Infraestrutura

Monte Rodovias conclui a captação de R$ 160 milhões para a Rota do Atlântico, em Pernambuco

Recursos serão utilizados no pagamento de dívidas e na realização de investimentos para garantir as exigências do contrato de concessão

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 31/12/2021 às 14:43
DIVULGAÇÃO/CONCESSIONÁRIA ROTA DO ATLÂNTICO
A tarifa básica passará a custar R$ 8,70 - FOTO: DIVULGAÇÃO/CONCESSIONÁRIA ROTA DO ATLÂNTICO
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(Atualizada em 03/12 às 14h18)

Depois de comprar 100% da Rota do Atlântico em Pernambuco, em abril de 2021, a Monte Rodovias anuncia a conclusão da captação de R$ 160 milhões, com vencimento em 2036, para aplicar na concessionária. Os recursos serão usados no pagamento de dívidas com instituições financeiras e na realização de investimentos. 

Esta primeira emissão de debêntures da Concessionária Rota do Atlântico (CRA) será destinada a sanar dívidas junto ao BNDES, com saldo de R$ 109 milhões em dezembro de 2020. O valor restante será destinado à realização de investimentos para atender às exigências do contrato de concessão. A Rota do Atlântico tem dívidas junto ao BNDES, além de precisar cumprir as exigências do contrato de concessão de realização de investimentos. Os novos controladores também vão precisar negociar com investidores do mercado de capitais para estender o prazo de pagamento de débitos. 

Com 44 quilômetros de extensão, a Rota do Atlântico é principal rodovia de acesso ao Porto de Suape e ao Litoral Sul de Pernambuco. Ao longo dos 35 anos de concessão, iniciados em 2011, estão previstos R$ 450 milhões em investimentos em ampliação, requalificação e administração do complexo viário. O porto é uma das principais locomotivas do desenvolvimento de Pernambuco. Além de liderar a movimentação de combustíveis no Brasil, o complexo também conta com uma área produtiva, integrada por 150 indústrias. No turismo, as principais praias estão concentradas no Litoral Sul, dentre elas a famosa Porto de Galinhas. 

As debêntures serão atualizadas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - mesmo indicador de reajuste das tarifas de concessão - com juros remuneratórios prefixados em 7,17% ao ano. A partir desta terça (4), o valor do pedágio na Rota do Atlântco será reajustado em 10,35% (IPCA dos últimos 12 meses), passando ao valor de R$ 9,60. 

A agência  de classificação de risco Fitch Ratings atribuiu nota AA-(bra) à operação da concessionária, com perspectiva de rating estável. Com essa avaliação, a Fitch considera que a CRA tem um Índice de Cobertura do Serviço da Dívida médio (DSCRs, na sigla em inglês) de duas vezes a sua receita operacional, num desempenho superior aos concorrentes do setor, com DSCRs médio de 1,4.

Outras aquisições

Além da Rota do Atlântico, a Monte Rodovias também tem as concessões Rota dos Coqueiros (também em Pernambuco) e Bahia Norte, compradas da Odebrechet, Invepar e Grupo Cornélio Brennand. A Monte Rodovias estuda novas aquisições de atuais concessionários, além de participar de leilões que venham a acontecer no primeiro semestre, das rodovias estaduais de Pernambuco. A Rota dos Coqueiros liga a Ponte do Paiva (em Barra de Jangada, Jaboatão) ao Cabo de Santo Agostinho. 

Os planos da empresa incluem, ainda, o lançamento de uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). A previsão era para agosto de 2021, mas a empresa decidiu aguardar um momento mais oportuno na Bolsa e a abertura de capital vai ficar para o próximo ano. 

Quem é a Monte Rodovias

A Monte Rodovias S.A. foi constituída em julho de 2020 com o propósito de consolidar a estratégia da Monte Capital Management Ltda. de investir e gerir rodovias para apoiar o desenvolvimento econômico e social sustentável do Brasil. A holding controla as operações das concessionárias Bahia Norte (CBN), na Bahia, Rota do Atlântico (CRA) e Rota dos Coqueiros (CRC), em Pernambuco. Juntas, as três rodovias somam 182 quilômetros de estradas.

A Monte Rodovias faz parte da Monte Equity Partners, fundo de private equity com foco em ativos reais de infraestrutura, que tem realizado investimentos em áreas como logística e energia em diferentes partes do Brasil.

 

 

 

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