desenvolvidos, o fluxo a emergentes deve ficar prejudicado. No Brasil, o cenário se agrava pelas incertezas eleitorais, que devem garantir um câmbio volátil e com tendência de alta.

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